Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Mayweather foi apanhado no exame antidoping

11 de Setembro, 2015

O americano teria sido apanhado num teste antidoping um dia antes do combate contra Manny Pacquiao em Maio do ano passado

Fotografia: AFP

Após a conferência de imprensa em que Floyd Mayweather e Andre Berto protagonizaram, antes do combate programado para amanhã, sábado, dia 12, o site SB Nation soltou uma bomba que ainda deve dar muito o que falar antes que o pugilista mais bem pago da história suba no ringue para fazer sua 49ª, e provavelmente última, luta da carreira.

De acordo com a reportagem, o americano teria sido apanhado num teste antidoping um dia antes do combate contra Manny Pacquiao, em Maio passado.

A partir daí, algumas perguntas até o momento sem respostas intrigam fãs e especialistas. Ao que tudo indica, agentes da USADA, agência antidoping independente contratada para fiscalizar os protagonistas da ‘Luta do Século’, foi de forma surpresa até à casa de Mayweather na véspera do duelo e colheu uma amostra que acusou o uso de reposição intravenosa.

A prática, também recentemente banida do UFC, é proibida pela WADA (agência mundial de controlo antidoping na qual a USADA se espelha e segue as regras) já que reposições de líquidos acima de 50 ml a cada seis horas poderiam mascarar o uso de substâncias ilegais.

Dito isso, o facto é que ‘The Money’ repôs mais líquidos do que o permitido, embora nenhuma substância ilegal tenha sido encontrada nas amostras de sangue e urina ao longo de toda a fiscalização feita pela entidade.

No entanto, a surpresa começa com o facto da Comissão Atlética de Nevada não ter sido informada da infracção (a ilegalidade teria sido apenas o uso do método e não de alguma substância em si).

Acontece que, em relatório obtido pela reportagem do site, fica claro que a USADA teria dado uma isenção ao lutador para o uso da reposição intravenosa, permissão esta que só foi emitida no dia 20 de Maio, ou seja, pouco mais de três semanas após o combate. E, para piorar a situação e deixar tudo ainda mais nebuloso, o mesmo órgão negou um pedido de isenção de Pacquiao um dia antes da luta para fazer uso de um analgésico como forma de amenizar a dor que o filipino sentia no ombro direito (factor apontado por ele mesmo como um dos motivos pelo rendimento abaixo da média apresentado no ringue).

De acordo com Bob Bennett, director executivo da Comissão Atlética de Nevada, as entidades de controlo antidopagem não possuem o poder de emitir isenção para uso de substâncias ou métodos considerados ilegais, e esta função cabe apenas ao órgão que ele lidera.

“Eu deixei claro para o Travis Tygart (CEO da USADA) que isso não poderá acontecer novamente. Temos a única autoridade para conceder todas e quaisquer isenções no estado de Nevada. A USADA é uma agência de teste de drogas e não pode dar esse tipo de concessão. Ao menos não neste estado. Estamos decepcionados pela forma com eles agiram neste caso”, afirmou em conversa com o site nos EUA.

Ou seja, é aguardar e acompanhar quais serão os desdobramentos desta história que, ao que tudo indica, ainda vai dar dor de cabeça aos envolvidos (principalmente para Floyd Mayweather) na luta que será realizada amanhã, no Hotel Cassino MGM, em Las Vegas (EUA).


Mayweather
Pai faz mistério sobre aposentadoria


Invicto no boxe profissional após 48 apresentações, Floyd Mayweather fará a sua última luta contratual amanhã, dia 12, diante do também americano Andre Berto, em duelo vendido e divulgado como a aposentadoria de "The Money".

No entanto, o seu pai e treinador não parece muito confiante de que está será a sua real despedida dos ringues.

Em conversa exclusiva com a reportagem da Ag. Fight durante os eventos que marcam a semana de despedida do lutador no Hotel Cassino MGM, em Las Vegas (EUA), Floyd Mayweather Sr. afirmou que não tem certeza de que seu filho irá pendurar as luvas após o desafio de amanhã, e que a decisão só será realmente conhecida após o resultado oficial.

“Não tenho 100 por cento certeza (se é a última luta dele). Nós não sabemos, teremos que esperar para ver. Se eu espero que ele continue a lutar ou não espero que continue? Espero que ele faça isso rápido e que não se machuque, porque não quero que ele se sente, fique parado esperando um, dois ou três anos e depois volte. Isso é que não é bom. Se quer lutar, você tem que lutar, mas não com espaço de um, dois ou três anos”, analisou o sempre sorridente treinador.

Aos 62 anos e sempre do lado do filho, a quem passou não apenas o nome como todo o conhecimento do boxe e o sistema de esquiva e defesa desenvolvidos na década de 80, quando ainda era uma profissional, Floyd pai tentou destrinçar as habilidade do 49º rival da carreira de Mayweather, mas não demonstrou tanta confiança de que ele possa fazer o que os outros 48 não conseguiram.

“Não tem diferença. Berto está para lutar e não tem diferença entre ele e nenhum outro lutador. Mas ele não tem defesa. […] Meu filho pode bater qualquer um. Floyd escolheu uma luta como essa e nós escolhemos… O Berto é grande e forte, mas talvez o meu filho possa nocauteá-lo. Ou não. Pode levar a qualquer lugar, mas é possível que meu filho o nocauteie”, afirmou, deixando clara a expectativa do fim do jejum do campeão.

Dentre as 48 vitórias da sua carreira, ‘Money’ nocauteou 26 rivais, feito que não acontece desde que se encontrou com Victor Ortiz, em Setembro de 2011, e encerrou a disputa no quarto assalto após polémicos golpes desferidos num desprevenido adversário, que ainda conversava com o árbitro. De lá para cá, foram seis triunfos, sempre por decisão dos juízes.