Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Mrquez tricampeo

17 de Outubro, 2016

Valentino Rossi e Jorge Lorenzo, por representarem ameaa

Fotografia: AFP

A Honda festejou ontem mais um título na MotoGP, com a consagração de Marc Márquez. O piloto espanhol subiu ao lugar mais alto do pódio do circuito de Motegi, sem a concorrência dos adversários directos, e conquistou o título de tricampeão mundial de forma antecipada. A correr no quintal da Honda, Marc Márquez entrou na pista com o Maneki Neko, o tradicional gato da sorte, colado ao capacete. O resultado foi fantástico. O jovem espanhol viu uma improvável combinação de resultados a acontecer, e levantou o troféu.

Márquez chegou à Ilha de Honshu com 52 pontos de vantagem precisava ampliar a diferença para 76. Para isso, tinha de contar com Valentino Rossi em 15º e Jorge Lorenzo fora do top-4. O piloto da Honda recebeu muito mais do que o esperado.Depois de uma disputa entre o trio nas voltas iniciais, Rossi caiu na sexta volta e abandonou. Lorenzo resistiu até a 19ª volta uma queda do espanhol acabou por antecipar a conquista do titular da Honda.

Informado da situação, Márquez continuou firme nas últimas voltas em Motegi, até receber a bandeira axadrezada com 2s992 de vantagem sobre Andrea Dovizioso, e além do título de 2016 conseguiu outros importantes feitos.  O pódio de ontem, foi o 50º de Márquez na MotoGP, o que faz dele o 14º piloto a atingir tal marca nos 68 anos de história da corrida. Além disso, supera Rossi como o mais jovem a fazê-lo.  Como se isso não fosse o bastante, Marc também iguala as 29 vitórias de Dani Pedrosa na classe rainha, atrás de sete pilotos que subiram ao topo do pódio da MotoGP mais vezes.

Marc Márquez voltou a gravar o seu nome na história do Mundial de Motociclismo de forma precoce, na ilha de Honshu, a maior do Japão. Aos 23 anos e 242 dias, o piloto de Cervera tornou-se o mais jovem a conquistar três títulos na classe rainha do Mundial e superou Mike Hailwood que tinha 24 anos e 108 dias, quando conquistou o terceiro título consecutivo nas 500cc em 1964 e Giacomo Agostini.

Marc Márquez também repete um feito de Valentino Rossi, ao conquistar os três títulos na divisão principal com a Honda. Apenas um piloto venceu mais vezes com a marca da asa dourada: Mick Doohan, que foi penta - campeão das 500cc sempre com a fábrica japonesa.  Mas não é só isso.Márquez igualou o número de títulos de Jorge Lorenzo, e agora, resta apenas um piloto espanhol com mais conquistas que os dois: Ángel Nieto, que soma 13 títulos: sete nas 125cc e seis nas 50cc.

Motegi testemunhou outra consagração. Maverick Viñales venceu uma disputa com Aleix Espargaró e ficou com o último degrau do pódio no seu 100º Grande Prémio do Mundial de Motociclismo.Cal Crutchlow garantiu a quinta posição, à frente de Pol Espargaró, Álvaro Bautista, Danilo Petrucci, Scott Redding e Stefan Bradl.

A restar três provas para o fim da época, Marc tem números melhores que a concorrência em todos os quesitos: soma cinco vitórias, 11 pódios e seis poles. É também o único que pontuou em todas as provas disputadas.Agora, pentacampeão do Mundial de Motociclismo, Marc Márquez iguala os feitos de Doohan, Lorenzo e Toni Mang. Após a 15ª etapa, Márquez lidera o Mundial com 273 pontos. Rossi está a 77 pontos do líder na segunda posição. Jorge Lorenzo é o terceiro, Viñales e Dani Pedrosa fecham o top-5.

MARC MÁRQUEZ
“Derrota foi a lição mais importante”


Com quatro corridas no calendário, não parecia provável que Marc Márquez transformasse o primeiro match point, que tinha ontem no Japão o tricampeonato mundial da categoria rainha do Mundial de Motociclismo. O improvável tornou-se possível e faz do jovem espanhol um dos maiores ícones da história, aos 23 anos de idade. Márquez viu a Yamaha a tropeçar em si mesmo, venceu em Motegi e vai para a recta final da época revestido de coroa de campeão de 2016. Ao cair da moto, o tricampeão da MotoGP reafirmou que não esperava ser campeão, em Motegi.

A Honda nunca venceu na pista que construiu na maior ilha japonesa. Por outro lado, era extremamente difícil afastar Valentino Rossi e Jorge Lorenzo, por  representarem ameaça. Felizmente, os dois caíram, abandonaram e estenderam o tapete vermelho para Marc Márquez.  Em declarações à imprensa, elogiou a equipa japonesa: "É incrível, uma sensação fantástica. Não esperava. Pensei que a minha equipa não tivesse uma comemoração nem nada, mas são pessoas preparadas e que confiam em mim".

