Jornal dos Desportos

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Mercedes com bom incio de poca

Altino Vieira Dias - 06 de Maio, 2019

Equipa no conseguiu dominar os testes de pr-poca

Fotografia: DR

A Mercedes está em alta no campeonato de 2019. Um arranque de prova, jamais visto na história de Fórmula 1. Quatro dobradinhas nos primeiros quatro Grandes Prémios é algo incrível, para uma equipa que não conseguiu dominar os testes de pré-época.
As Flechas de Prata (Mercedes) superaram o recorde da Williams Renault de 1992, em que venceram as três primeiras corridas, com dobradinhas de Nigel Mansell e de Ricardo Patrese. As Flechas de Prata estão a “golpear” de todas as maneiras e feitios, as equipas do Cavalinho Rampante (Ferrari) e dos Touros Vermelhos (Red Bull).
O campeonato de 2019 apresentou, até agora, quatro desaires para a Ferrari. A equipa do Cavalinho Rampante não está a ser capaz de tirar partido do tão promissor SF90. O desempenho da Ferrari teve altos e baixos, ao longo das quatro corridas com alguns desaires à mistura. Desaires a que não pode dar-se ao luxo, se quiser assegurar o seu primeiro campeonato mundial, em mais de dez anos. É uma dificuldade que assusta os fãs, dada a gigantesca influência da equipa no paddock da Fórmula 1. O tempo está a iniciar, mas pode esgotar-se. Conseguirá a Ferrari encaminhar a sua campanha nas próximas corridas?
No Azerbaijão, a Mercedes voltou a atropelar a Ferrari, demonstrando que está muito bem encaminhada, para mais um título. Mas a próxima corrida será em Espanha. Vettel, Leclerc e  a Ferrari vão "voar" para Barcelona com todas as armas carregadas, para impedirem a Mercedes de somar a quinta dobradinha do campeonato. De realçar que, nos testes de pré-época realizados em Espanha, os Ferraris foram os carros mais rápidos. Será desta que a Ferrari vai bater a Mercedes em Barcelona?
A Red Bull Racing Honda está a voar muito baixo, a sua parceria com a Honda ainda está numa intensa pesquisa de desenvolvimento, o fabricante nipónico continua a revitalizar a sua busca pela glória, depois de algumas épocas terríveis em pista com a McLaren. Em 2019, a equipa não está a ter a reacção "furiosa", que os fãs esperavam. Ambos os pilotos (Max Verstappen e Pierre Gasly) não têm tido sincronia em pista, pois Gasly não consegue acompanhar o ritmo de Verstappen e é sempre batido pela dupla de pilotos da Ferrari,  Leclerc e Vettel.
Em 2019, a Mercedes está a viver uma boa fase a nível externo, mas, internamente, as coisas poderão alterar e reviver o campeonato de 2016, em que Nico Rosberg e Lewis Hamilton tiveram uma das rivalidades mais “amargas” das duplas de colegas, depois da vivida entre Alain Prost e Ayrton Senna, na McLaren Honda nos anos 1988 e 1989. Valtteri Bottas e Lewis Hamilton viveram um clima de harmonia em 2017 e 2018, em que o primeiro vivia à sombra do segundo.
Em 2018, Bottas teve a pior estatística de um piloto da Mercedes desde 2013, pois não conseguiu nenhuma vitória. Mas, em 2019, Bottas está numa luta sem precedentes com Hamilton no campeonato, mano-a-mano, carro-a-carro, corrida-a-corrida, pole-a-pole, vitória-a-vitória.
Neste momento, ambos estão a viver uma “paz armada” e pode não tardar viverem uma “amizade improvável”, com acusações mútuas entre eles, alegando que a equipa está a favorecer este ou aquele, como aconteceu na Mclaren (1988 e 1989, com Prost e Senna, e em 2007, com Fernando Alonso e Hamilton) e na Mercedes  (em 2016, com Nico e Lewis).
Contudo, os fãs da Mercedes esperam que a equipa não deixe o clima chegar a uma “amizade improvável”, pois poderia ruir o bom momento que se vive na equipa, o que poderia significar a saída de um dos pilotos. O campeonato é longo, então, aguardemos para ver o que vai acontecer.