Jornal dos Desportos

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Mercedes lamenta regra para Bahrein

30 de Março, 2016

Toto Wolff está céptico quanto à decisão a tomar sobre modelo de classificação

Fotografia: Reuters

Depois do clamor com a adopção de um sistema de treino classificativo que até agradou no Q1 e no Q2, porém decepcionou a todos na definição da pole  position do Grande Prémio da Austrália, a F1 vai mantê-lo para disputar o Grande Prémio do Bahrein, a segunda etapa da época'2016. Não houve unanimidade na tomada de decisão. A McLaren e Red Bull votaram contra a mudança. Assim, a categoria não pode mudar o regulamento durante a vigência do campeonato.

Toto Wolff, director - desportivo da Mercedes não acredita que as coisas vão mudar no fim de semana em Sakhir. Na visão do dirigente austríaco não há motivo para imaginar que tudo vai ser diferente no Oriente Médio em relação ao que foi visto em Melbourne, há quase duas semanas.

“Vamos ver neste fim de semana a continuação do novo formato de classificação, depois de uma estreia menos do que impressionante na Austrália. As equipas foram unânimes na sua opinião em Melbourne, e não foi uma opinião positiva”, disse Wolff em prévia comunicação divulgada pela Mercedes.

“Não encontramos o formato ideal com esta mudança e é difícil ver como isso poderia ser mais divertido para os fãs neste fim de semana no Bahrein”, lamentou.Para Wolff está na hora da F1 entender o que o povo quer, que é assistir às corridas. O dirigente defende que a categoria deve ser menos complicada, tudo para atrair novamente o fã do desporto como um todo.

“O desporto está sob análise em relação a este assunto. Então é preciso ter cautela para dar passos a partir da posição em que estamos agora. Os fãs querem corridas mais disputadas, num formato que possam entender entre os melhores pilotos e carros do mundo, nesta ordem.Devemos entregar isso para as pessoas nas bancadas e para quem nos assiste ao redor do mundo”, concluiu.

Com ou sem o novo formato de classificação, a Mercedes sempre desponta como favorita. Desde a adopção da nova “Era Turbo” no começo de 2014, a equipa prateada largou à frente em 37 dos 39 Grandes Prémios disputados, foi superada por Felipe Massa com a Williams, pole no GP da Áustria de 2014 e por Sebastian Vettel, pole -position com a Ferrari no GP de Singapura do ano passado.

HAMILTON DESCARTA
CORRIDAS MELHORES

Lewis Hamilton evita depositar qualquer tipo de expectativa positiva para a época'2017 do Mundial de F1. A categoria planeia uma série de mudanças ao regulamento técnico, tudo para proporcionar aos pilotos carros mais radicais, rápidos e empolgantes, entrega maior downforce e proporcionar tempos de volta bem mais baixos. A oficialização das mudanças ao regulamento vai ser feita no fim de Abril.

Mas o tricampeão do mundo não acredita que tais mudanças possam ser o bastante para entregar aos fãs uma categoria melhor. Hamilton defendeu uma mudança na concepção do carro para que haja uma menor influência na aerodinâmica e uma maior aderência mecânica. De contrário, Lewis acredita que a dinâmica das corridas não vai ser muito diferente do que existe nos dias de hoje.

“Está a rolar muita conversa sobre as regras e se os pilotos deviam estar mais envolvidos na tomada de decisões. Não é nosso trabalho avançar com ideias e todos temos opiniões diferentes à respeito, de uma forma ou de outra”, comentou o piloto da Mercedes.


O piloto inglês assegurou que a categoria precisa de mais aderência mecânica e menos influência aerodinâmica na traseira dos carros, para que possam chegar perto e ultrapassar. A queixa de Hamilton junta-se a de outros, numa semana marcada pela falta de vozes nos rumos da categoria.

“Isso vai dar-nos uns 5s em termos de tempo de volta em aerodinâmica e nada vai mudar, só vamos conduzir mais rápido. Converso com quem ama este desporto e gosta de corridas e não tenho todas as respostas. Sei que as mudanças não vão proporcionar corridas melhores”, finalizou o britânico.

ASSENTO DE ALONSO
FIA abre investigação sobre acidente


O acidente de Fernando Alonso após embater em Esteban Gutiérrez durante a primeira metade do Grande Prémio da Austrália foi gravíssimo. Como a imagem teve grande impacto, ninguém dizia o contrário, mas o facto do espanhol ter saído do carro destruído sem ferimentos mascarou a gravidade da batida. Foi tamanha que até o assento do bicampeão mundial se quebrou.

Fernando Alonso teve sorte inegável. Em meio a um assento partido e um monolugar que se transformou em pilha de destroços, Fernando saiu com dores nas costas e uma entorse no joelho direito. Quase nada em comparação ao que podia ter sido.A informação é da versão italiana do site norte-americano 'Motorsport.com'. O veículo publicou que o assento do carro de Fernando Alonso quebrou-se na parte do ombro. Para saber precisamente o que houve, a FIA abriu uma investigação técnica que leva em consideração o que cada equipa produz na sua própria célula de sobrevivência, de acordo com as especificações distribuídas pela Federação.

A captação de imagens foi feita pelas câmaras de alta velocidade produzidas pela Magneti Marelli e colocadas nos cockpits de todos os carros. As imagens produzidas são gravadas em 400 frames por segundo e alta definição, o que permite que a FIA análise detalhadamente o passo a passo do acidente.

Até a forma como o pescoço de Alonso se moveu pode ser analisada para que saibam mais da reacção corporal de um acidente de tal força em cima de um corpo humano. Alonso tocou Gutiérrez a 312 km/h. É a primeira vez que este novo sistema de câmaras está a ser usado, o que  faz com que as investigações agora vão além de números da telemetria.

A gravidade da batida foi destacada pelo médico da FIA, Jurgen Lindenmann, em entrevista à publicação alemã 'Der Spiegel'. "Quando um piloto experiente como Alonso é visto nas imagens a voar e sair ileso, você pode dizer a si mesmo: 'Este carro é o veículo mais seguro que há'. Mas não podemos esquecer uma coisa: Alonso teve sorte. Salvou-se por pouco", afirmou.O acidente não vai manter Fernando Alonso fora do Grande Prémio do Bahrein, embora tenha feito a McLaren mudar o chassis e o motor. O bicampeão vai correr na prova nocturna no deserto de Sakhir.