Jornal dos Desportos

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McLaren desconfia da Honda

03 de Setembro, 2015

McLaren respeita a Honda mas quer exclusividade no tratamento de prioridade

Fotografia: AFP

A Fórmula 1 está mergulhada em agitações. O ambiente é impróprio para as empresas e patrocinadores. O mercado está a viciar-se em fomento de desconfianças, que podem descambar na rotura de contratos. Entre as grandes equipas, a McLaren é a que mais se mostra cansada com a Honda, a nova parceira na categoria.Em meio aos rumores surgidos nessa época, a Toro Rosso aparece como uma equipa que pode contar com os motores da Honda num futuro próximo. O negócio da empresa japonesa não goza de bons olhos junto da McLaren, que deixou transparecer o desejo de ser a prioridade do fornecimento de motores.

Entre 1988 e 1991, a Honda brilhou com a McLaren. Nesse mesmo período e antes, a Honda forneceu os seus motores para as outras equipas. A Lotus fez história com motores Honda, no tempo dos lendários Satoru Nakajima e Nelson Piquet.A situação pode repetir-se num futuro próximo. A Honda pode fornecer as suas unidades de força para outras equipas além da McLaren. A equipa de Woking, por meio do seu director de corridas, Éric Boullier, fez algumas ressalvas a respeito.

Desde que firmou o compromisso de regressar à F1, a Honda trabalha lado a lado com a McLaren, de modo que a equipa britânica seja a grande parceira dos japoneses na nova empreitada. Assim, Boullier entende que uma nova parceria entre a Honda e outra equipa da F1, tal qual Ferrari e Haas, vão empreender em 2016. O sucesso do negócio vai ser plausível se não tirar da McLaren o foco de equipa principal da fábrica de Sakura.

“Não tenho a certeza de que gostaríamos de pagar o preço de ter uma distracção com a Honda ao dar algum foco para isso. Temos de equilibrar as coisas. Vamos ver com o tempo. Estamos a pensar, a falar e trocar ideias”, afirmou o engenheiro francês em entrevista ao site da revista britânica ‘Autosport’.Éric Boullier também falou sobre o futuro dos seus pilotos. Actualmente, a McLaren conta com a dupla mais experiente da grelha da F1: os campeões mundiais Fernando Alonso e Jenson Button. Por outro lado, a equipa conta nos seus quadros com dois jovens ávidos por uma oportunidae: Kevin Magnussen e Stoffel Vandoorne.

O primeiro foi titular no ano passado e que perdeu o lugar a favor de Fernando Alonso em 2015. O segundo foi o grande destaque da época da GP2 neste ano.“É um belo problema para ter, mas é um assunto delicado. Vamos fazer o melhor para eles”, falou Érick Boullier ao ser questionado sobre o futuro de Magnussen e Vandoorne na equipa britânica.Na visão do director da McLaren, é muito importante contar com dois pilotos experientes nesse momento de reconstrução da equipa.

“Ambos têm credibilidade e é muito importante. Quando cada um deles diz algo, todo o mundo ouve e confia neles até ao ponto de ajudar a corrigir. É um grande desafio”, disse.Éric Boulier assegurou que, quando se tem dois pilotos, a equipa tenta ensinar-lhes do que ouvir o que têm a dizer.
" Numa situação como a nossa, é bom que a Honda e a McLaren escutem os seus pilotos. Com base no passado, a dupla pode orientar para onde precisamos ir", disse.

Éric Boulier foi enfático ao confirmar a presença de Fernando Alonso no próximo ano, mas não adoptou a mesma posição quanto a Jenson Button. O Engenheiro francês desconversou: "Hoje, estamos felizes com os nossos pilotos. Não posso comentar mais do que isso e não quero criar expectativas falsas ou equivocadas".

