Jornal dos Desportos

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Mercedes ameaça rivais

27 de Fevereiro, 2016

Lewis Hamilton e Nico Rosberg dividiram as tarefas nos testes realizados em Barcelona

Fotografia: AFP

A primeira semana de testes colectivos da F1 em 2016 ficou marcada com a surpresa e domínio da Ferrari, apesar do enorme salto de qualidade apresentado pelos italianos na época passada. A nova SF16-H é um grande passo à frente e a equipa italiana vai ser uma pedra no sapato da Mercedes no campeonato que começa a 20 de Março.

A bicampeã Mercedes não se mostrou muito preocupada em tempos de volta nesta primeira semana de testes em Barcelona. Os actuais campeões também evoluíram e muito, especialmente, no que diz respeito à confiabilidade. Ao contrário da rival vermelha, a esquadra prateada não enfrentou qualquer problema nos quatro dias de actividades, esbanjou consistência e com uma exibição no desempenho de dar medo. Os alemães vão novamente ditar o ritmo.

A equipa alemã concentrou o trabalho em ampliar a confiabilidade do novo W07, que parece ter nascido muito bem e muito semelhante ao seu antecessor. Essa foi a impressão do tricampeão.

A verdade é que o desempenho dos prateados assustou a concorrência. E não é para menos. Nico Rosberg e Lewis Hamilton rodaram juntos 3.142 quilómetros em mais de 670 voltas, sendo o mais impressionante: a equipa não enfrentou problemas de nenhuma ordem durante os quatro dias de testes. Andou como quis, mas, assim como aconteceu no ano passado, a equipa não foi à pista com os pneus mais macios da Pirelli.

Lewis Hamilton foi quem primeiro andou com o novo modelo da Mercedes. Fez o segundo tempo no primeiro dia, quase meio segundo atrás de Vettel, mas completou sem grande esforço 156 voltas. No dia seguinte, foi a vez de Nico Rosberg, que fez ainda mais e completou nada menos que 172 passagens pelo traçado espanhol. Depois disso, a equipa alemã decidiu mudar a programação e colocou Nico e Lewis para dividir o W07, manhã e tarde, nas duas sessões finais. No último dia, a equipa campeã do mundo ainda testou um novo bico, dotado de um duto frontal em S, além de um novo aerofólio.

Na lista geral, Nico Rosberg ficou com o oitavo posto, enquanto Hamilton terminou apenas em décimo sexto.

Os italianos colocaram Sebastian Vettel para abrir a sessão de treinos, num dia também marcado pelos lançamentos do RB12 da Red Bull, o VJM09 da Force India, o STR11 sem pintura oficial da Toro Rosso e o MRT05 da Manor.

O primeiro dia serviu para mostrar o quão bem se preparou para a época 2016. O tetracampeão deu prioridade à análise aerodinâmica ao andar por muitas voltas com os esquisitos sensores instalados no carro número 5. O ganho de quilometragem também foi algo que chamou a atenção no trabalho da Ferrari.

Ao todo, Sebastian percorreu 69 voltas e a melhor percorreu em 1min24s939, com os pneus médios, identificados pela risca branca. Vettel andou bem mais na sequência, quando se deixou experimentar os novos compostos ultra-macios da Pirelli. O produto é a principal novidade da fornecedora italiana para esse ano e foi utilizado pelas equipas pela primeira vez na segunda sessão.

Durante a avaliação dos pneus mais macios da fornecedora de Milão, além da dedicação à análise das novas peças, com os pneus de marca roxa, o alemão voou na pista catalã. No fim da manhã, Vettel ainda ensaiou uma disputa com Daniel Ricciardo, que também testava com os pneus ultra-macios. O alemão levou a melhor ao registar o tempo mais rápido dos quatro dias de actividades: 1min22s810.


LEWIS HAMILTON
“Nunca vi algo assim na minha carreira”


A Mercedes assustou durante a primeira sessão de testes colectivos da F1 em Barcelona e isso não aconteceu só com as rivais. Lewis Hamilton também se mostrou impressionado com a força mostrada pela sua equipa e a alta resistência do novo W07. Ao todo, a esquadra prateada andou por 3.142 quilómetros, pouco mais de 1.000 quilómetros a mais que a Toro Rosso, a segunda colocada neste quesito. O carro não apresentou problemas mecânicos em nenhum dos quatro dias.

O facto de também não ter se preocupado com tempos de voltas ou testes com os pneus mais macios da Pirelli ainda comprovam que o foco da equipa alemã estava na confiabilidade.

"A chave está na quilometragem e foi isso que tentamos fazer, dar ao carro o maior tempo possível de pista", disse o tricampeão aos jornalistas em Barcelona, depois do dia final de actividades.

Lewis Hamilton foi o piloto que mais andou nesta sessão inicial de treinos. Durante três dias ao volante do novo modelo, o britânico percorreu 343 voltas e completou 1.596 quilómetros. A segunda melhor marca pertence ao outro piloto da Mercedes, Nico Rosberg.

"Foi incrível. Nunca vi nada assim na minha carreira. O carro é muito forte e apenas vai melhorar a cada saída. Depois de dois títulos consecutivos seria fácil perder o foco, mas é claro que todos estão mais focados do que nunca e fizeram um trabalho ainda melhor", acrescentou o inglês.

Lewis Hamilton ressaltou que "foi uma semana de muito trabalho para toda a equipa ao andar 150, 190 voltas por dia".

"Diria que foi o melhor teste que já tivemos. O melhor que já vi, pelo menos", encerrou.

