Jornal dos Desportos

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Mercedes é favorita em época de crise financeira agravada

13 de Março, 2015

Lewis Hamilton tentará o segundo título consecutivo de um campeonato que inicia hoje e se espera bastante competitivo

Fotografia: AFP

"Todos contra a Mercedes" é o lema da edição 2015 do Campeonato Mundial de Fórmula Um, em que o britânico Lewis Hamilton tentará o segundo título consecutivo, tendo outra vez como maior rival o alemão Nico Rosberg, seu companheiro, em temporada que deverá ser marcada pelo aprofundamento da crise financeira que afeta a categoria.

Em 2014, a equipa prateada dominou completamente da Austrália, palco da primeira prova, até Abu Dhabi, local do encerramento da competição. Foram 16 vitórias, 11 de Hamilton e cinco de Rosberg, e 701 pontos entre os construtores, quase 300 à frente da vice-campeã Red Bull.

Dono do troféu de melhor entre os pilotos pela segunda vez na carreira, o número 44 fez 384 pontos, contra 317 do parceiro de Mercedes. Terceiro na tabela, e único piloto do "resto" do "grid" a vencer, o australiano Daniel Ricciardo fez 238 pontos, ficando longe da disputa do título.

Para este ano, o panorama é semelhante, pelo menos segundo os testes de pré-temporada, principalmente, na recta final da preparação, no circuito de Montmeló, na Catalunha. Em actividades com um piloto por equipa, além de muito mais rápida em condições iguais, a Mercedes ainda conseguiu ser a que mais tempo ficou na pista.

As próprias escuderias concorrentes já admitem a possibilidade de o domínio do ano passado se repetir em 2015. A McLaren, por exemplo, fala em não ter "chances" de vencer nos primeiros compromissos. A única que parece  candidatar-se a rival é a Williams.

O conjunto britânico foi o que conseguiu  andar mais perto da Mercedes, mas com pneus macios, o finlandês Valteri Bottas ficou mais de um segundo atrás de Rosberg, em um dos últimos treinos realizados em Barcelona. Além do nórdico, Felipe Massa tentará ser um dos algozes da dupla Hamilton e Rosberg.

Depois de cinco temporadas ruins pela Ferrari, o brasileiro viveu começo irregular na Williams. Nas dez primeiras provas da temporada, foram apenas 30 pontos marcados, contra 104 nas nove corridas derradeiras, com direito a três pódios, superando a marca das três temporadas anteriores. Já o alemão Sebastian Vettel foi o protagonista da principal transferência para este ano, com a saída da Red Bull, equipa pela qual foi tetracampeão, pela Ferrari. Na pré-temporada, especialmente nos testes iniciais, em Jerez de la Frontera, o "novato" e o finlandês Kimi Raikkonen surpreenderam pelo bom desempenho.

Com a chegada de "Seb" ao conjunto do Cavalinho Rampante, o espanhol Fernando Alonso ficou sem espaço, e se transferiu para a McLaren. O piloto, no entanto, se envolveu num misterioso acidente em Montmeló, em que se especula que ele tenha sofrido um choque do sistema de recuperação de energia cinética.

A falta de informações da escuderia e da Honda, que fornecia o equipamento até então, chegou a abrir brecha para a hipótese de um boicote de boa parte do grid, o que não se confirmou. O certo é que Fernando Alonso não disputará o Grande Prémio da Austrália, em Melbourne, por ainda estar se recuperando da colisão, após passar três noites hospitalizado.

A temporada 2015 da Fórmula 1 voltará a ter dois pilotos brasileiros, com a efectivação de Felipe Nasr como titular da Sauber, depois de período como piloto de testes da Williams. A escuderia suíça, aliás, destacou-se nos treinos de pré-temporada, mas os bons tempos podem ter sido feitos em condições especiais, com tanque mais vazio, pneus macios, com objectivo de atrair patrocinadores.

A busca desenfreada por dinheiro se tornou uma constante na categoria, entre equipas médias e pequenas. Ainda no fim do ano passado, Caterham e Marussia abandonaram a competição, sendo que a segunda conseguiu viabilizar o retorno para a nova temporada, apesar de não haver garantias da presença no grid até o último GP.