Jornal dos Desportos

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Marketing desportivo adormece em Angola

Francisco Carvalho - 01 de Fevereiro, 2018

Clubes nacionais devem ser mais pro-activos para a rentabilizao da marca do clube

Fotografia: Vigas da Purificao| Edies Novembro

O desporto é a economia de mercado pronto a absorver os activos de empresas, mas está subaproveitado em Angola por falta ou erros de estratégias de marketing de clubes e de Federações nacionais. Essa é a constatação feita pelos representantes de diferentes agremiações e empresas convidadas para a mesa redonda promovida pelo Interclube, na segunda-feira, na sua sede social no bairro Rocha Pinto.
Intitulada \"Rentabilização no desporto em tempo de crise\", a mesa redonda versou \"a importância do marketing no desporto\".
Perante uma audiência aceitável, mais de 100 pessoas em representação de diferentes clubes e outras Associações desportivas, o representante do Interclube, Eduardo Quintas, convidado a abrir o evento, disse que \"o marketing desportivo é a alma do negócio\" de qualquer clube. \"O desporto como meio de integração e reintegração social é um negócio lucrativo\" desde que se explorem os mecanismos colocados à disposição.
Hélder Santos, responsável pelo marketing do 1º de Agosto, disse que \"para se obter  dividendos positivos, o departamento de marketing desportivo deve ser pró-activo para alavancar o clube\". É um sector imprescindível dentro da corporação quanto ao departamento de finanças.
O papel de marketing é criar expectativas, segundo Miguel Fernandes, representante da ENSA. O especialista sustentou que as empresas devem ser visionárias para rentabilizarem a marca.
No contexto angolano, a insuficiência legislativa, a imperfeição de mecanismos de controlo, condições de trabalho deficientes nos clubes, ausência de responsabilização de funcionários administrativos (membros de direcção) e a incapacidade de gestores constituem as causas de estrangulamento do marketing desportivo.
Hélder Santos defende que \"a fiscalização e o controlo de gastos das marcas é obrigatório para ganhar a confiança dos grandes patrocinadores\". Portanto, \"a crise no país não constitui justificação para que as empresas estejam de fora do desporto\", segundo Axel Juka.
\"Há mercado desportivo no país e os clubes devem saber gerir e adoptar políticas que visem atrair os patrocinadores\", defende Axel Juka.
A título de exemplo, citou que no mundial de 2006, os chineses e os nigerianos foram os agentes que mais ganharam com a qualificação de Angola. A Puma, patrocinadora da selecção nacional na época, não ganhou nada. O mercado nacional ficou inundado de produtos contrafeitos.
Um outro exemplo é a Refriango. Dentro da sua estratégia, a empresa procura cobrir e passar o seu produto nos principais veículos de comunicação desportiva. O futebol, basquetebol e andebol lideram a lista de desportos bem explorados pela marca. Há outras empresas com a mesma visão, que procuram explorar o desporto nacional.
Axel Juka incentivou os clubes a contactarem as pequenas empresas, porque \"essas querem ser conhecidas, mas estão privadas de espaço\". As direcções de marketing devem adoptar a cultura de ganhar o essencial para encherem os cofres.
Em Angola, os dirigentes estão habituados a pegar milhões de kwanzas e qualquer iniciativa contrária não é bem acolhida. Os responsáveis da área queixam-se da mentalidade dos gestores de clubes.


INVESTIMENTO
Clubes devem activar a marca

A activação de marcas no mercado angolano é o objectivo perseguido pela Refriango. A empresa vai organizar a terceira edição do All Star Game, na segunda semana do corrente mês, e muitas empresas já reservaram os espaços. O número de instituições interessadas a passarem as suas marcas aumentou, comparativamente à edição anterior, segundo Axel Juka.
Essa estratégia serve para incentivar os clubes a explorarem as diferentes ferramentas e comunicarem-se mais. O especialista aconselha as agremiações desportivas nacionais a publicitarem os seus activos para que sejam mais conhecidos e o mercado defina o valor.
A título de exemplo, disse que a estatística dos jogadores são imprescindíveis para se avaliar um activo que se destaca. O Petro de Luanda, 1º de Agosto e Interclube, três marcas nacionais com crédito firmados, devem explorar o mercado para venderem mais. O estabelecimento de metas é importante para a gestão das mesmas.
Os responsáveis dos clubes manifestaram algumas inquietações no exercício das suas funções. Dado a especificidade da área, o trabalho nem sempre é bem visto pelas entidades gestoras. O orçamento colocado à disposição do departamento de marketing é exíguo. Com pouco recursos financeiros, os planos de marketing e de comunicação não são explorados convenientemente para rentabilização da imagem do clube. A gestão da marca deve constar do orçamento anual de todas as agremiações desportivas. O investimento no marketing digital é uma obrigação de uma direcção visionária.