Jornal dos Desportos

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Minuto de silêncio

25 de Julho, 2015

Morte de Jules Bianchi afecta colegas

Fotografia: AFP

A Fórmula 1 anunciou que a organização do Grande Prémio da Hungria vai reservar amanhã um minuto de silêncio em homenagem ao piloto Jules Bianchi momentos antes da corrida.

 O francês faleceu na última sexta-feira, nove meses depois do seu acidente no Grande Prémio do Japão, onde bateu com força num guindaste que retirava a Sauber de Adrian Sutil.

Na terça-feira, vários pilotos da Fórmula 1 despediram-se de Jules Bianchi no velório realizado na catedral de Nice, cidade natal do piloto francês. Lewis Hamilton, Nico Rosberg, Pastor Maldonado, Sebastian Vettel, Jenson Button, Romain Grosjean, Daniel Ricciardo, Daniil Kvyat, Nico Hulkenberg, Felipe Massa e Marcus Ericsson estiveram presentes na cerimónia.

Abalado pela morte do jovem piloto, Lewis Hamilton prometeu continuar a competir à maneira de Bianchi:

"Vou carregar o Jules comigo nos meus pensamentos e orações, não só nesta corrida, mas para o resto dos dias de minha carreira. Sei que Bianchi quer que a gente corra intensamente como fazia; então fá-lo-ei", disse o piloto.

 A homenagem vai ser realizada às 13h45 no horário local, ou 12h45 (de Angola), quinze minutos antes da corrida.


APÓS MORTE DE BIANCHI
Pilotos rejeitam mudança de postura


Em conferência de imprensa, Nico Hulkenberg, Felipe Massa, Sergio Pérez, Roberto Merhi, Romain Grosjean e Felipe Nasr descartaram mudar de postura na F1, após a morte de Jules Bianchi. Os pilotos afirmaram que se acostumaram aos riscos do desporto.

"Isso abre os nossos olhos e mostra que ainda há alguns riscos no que estamos a fazer; é preciso estar ciente disso e fazer as próprias escolhas dentro do carro: o risco de que está disposto a correr e estar confortável com isso. Para mim, pessoalmente, não vai mudar muito", disse Hülkenberg.
Felipe Massa, por sua vez, recordou o acidente que sofreu no mesmo circuito de Hungaroring em 2009 e disse que, mesmo assim, não pensa no que lhe aconteceu quando está a conduzir.

"Quando fecha o visor, o piloto quer lutar, terminar à frente e fazer o melhor que puder. As manobras, as ultrapassagens, a forma como conduz, isso não vai mudar, porque me lembro de quando tive o meu acidente aqui. Quando recomecei a conduzir aqui na Hungria, não me lembro daquilo sempre que passo naquele lugar. E eu sofri o acidente aqui", explicou Felipe.

O brasileiro assegura que realmente "não pensa nisso". "Talvez, quando sair do carro, me lembre de Jules ou do meu acidente, mas não quando estou a conduzir", garantiu.

O brasileiro assegura que nem pensa que tem uma mãe, um pai, um filho, uma esposa ou outra pessoa qualquer. "Só penso no trabalho e não vai mudar; agora, tenho Jules na minha mente a todo o tempo", disse.

Sergio Perez ressaltou que os pilotos estão conscientes dos riscos que correm, mas avaliou que a morte de Bianchi não vai mudar a postura de ninguém. "Quando uma coisa assim acontece, torna-nos conscientes dos riscos; é o que amamos fazer. Quando uma coisa assim acontece com um colega, sabemos que podia ser um de nós naquele carro. Isso não muda nada", frisou.

Mehri alinhou no mesmo diapasão, mas admitiu que não se sentiu seguro ao ver um guindaste na pista durante uma etapa da World Series.
"Numa corrida da World Series aqui, houve um acidente à saída da última curva e um guindaste entrou para remover o carro sem a presença de Safety-car. Honestamente, quando vi aquela situação, as bandeiras amarelas, reduzi a velocidade", contou.

Mehri ressalta que no passado talvez não tivesse reduzido tanto, mas após a situação, começou a pensar mais a respeito. "O piloto tem mais medo de que coisas possam acontecer; não me senti confortável naquela situação e perdi três décimos por volta naquela curva, porque a achei perigosa", frisou.

Grosjean assegura que o piloto precisa de se concentrar a 100 por cento dentro de carro e "nunca parar um minuto para pensar na tragédia". É "natural os riscos" para um piloto, porque é "um desporto perigoso".