Jornal dos Desportos

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Modalidades

McLaren assume dificuldades

28 de Agosto, 2015

Equipa britânica trabalha com força para melhorar a performance do motor e a confiabilidade do carro

Fotografia: AFP

A McLaren sabe que precisaria de um milagre para vencer uma das oito corridas restantes do Mundial 2015 de Fórmula 1.

O espanhol Fernando Alonso admite que o objectivo nesta recta final de temporada é preparar o carro para 2016, enquanto o britânico Jenson Button reviu a sua meta de conquistar ao menos uma prova neste ano, deixando claro que até mesmo um pódio é improvável.

A equipa britânica trabalha duro para melhorar a performance do motor e a confiabilidade do carro, mas actualmente ocupa a modesta nona posição do Mundial de Construtores, à frente apenas da Manor, com 17 pontos.

Na Hungria, Alonso conseguiu um inesperado quinto lugar graças a uma corrida repleta de acidentes e quebras, dando esperanças de um regresso triunfal da McLaren após as férias de Verão.  No entanto, o GP da Bélgica, com o veloz circuito de Spa-Francorchamps, mostrou a realidade, tendo o espanhol e o britânico terminando na 13ª e 14ª posições.

“Eu acho que o objectivo de ambos os carros é somar pontos. Um pódio? É improvável”, consciencializou-se Button.

“Para nós, você tem que pensar que a nossa melhor corrida será Singapura, que é um circuito de baixa velocidade, com cantos de velocidade reduzida em que nós somos muito fortes. Então, essa é, provavelmente, a prova em que vamos somar o maior número de pontos na minha opinião”, acrescentou. Fernando Alonso ecoou os pensamentos do seu companheiro de equipa e afirmou que o restante da actual temporada será importante para ajustar o bólido da McLaren para o Mundial do ano que vem. “Nas corridas restantes, precisamos marcar e maximizar todas as oportunidades. Mas se não conseguirmos, nós não precisamos ficar frustrados.

Apesar dos resultados, bons ou ruins, temos de nos concentrar especialmente no carro do próximo ano e usar as corridas que restam como um teste”, avisou o asturiano. O próximo teste da McLaren será no GP da Itália, dia 6 de Setembro, no circuito de Monza, onde Alonso não espera grandes evoluções.

“Monza provavelmente não vai mostrar o progresso que vimos na Hungria, quando estávamos mais ou menos no top 10. Mas espero que possamos ver algo semelhante em Singapura e nas seguintes corridas. As coisas serão diferentes para o próximo ano”, encerrou o espanhol.


REACÇÃO
Cabines com protecção
podem ser  implantadas


Com a morte do piloto Justin Wilson, da Fórmula Indy, projectos para melhorias na segurança dos pilotos de diversas modalidades ressurgiram como tópico de discussão. Para o director-técnico da FIA, Charlie Whiting, cabines de pilotagem com protecção serão introduzidas um dia obrigatoriamente em corridas.

Desde os acidentes de 2009, envolvendo o brasileiro Felipe Massa, no GP da Hungria, e a morte do inglês Henry Surtees, numa corrida da Fórmula 2, a FIA declarou que busca maneiras de proteger a parte superior do corpo. Em ambos, o acidente se deu devido a peças que se soltaram e atingiram a cabeça dos pilotos. No caso de Massa, uma das molas do carro de Rubens Barrichello. Já com Surtees, à época com apenas 18 anos, o problema foi uma roda.

“Estamos a trabalhar nisso há alguns anos e chegámos a uma série de soluções para testar, algumas com mais sucesso do que outras. Pensamos numa cabine de pilotagem como de um caça, mas as desvantagens acabaram superando as vantagens”, explicou Charlie Whiting.

Uma das sugestões dadas pela Mercedes é de um equipamento que não tira a visibilidade do motorista, que ainda consegue ir para fora com facilidade. "Nós também estamos estudando outro dispositivo, formado por lâminas de diferentes alturas que serão colocados em cima do chassi e na frente do piloto em ângulos que ficarão praticamente invisíveis para ele", completou.

Mesmo que a FIA volte atrás nas ideias apresentadas para a segurança dos pilotos nas competições, Whiting foi enfático ao dizer que a federação não vai deixar de trabalhar nelas. “Colocámos uma grande quantidade de tempo, de esforço e de pesquisa neste projecto, o que não tem sido fácil. Na verdade, este projecto está a ser muito difícil", acrescentou o director.

"Nós temos que perseverar. Temos de fazer alguma coisa, mesmo que não seja 100% segura em termos de protecção dos pilotos em todas as circunstâncias. Entretanto, se melhorarmos a situação, será bom. Tem que haver uma maneira”, finalizou.