Lewis Hamilton regressa ao cockpit da Mercedes na próxima semana, quando a F1 retomar os treinos da pré-época para o Campeonato Mundial 2016, que começa no dia 20 de Março, em Melbourne, na Austrália.

Se o tricampeão está emocionado pela evolução do W07, o tetracampeão está muito mais com o seu SF16-H. Sebastian Vettel era um piloto feliz no final da primeira série de testes colectivos. Depois dos treinos, fez uma avaliação positiva da performance inicial da Ferrari e entende que o carro tem grande potencial e a equipa vai ter a oportunidade de lutar mais de perto com a rival Mercedes, apesar de registar problemas mecânicos ligados ao radiador.


KIMI RAIKKONEN
Ferrari desvaloriza campeões


Depois de liderar o quarto e último dia da primeira série de testes da pré-época da Fórmula 1, Kimi Raikkonen desdenhou da alta quilometragem obtida pela rival Mercedes no Circuito da Catalunha. Os actuais campeões mundiais somaram 675 voltas no total, 332 a mais do que a Ferrari.

Questionado sobre a diferença, o piloto finlandês respondeu com outra pergunta: "Por que deveria preocupar-me?".

Depois de curta reflexão, Kimi Raikkonen comentou: "Fazemos as nossas coisas. Obviamente, gostaríamos de ter feito mais voltas, porque perdi tempo no segundo dia, mas isso faz parte do teste".

No dia mencionado por Raikkonen, a Ferrari ficou parada nos boxes em todo o período da manhã com um problema no fluxo de combustível.
"Estamos a tratar de todos os pontos para as corridas. Se há alguns problemas ou coisas para experimentar, aqui é o lugar para se fazer isso", justificou.

Por outro lado, o finlandês também afirmou que o facto da Ferrari ter liderado três dos quatro dias de teste, os dois primeiros, com o seu companheiro Sebastian Vettel, não quer dizer que o carro vai ser rápido o bastante para superar a Mercedes, que vem de um bicampeonato mundial.

"Não sei se o carro vai ser bom o bastante. A sensação é boa e obviamente temos muitas outras coisas para testar e acertar. É definitivamente um passo adiante em relação ao que tínhamos ano passado, mas vai ser bom o bastante? Veremos no final deste ano", disse.

Nos dois primeiros dias de testes, as principais equipas conseguiram superar a marca de 100 voltas. Sebastian Vettel completou 126 voltas e não enfrentou qualquer contratempo. A mesma sorte não teve Kimi Raikkonen. O finlandês enfrentou duas falhas no sistema de combustível e no radiador.

Ao todo, a Ferrari andou por mais de 350 voltas ou 1.643 quilómetros  e ocupou apenas a sexta posição na tabela de distância percorrida entre as equipas. Ainda assim, Raikkonen fechou a semana com a terceira melhor marca dos quatro dias, 0s6 pior que a de Sebastian Vettel.

 2015, a Ferrari foi a principal rival da Mercedes mas, ainda assim, venceu apenas três corridas, contra 16 dos alemães.


CAÇULA DA F-1
Haas surpreende
no primeiro teste


Os primeiros resultados da equipa caçula da Fórmula 1, a Haas, ligaram o sinal de alerta nas rivais nos testes de pré-época realizados nesta semana em Barcelona, na Espanha. A equipa norte-americana fechou um dos dias de actividade no Circuito da Catalunha na segunda posição e conseguiu acumular excelente quilometragem, mesmo se tratando de um projecto completamente novo.

A equipa de Romain Grosjean e Esteban Gutierrez completou mais de 1300 quilómetros nos testes, mais do que McLaren e Manor. O mexicano fechou os quatro dias de actividade com o 12º melhor tempo entre os 23 pilotos participantes e o seu companheiro foi o 15º mais rápido. Com isso, a equipa conseguiu marcas melhores até que pilotos da Williams, Sauber, McLaren e Toro Rosso.

Dentre as equipas, Toro Rosso e Sauber são os que demonstram mais preocupação com os novatos, pois são as que usam os motores Ferrari. A chefe da Sauber, Monisha Kaltenborn, já avisou antes mesmo da pré-época que espera rivalizar com a Haas. Franz Tost, comandante da Toro Rosso, mostrou-se preocupado com os primeiros resultados da equipa norte-americana.

"As nossas concorrentes são Force India, McLaren, Sauber e também Haas, especialmente no início da época", disse o austríaco, que comanda a equipa de Max Verstappen e Carlos Sainz e, diferentemente de Haas e Sauber, que vai contar com uma unidade de potência desactualizada.

Tost avaliou que tem um motor de segunda mão para a primeira metade da época e não espera uma diferença tão grande no primeiro semestre.

"A segunda metade da época é outra história. O novo motor vai ser desenvolvido pela Ferrari e não sei se vai trazer muita vantagem", disse.

A esperança do dirigente é que a Toro Rosso consiga neutralizar a ameaça da Haas com o seu projecto aerodinâmico superior.

"Os dados aerodinâmicos mostram que demos um passo adiante; cabe a nós manter a curva de desenvolvimento alta. Isso se vai tornar uma questão de quantos recursos vamos ter ao longo da época e quantos recursos os nossos concorrentes directos vão ter", disse.

O novo projecto da Haas não tem precedentes na Fórmula 1 devido à proximidade da equipa com a Ferrari. Até mesmo o carro foi desenvolvido no túnel de vento da Scuderia, o que causou polémica no final do ano passado.