Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Mercedes e Ferrari dominam a corrida

09 de Janeiro, 2016

Ferrari e Mercedes são acusadas de formar Cartel com a Renault e Honda

Fotografia: AFP

Descontente com os rumos actuais da Fórmula 1 e frustrado com as restrições ao regulamento técnico, o projectista da Red Bull, Adrian Newey, fez um alerta: se a categoria não adoptar um motor alternativo, corre o risco de ver apenas a Mercedes e Ferrari a vencer corridas e é o caminho certo para manter as equipas pequenas na grelha e ampliar a competitividade. .

Para Newey "o motor independente é uma opção muito boa, porque permite às equipas privadas ter o que deve ser um motor competitivo por um custo muito mais razoável".

Em declarações ao Motorsport, o projectista relembrou que "as épocas mais saudáveis foram quando as equipas privadas tiveram acesso a propulsores competitivos".

A opinião de Newey está alinhada com a dos dirigentes da categoria, que lutam para aprovar o motor independente e tirar o poder das fabricantes.
Após a adopção do regulamento de 2014, que introduziu a unidade de potência V6 turbo híbrida, a competitividade do motor tornou-se fundamental para o rendimento dos carros e os gastos aumentaram.

"O custo seria bem mais razoável (com os motores independentes), mas é tão importante quanto ter uma unidade competitiva", disse.

Para Newey, com o actual regulamento, apenas as equipas de fábrica têm oportunidades reais de vitória. E, como a Mercedes e a Ferrari desenvolveram motores melhores que a Renault e a Honda, isso diminui muito a competitividade.

"No momento, as equipas clientes da Mercedes e da Ferrari não têm a mesma especificação das equipas de fábrica. Então, estamos efectivamente numa situação na qual só as equipas da fábrica de Mercedes e possivelmente da Ferrari podem vencer corridas e campeonatos. A Fórmula 1 não deveria ser assim", realçou.

Adrian Newey entende que a F1 está a correr um risco desnecessário ao não abraçar a ideia de um motor independente. Para o engenheiro, o Mundial está em risco.

Em 2016, a Red Bull, equipa de Newey, vai usar um motor Renault renomeado como TAG Hauer. Porém, o acordo termina ao final do ano.

SOLUÇÃO DE MOSLEY
O ex-presidente da FIA e crítico perene de como funcionam as coisas na F1, Max Mosley, voltou a atacar. Os alvos foram as fornecedoras de motor da categoria, notoriamente, a Mercedes, Renault, Ferrari e Honda, a quem Mosley começou a chamar de cartel há alguns meses. Mosley fez uma sugestão curiosa para conter os problemas de custo das unidades de força.

A data limite para as equipas sugerirem as medidas que ajudem a conter os preços das unidades é 15 de Janeiro. A situação tem sido discutido desde a instituição do regulamento actual no final da época 2013. Para Mosley, uma regra que limite o número de motores por carro a dois por época daria uma solução ao problema.

"Os problemas actuais giram em torno dos custos e oferta dos motores. A solução seria regras para permitir apenas dois motores por carro em cada época. Isso, simultaneamente, iria dobrar a oferta e dividir os preços pela metade. Os motores de hoje exigiriam apenas alguns ajustes modernos para chegar a isso", disse.

Mosley suspeita que "os engenheiros das fornecedoras de motor diriam imediatamente que é impossível e seria um desastre". A história da F1 nunca houve um caso, onde tais previsões tenham se provado verdadeiras, segundo o dirigente.

Caso ninguém entregue um plano de solução para os custos, a ideia de Bernie Ecclestone e Jean Todt sobre uma fabricante independente de motores vai ser revivida.



TYLER ALEXANDER
Morreu cofundador
da equipa McLaren


Um dos fundadores da McLaren, Tyler Alexander, morreu aos 75 anos de idade. A equipa confirmou em comunicado oficial na quinta-feira à noite.

Alexander trabalhou como mecânico ao lado de Bruce McLaren no ano de fundação da equipa, em 1963. A causa da morte ainda não foi divulgada, mas Alexander foi internado em 2014 com uma doença que jamais foi anunciada.

Alexander esteve como um dos pais fundadores da McLaren antes e depois da morte do amigo Bruce, em 1970, quando Teddy Mayer assumiu a chefia da equipa. Saiu da equipa em 1982 para trabalhar em projectos, sobretudo, nos Estados Unidos, que incluiram 500 Milhas de Indianápolis.
Voltou à equipa no final da carreira até se aposentar antes do início da época'2009.

O papel inicial de Alexander na equipa de Bruce incluía mais tempo com os projectos da McLaren na CanAm e na Indy. Por lá, venceu duas 500 Milhas de Indianápolis, em 1974 e 1976, ambas com Johnny Rutherford. Depois, focou os esforços para ajudar a McLaren a triunfar na F1.

Em 1982, regressou ao automobilismo norte-americano e trabalhou com a BMW na IMSA e fez parte da Beatrice F1, como se chamou a equipa Lola no início. Voltou à McLaren em 1989, de onde não sairia novamente. Alexander fez parte de carreiras de pilotos campeões mundiais como Ayrton Senna, Lewis Hamilton e Mika Häkkinen, por exemplo.

Outro parceiro de longa data, Ron Dennis expressou algumas lembranças do velho amigo em comunicado oficial.

"O conhecimento e expertise prática de Tyler, somados a sua atitude energética e optimista, ainda coroadas pelo seu senso de humor satírico e seco, tornaram-no bem sucedido e amplamente popular se estivesse a analisar a construção dos carros na fábrica, comandando CanAm vencedores ou equipas na Indy 500, ou ainda a trabalhar com alguns dos maiores pilotos e engenheiros do mundo na F1", disse.

"Simplesmente, Tyler viveu e respirou McLaren. E seguindo a sua aposentação no final de 2008, numa época que foi a cada GP e teve um papel importante em assegurar os títulos da equipa e de Lewis Hamilton, continuou amado e sendo bem visto, regularmente, a visitar a fábrica em Woking para conversar com velhos amigos e alguns novos", continuou.

"A amizade com Tyler era uma que você podia confiar. Era um amigo que nunca te decepcionaria. Na realidade, Tyler era um dos óptimos da escola antiga: batalhador, humilde e esperto. Deixa um legado e uma reputação que vão permanecer indeléveis na história do automobilismo internacional", falou.

"Em nome da McLaren, gostaria de prestar um tributo de coração a um dos nossos pais fundadores e oferecer as mais profundas condolências a muitos dos seus amigos e à sua amável companheira, Jane Nottage, que sempre esteve lá por ele, valente até o final", encerrou.