Sobre a história da corrida, Márquez disse que estava " cómodo" nas dez primeiras voltas, e viu Rossi "nervoso"."Fazia coisas, que me deixavam a pensar que não estava com tudo, sob controlo. Decidi esperar e dar distância. Depois, caiu", avaliou. "Quando vi Rossi caído, pensei em apertar o ritmo até o final e tentar a vitória. Quando me disseram que Lorenzo tinha caído, cometi um erro, tinha problemas, não sabia nem mudar a marcha. Foi muito difícil concentrar-me", acrescentou.

Márquez lembrou da sua avó Soledad, morta em Maio e não esqueceu o caótico fim do ano passado, quando ficou distante da luta pelo título, por conta de excessivos erros e envolvência numa luta com o até então amigo Rossi. "Esse título é muito especial depois da época passada. Estou muito feliz pela equipa, merece. Não quero esquecer-me da minha avó, que morreu. Estaria muito feliz", lembrou.

Para Márquez, o título chegou com quatro corridas de antecedência, e "isso não é a realidade". "Foi um ano duro, trabalhamos muito, mas foi assim que aprendi. Todos sabem bem, mas especialmente pela forma como terminou o ano passado, tinha vontade de ganhar para tirar um peso do ombro", seguiu.À rede de TV inglesa BT Sport, arrematou: "Começamos o ano com muitas dificuldades, mas sempre acreditei.

SUZUKI
Viñales agradece
trabalho da equipa


As duas Suzuki lutaram durante várias voltas, pela última posição do pódio, do GP do Japão. Maverick Viñales bateu Aleix Espargaró e foi a mais um pódio, o seu terceiro em 2016, mas saiu da corrida zangado com o desempenho no treino de classificação. Viñales não está a lidar muito bem, com o facto de ter se classificado no sétimo posto. 

Viñales ressentiu-se de não se aproximar  de Andrea Dovizioso, para lutar pelo segundo lugar, isso, por conta do tempo que perdeu na luta com Espargaró. Não fosse o sétimo lugar da largada, acredita que o azar das Yamahas tinham-no posto em condições de chegar em segundo. "Com as condições, sempre vou fazer o meu melhor, mas certamente largar em sétimo não é o nosso máximo. Mas quando vi, estava na luta, e podia forçar.Queria chegar a Dovizioso, mas fiquei muito tempo preso atrás de Aleix, que resultou no terceiro lugar. É evidente que devo agradecer à equipa, pelo óptimo trabalho", disse. 

Maverick Viñales realçou que começou a corrida a tentar preservar os pneus, "que importam tanto nas últimas dez voltas, na MotoGP". Para Viñales é uma "pena pela classificação da grelha de partida". "Se tivesse largado à frente, tinhamos lutado pelo segundo posto", garantiu.Sobre o vencedor da corrida, e agora oficialmente campeão mundial de motociclismo em 2016, Marc Márquez, Viñales fez elogios mas lamentou que a queda de Valentino Rossi tenha definido o título.  "Marc fez um campeonato imenso. É uma pena a queda de Valentino, mas o Mundial de Marc foi dez", encerrou.
Viñales é o quarto classificado do Mundial de Pilotos, com 165 pontos.

DUCATI
Dovizioso está feliz com pódio


Andrea Dovizioso recebeu a bandeira quadriculada na segunda posição, pela terceira vez na época 2016, da MotoGP. Embora o piloto da Ducati se tenha valido das quedas de Valentino Rossi e Jorge Lorenzo, saiu de Motegi satisfeito com o desempenho da equipa.  O raciocínio de Dovizioso é que a Ducati, apesar de nível abaixo, acompanhou  Marc Márquez e a dupla da Yamaha, durante a corrida. Capitalizar nos abandonos alheios acabou por ser uma recompensa e não uma esmola.

"Estamos muito felizes com o pódio, pois fomos competitivos. É verdade que era difícil manter ao nível de Márquez e as Yamahas, mas era possível.Não apenas acompanhamos Rossi, mas também apertamos Lorenzo. Não estava 100 por cento, era visível. Então, caiu e veio o segundo lugar", disse. O piloto da Ducati assegurou que foram "muito consistentes", ainda que fosse "o limite" da equipa. "Isso, faz diferença. Aqui é fácil perder o controlo da moto, como aconteceu com Lorenzo e Rossi", disse.  Para Andrea Dovizioso, "fazer curvas sem precisar de fazer força é mais fácil, principalmente, para o antebraço". Com a moto a travar, estavam bem, mas com a Michelin precisaram de assumir "alguns riscos". "O piloto controla melhor a parte de trás do que a da frente, e nessa pista, isso se sente", avaliou.

Perguntado sobre o valor do segundo lugar, não teve dúvidas de qual caminho seguir. "O segundo lugar vale muito, mesmo com as quedas da Yamaha.Estávamos bem próximo, e chegamos a estar pouco tempo atrás do Márquez. Posso realmente dar um grande crédito à equipa", avaliou. No final, não deixou de rasgar elogios ao recém - coroado campeão Márquez. "Este ano, Marc foi brilhante. É um título que vale mais que os outros, porque conseguiu  grandes resultados mesmo quando a sua moto não era boa. Por isso, não posso deixar de o elogiar", encerrou.