Jornal dos Desportos

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Mercedes e Ferrari na mira da FIA

10 de Abril, 2015

As duas marcas disputam os primeiros lugares do campeonato depois do passeio feito pela equipa alemã no ano passado

Fotografia: Reuters

A Mercedes e a Ferrari estão sob observação da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) por usarem o combustível de forma irregular. A fiscalização é apertada neste final de semana, no Grande Prémio da China, terceira etapa da época da Fórmula Um, para  comprovar que ambas as fornecedoras de motores estão fora do regulamento, disse o jornal espanhol “Marca”.

A situação é semelhante à que levou a Red Bull a perder o terceiro lugar conquistado por Daniel Ricciardo no Grande Prémio da Austrália do ano passado. As regras colocam um limite de fluxo de 100kg-hora, controlado por um equipamento chamado fluxómetro. Porém, enquanto a Red Bull, no ano passado, alegou mau funcionamento do equipamento, a ilegalidade de Mercedes e da Ferrari parece, alegadamente, ser outra.

A FIA suspeita que estas equipas estão a trabalhar com a pressão do combustível para injectar mais do que os 100kg-hora em determinadas situações sem serem apanhadas pelo fluxómetro. Isso acontece quando o motor supera as 10.500 rpm, o que dá vantagens durante as reacelerações.

A tentativa da entidade para evitar esse tipo de artifício é mudar o sistema de sensores e instalar um equipamento que mede o fluxo em vários pontos.
Juntas, Mercedes e Ferrari fornecem motores para sete das dez equipas da grelha.

A Honda, cujos motores são usados pela McLaren, também teria a capacidade de trabalhar com as pressões de maneira a burlar o sistema, mas não tem utilizado o seu sistema, porque tem problemas de confiabilidade e não usa o motor em potência máxima.
A Renault, que fornece equipamento para Red Bull e Toro Rosso, não tem a capacidade de aproveitar o sistema.

NUKI LAUDA PEDE
MERCEDES UNIDA


O primeiro lugar da Ferrari de Sebastian Vettel no Grande Prémio da Malásia, no último dia 29, mexeu com o orgulho da Mercedes, actual campeã entre os construtores e que fez Lewis Hamilton bicampeão do mundo. O presidente de honra da equipa de Barckley, Niki Lauda, pediu união para derrotar os pilotos da equipa italiana neste final de semana, em Xangai, na China.

Em Sepang, a Ferrari foi superior estrategicamente e surpreendeu a dupla da Mercedes com uma corrida  impecável de Sebastian Vettel. Lewis Hamilton terminou aquela prova em segundo, seguido pelo companheiro e rival Nico Rosberg.
"Analisámos a corrida da Malásia e estamos preparados para a China. Temos de estar unidos para bater a Ferrari e não ter de lutar com nenhuma outra equipa", contou Lauda sobre o assunto discutido na última reunião da Mercedes, na fábrica de Barckley.

Entre os preparativos para o Grande Prémio da China, que se disputa às 7h00, de domingo, a Mercedes e os seus fãs ficam na expectativa de uma renovação com Lewis Hamilton. Na última semana, o britânico de 30 anos mostrou optimismo em relação ao assunto e disse estar próximo de um acordo com a equipa alemã.

NICO ROSBERG
Rivalidade com Hamilton continua


A derrota na Malásia pode até ressoar em alguns pontos, mas a Mercedes não decide a prioridade de um dos seus pilotos durante a época. Nico Rosberg, vice-campeão mundial, fez questão de ressaltar que a luta com Lewis Hamilton tem mais efeitos positivos que negativos.

O alemão foi categórico ao dizer que a Mercedes não protege um dos dois,   porque a luta faz com que ambos melhorem e a equipa de Stuttgart tira o máximo possível de rendimento, apesar de alguns momentos tensos.

"Definitivamente não é o caso (protecção a um dos dois). Ainda é o mesmo. Estamos numa intensa batalha e a rivalidade continua. Temos de manter um olho nos rivais, particularmente na Ferrari, mas não  muda  muito. De qualquer jeito, a nossa rivalidade tem sido construtiva. Houve alguns momentos difíceis, mas estamos a empurrar-nos para um nível mais alto e a ajudar a equipa", disse em entrevista à TV inglesa Sky Sports.

Nico Rosberg voltou a dizer que a pista de Xangai “joga” com as suas características.
"Foi uma questão factual. O meu começo não foi 100 por cento, mas não foi muito ruim. A pista encaixa-se comigo e temos um carro incrível; pode ser um óptimo fim de semana com a vitória", disse.

Nico Rosberg não se fez de rogado e confirmou que a derrota na Malásia foi chocante e assustadora para a Mercedes. Depois da corrida, os pilotos e equipa chegaram a algumas conclusões para a sequência da época.

"A Malásia esteve muito perto de nos chocar, porque não prevíamos aquilo. Estávamos convencidos de que éramos a força dominante em toda a corrida, mas do nada surgem mais fortes e vencem-nos claramente", continuou. 
"Tivemos de colocar os nossos bonés e pensar no que podemos fazer melhor. Estou bem confiante para esse fim de semana", concluiu.