Jornal dos Desportos

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Mercedes domina Ferrari

09 de Maio, 2015

Mercedes domina Ferrari

Fotografia: AFP

Entra corrida e sai corrida, a história é quase sempre a mesma: a Mercedes domina e segue em frente. Nem o intervalo de três semanas foi suficiente para que a Ferrari pudesse emparelhar com a equipa de Brackley e tornar a disputa na F1 mais emocionante. Na primeira sessão de treinos livres para o Grande Prémio de Espanha, a quinta etapa da época'2015 do Mundial, os indicativos são de um novo domínio prateado no campeonato.

Ontem, a Mercedes colocou os seus dois pilotos na liderança do primeiro treino livre em Barcelona, garantiu uma vantagem de quase 0s978 para a Ferrari de Sebastian Vettel, que terminou em terceiro. No duelo interno da equipa campeã mundial, melhor para Nico Rosberg, que anotou 1min26s828 e ficou 0s070 à frente de Lewis Hamilton.Barcelona é uma pista muito técnica e talvez a mais conhecida por pilotos e equipas devido à frequência usada para testes de pré-época, serve de um termómetro para a sequência da época.

Em cumprimento da linha prevista por Felipe Massa, não houve de facto, uma mudança brusca na hierarquia das equipas de ponta, com a Ferrari a mostrar-se como a segunda força da grelha. Vettel garantiu o terceiro lugar, enquanto Kimi Raikkonen finalizou em quarto posto em Barcelona. Destaque para o óptimo desempenho do estreante Carlos Sainz Jr. A correr em casa pela primeira vez de F1, o jovem de 20 anos posicionou a Toro Rosso em quinto lugar, seguido pelo seu companheiro de equipa, Max Verstappen.

Daniil Kvyat ficou a enormes 1s957 da marca de Nico Rosberg, mas fez o suficiente para colocar a Red Bull em sétimo. O russo não enfrentou os problemas de Daniel Ricciardo, que só marcou volta rápida no fim do treino por conta de problemas no acelerador e também no motor Renault. O australiano perdeu quase 90 minutos nos boxes da equipa taurina em Barcelona. Felipe Massa terminou a primeira sessão do dia com o oitavo melhor tempo, à frente de Ricciardo, que ainda fez um bom nono tempo, e do compatriota Felipe Nasr, décimo com a Sauber.

A McLaren fez furor pela nova pintura, mas os resultados de pista permanecem discretos, bem discretos. Diante da claque, o bicampeão Fernando Alonso ficou apenas em 15º, 2s985 atrás de Rosberg. Jenson Button veio logo na sequência e finalizou em 16º. A McLaren ficou à frente dos carros de Sergio Pérez, Pastor Maldonado, Will Stevens e Roberto Merhi. Não foi um bom começo de fim de semana para a lendária equipa britânica em Montmeló,

TREINO LIVRE

A primeira sessão de treinos, da quinta etapa do Mundial de F1 em 2015, começou com algumas novidades no rol de pilotos. Três suplentes, assumiram os carros dos titulares, no início das actividades de pista no circuito catalão: Jolyon Palmer na Lotus em substituição de Romain Grosjean, Susie Wolff, que guiou a Williams-Mercedes FW37 no lugar de Valtteri Bottas, e Raffaele Marciello, que assumiu a Sauber-Ferrari C34 de Marcus Ericsson. Os suplentes e os outros titulares foram à pista diante dos olhos da claque espanhola para a abertura do fim de semana na execução das primeiras voltas de instalação e verificação dos respectivos carros antes do regresso às boxes.

A Mercedes foi a primeira a colocar os  carros na pista para a execução de um primeiro stint de voltas rápidas. Os tempos ainda foram muito acima de uma marca verdadeiramente competitiva. Apenas para avaliar as condições dos W06 Hybrid, Nico Rosberg anotou 1min31s039, enquanto Hamilton cravou 1min31s205. Mas ainda restavam 80 minutos para o fim da sessão em Barcelona. Na sequência, todos os outros pilotos, gradualmente, foram à pista no circuito catalão.

Há pouco mais de 40 anos, Lella Lombardi tornou-se a única mulher a pontuar na F1, exactamente, no Grande Prémio de Espanha, na trágica corrida realizada em Montjuïc, em 1975. Sem condições de um dia ascender ao posto de titular da Williams, Susie Wolff completava uma sequência de voltas rápidas buscava o melhor acerto para o carro de Bottas, que acompanhava tudo das boxes da equipa de Grove.

A sessão começou a ficar mais intensa com a presença de boa parte da grelha na pista. E, por consequência, os tempos caíram com muita facilidade ao passo em que as condições do asfalto melhoravam. Na hierarquia de forças, a Mercedes continuava a liderar a sessão, com Nico Rosberg à frente com 1min28s384 como melhor tempo. Mas apareceu Vettel para mostrar toda a força da Ferrari. O alemão registou 1min28s141 e assumiu a liderança com 22 minutos de treino. Ainda sobre a Ferrari, o carismático chefe de equipa Maurizio Arrivabene foi focado pelas câmaras de transmissão da F1 vestiu uma tarja vermelha com o 27 em memória ao lendário Gilles Villeneuve, que morreu há exactos 33 anos após o trágico acidente na Bélgica.

DESAFIO
Hamilton é o pior inimigo de si próprio


O bicampeão de Fórmula 1 e líder do Mundial 2015, Lewis Hamilton, vê-se como o “pior inimigo” na luta pelo título deste ano, despreza na disputa o seu companheiro de Mercedes, Nico Rosberg, e o também alemão Sebastian Vettel, da Ferrari. O britânico avisou que a única “guerra psicológica” existente no campeonato acontece dentro de si próprio e não através dos seus rivais.“Todo o mundo está a falar sobre o factor psicológico, mas a única guerra psicológica que existe está dentro de mim próprio”, disse Hamilton, em conferência de imprensa realizada, em Barcelona.