ÍDOLO
Lewis Hamilton persegue Ayrton Senna

Lewis Hamilton estsá confortável na Mercedes. O piloto inglês está crente que pode ser uma lenda na F1, tal qual é Ayrton Senna, sem precisar correr pela Ferrari, como fez Michael Schumacher.
“Só estou concentrado em fazer o que Ayrton fez”, disse.
Lewis Hamilton pode quebrar o recorde de vitórias do ex-piloto brasileiro e igualá-lo em número de títulos mundiais. O líder do campeonato jamais escondeu a sua admiração por Ayrton Senna. Mesmo no começo da carreira na F1, o britânico, hoje com 30 anos, usou a pintura do seu capacete inspirado naquela que foi eternizada pelo brasileiro. As carreiras de ambos guardam algumas semelhanças: Lewis e Senna foram campeões pela McLaren.
Hoje, na Mercedes, Lewis Hamilton está muito próximo de igualar duas marcas do ídolo: se confirmar o favoritismo, chega ao tricampeonato em breve e, de quebra, pode alcançar — e até superar — o número de 41 vitórias alcançadas por Ayrton Senna. O britânico soma 39 triunfos na F1. O facto de se espelhar no seu ídolo na F1 faz com que Lewis tenha outros objectivos relativamente distintos de boa parte da grelha. A Ferrari, por exemplo, não é um sonho alimentado pelo actual bicampeão, que entende que pode virar uma lenda do desporto sem ter passado por Maranello, como fez Michael Schumacher, que conquistou cinco dos seus sete títulos a defender a lendária equipa italiana.
“Falo sobre a Ferrari de vez em quando, só porque gosto dos seus modelos que não são de competição. Na F1, falei um pouco com Stefano Domenicali (ex-chefe da equipa), mas nunca foi nada sério”, afirmou Lewis em entrevista ao diário norte-americano ‘The Wall Street Journal’.
Lewis acrescentou: “Sinto-me à vontade na Mercedes. Todos sabem que admiro Ayrton Senna, e que se tornou lenda sem conduzir uma Ferrari”.
Hamilton revelou que as pessoas lhe perguntam se quer fazer o mesmo que Michael Schumacher fez. Em resposta, o britânico assegura que está focado em fazer apenas o que Ayrton Senna fez. "Sempre foi assim", disse.
Caso comprove o favoritismo e vença as próximas duas corridas do calendário, os GPs de Itália e Singapura, Hamilton vai chegar às mesmas 41 vitórias de Senna, curiosamente, com o mesmo número de GPs disputados: 161.

ÉPOCA 2016
GP da Itália
está em risco

O contrato do circuito de Monza com a F1 termina ao fim de 2015. O futuro é incerto. Bernie Ecclestone não mostra muitos sinais de avanço e diz que os organizadores não querem pagar a quantia que a F1 augura receber. O patrão comercial atira as expectativas para baixo. Com o cancelamento do GP da Alemanha, passou-se a acreditar que grandes praças podem ficar realmente de fora do calendário. Mas o chefe do automobilismo italiano ainda tem esperança.
Para Angelo Sticchi Damiani, presidente do Automóvel Clube da Itália, ainda tem motivos para acreditar na manutenção de Monza no calendário. O lendário circuito recebe a F1 desde a época inicial, em 1950, e ficou de fora apenas em 1980.
"Monza deve passar pela situação que conhecemos bem. Com um pouco de optimismo, as oportunidades vão aparecer. O mais importante é trabalharmos juntos. Sabemos que há interesse de todos os níveis de governo italiano - desde o nacional ao da Lombardia, que já demonstrou em termos práticos", disse.
Damiani disse que não vão esquecer as cidades de Milão e de Monza, mas doravante "as boas intenções devem ser traduzidas em acções concretas".
Há algumas semanas, Bernie Ecclestone havia declarado algo pessimista. "Não sei sobre Monza no momento. Tive encontros desde Setembro. Vamos ver. Espero que não percamos, mas creio que há uma boa oportunidade que aconteça".
O discurso de Damiani, a conclamar os poderes máximos das regiões e do país, mostram um novo caminho. Além da oferta de ajuda do governo da Lombardia, região que abriga Monza, em termos da revitalização da infra-estrutura do autódromo, agora Matteo Renzi, o Primeiro Ministro da Itália, deve estar em Monza para a corrida do final de semana e participar das discussões entre as partes.

PIRELLI
Detritos furam pneus de Vettel

A Pirelli vai divulgar em Monza os resultados de investigação sobre o estouro de pneus de Sebastian Vettel e de Nico Rosberg, no GP Bélgica. A informação é do jornal inglês 'The Telegraph'.
O periódico informa que os detritos na pista de Spa-Francorchamps causaram o estouro do pneu de Sebastian Vettel no final do GP da Bélgica. Vettel ampliou à enésima potência as queixas feitas por Nico Rosberg, que também se viu diante de um pneu estourado — o mesmo traseiro direito —em Spa-Francorchamps.
Nos treinos livres de sexta-feira, o alemão da Mercedes contornava a Blanchimont a 306 km/h quando teve de controlar bem o carro para não bater. No domingo, Vettel era comodamente o terceiro numa táctica de uma paragem, quando se viu sem borracha na recta Kemmel.
"Se tivesse estourado na Eau Rouge, estaria mal", bradou Vettel aos microfones, indignado, a pedir clamorosamente que a Pirelli revisse os seus produtos. À fabricante restou apoiar a sua defesa num exagero do uso do pneu, já que havia indicado um esquema de pelo menos duas paragens durante a prova. A Pirelli contradisse-se, quando, por meio de um infográfico, indicou que os pneus poderiam durar até 40 voltas. O de Vettel estava em cerca de 30 de vida.
No arranque de uma investigação interna, a Associação dos Pilotos pediu também calma para evitar as críticas feitas de forma pública. A Vettel, o conselho não resolveu. Uma declaração no seu site oficial foi colocada a dizer que a Ferrari "não tinha de ser culpada" pelo caso.
O que antecipou o 'Telegraph' é que a Pirelli vai alegar o que Vettel e Rosberg trataram como desculpa previsível: pedaços de detritos na pista, no caso largados em alguma das curvas do tradicional circuito belga.