Lewis Hamilton está na época europeia da F1, com 27 pontos de vantagem em relação ao segundo colocado Nico Rosberg, que está a uma unidade à frente de Vettel.“O seu pior inimigo pode ser você mesmo, então está a lutar contra um inimigo invisível”, disse o piloto de 30 anos, que venceu três das quatro corridas deste ano.Questionado sobre a pressão por dominar a principal categoria do automobilismo mundial, Hamilton não vacilou e disse que não se sente incomodado.

“Geralmente, não fico perturbado por isso (pressão). Se alguém anda mais rápido que eu, vou descobrir como posso ser melhor. Em relação sobre onde estou, sinto-me muito forte na compreensão do carro, o que preciso para começar a partir dos pneus, a minha estratégia de corrida está lá, o ritmo de corrida é bom e cresci um pouco na qualificação”, analisou o dono de quatro pole positions consecutivas.Grande Prémio de Espanha acontece amanhã, às 13h00 no Circuito da Catalunha, em Barcelona.

EMPOLGADO
Nico Rosberg está confiante no GP de Espanha


O piloto Nico Rosberg mostrou-se confiante para o Grande Prémio de Espanha, deste fim de semana, ao afirmar que a Mercedes sempre teve “boas actuações” no Circuito de Barcelona. O alemão, que foi vice-campeão mundial de Fórmula 1 na época passada, espera “optimizar ao máximo” o seu carro para tentar encostar ao companheiro da equipa, Lewis Hamilton, líder isolado do campeonato, com 93 pontos.

“Em Barcelona sempre é especial. Com a “Mercedes, sempre tivemos boas actuações. Esperamos voltar a fazer o mesmo neste fim de semana”, explicou.Segundo classificado da competição, 27 pontos atrás de Hamilton, Nico Rosberg não acredita que a dinâmica do campeonato vai mudar muito, apesar da melhoria que quase todas as equipas realizaram para enfrentar o primeiro Grande Prémio europeu.“Esperamos continuar no mesmo nível das últimas corridas. Aqui, todas as equipas trazem melhorias, mas acredito que tudo vai continuar mais ou menos igual”, concluiu.

Sebastian Vettel
destaca evolução

Com a expectativa de poder lutar de igual para igual com a Mercedes, por vitórias, o alemão Sebastian Vettel destacou a evolução da Ferrari nas três semanas, sem corridas na Fórmula 1, mas admitiu que a evolução não é garantia de grandes resultados, porque as concorrentes também passaram por mudanças antes do Grande Prémio de Espanha.

“Tudo depende do que as outras equipas tenham feito, porque podemos dar um salto, mas talvez outros podem ter dado um ainda maior e isso seria uma má notícia. O que buscamos é dar um salto de qualidade com as melhorias de amanhã”, disse o tetracampeão mundial. Sebastian Vettel disse que a equipa precisa de  ser mais rápida, hoje, no dia das classificativas.

Vettel é terceiro classificado do Mundial, com 65 pontos, atrás dos dois pilotos da Mercedes, o compatriota Nico Rosberg (66 pontos) e o britânico Lewis Hamilton (93). O vencedor dos Mundiais de 2010 a 2013 lembrou os bons resultados obtidos pela Ferrari nos testes de pré-época em Montmeló, sede da corrida de amanhã, mas ressaltou que agora as temperaturas estão mais quentes.“Tivemos boas actuações aqui nos testes de pré-época e ficamos muito contentes, mas as condições agora são totalmente diferentes. De toda a  forma, o que fizermos em Barcelona vai ser um bom indicativo do que nos espera a partir das próximas corridas”, considerou.

PARA 2016
Bottas nega acerto com a Ferrari


Na vésperas do Grande Prémio de Espanha, o finlandês Valtteri Bottas rejeitou as especulações de que vai trocar a Williams pela Ferrari, embora tenha ressaltado que permanece sem ter definido qual vai ser a  equipa na próxima época da Fórmula 1. O finlandês, de 25 anos, é considerado um dos pilotos mais consistentes da categoria. Terminou o campeonato de 2014 em quarto lugar, com quatro pódios, e está na sexta posição nesta época, depois de quatro corridas.

O seu contrato com a Williams termina neste ano. Especulações em torno da dupla da Ferrari para o próximo campeonato levaram ao surgimento de rumores de que Bottas assinou um pré-contrato com a equipa italiana, que ainda precisa confirmar se Kimi Raikkonen vai ficar em 2016. O seu outro piloto é Sebastian Vettel. “Ouvi muitas histórias. Às vezes, é muito engraçado ouvir. De momento, estou focado nesta época e o resto não sei ainda”, disse Bottas.

Pode haver muito interesse na contratação de Bottas se não ficar na Williams, que ficou para trás da Ferrari neste início de época, depois de ser a principal adversária da Mercedes, na recta final do campeonato de 2014. Bottas não largou no Grande Prémio da Austrália, na abertura da época, terminou em quinto na Malásia, em sexto lugar na China e na quarta posição no Bahrein. Está um ponto atrás do brasileiro Felipe Massa, o seu companheiro de equipa.

A situação de Bottas na Williams continua indefinida. “Não tenho nada para o próximo ano. Os meus empresários estão a falar com eles e talvez existam algumas coisas que não me disseram. Tenho a certeza de que têm algum tipo de plano para a minha carreira, nos próximos anos. É bom saber mais cedo o que estou a fazer, mas para o momento, é um pouco cedo demais”.