Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Misto de Luanda participa em Torneio

07 de Outubro, 2015

Valdelício Joaquim poste da Selecção Nacional efectua um lançamento de meia distância

Fotografia: Jornal dos Desportos

Os resultados da última edição de 1979 do Torneio Internacional de futebol disputado em Kinshasa, por ocasião da passagem do 10º  aniversário da fundação da FIKIN teve como resultado, Misto de Luanda - Diabos Negros (2-1) e Bilima - Lumbumbashi Sports (2-1). Após estes resultados, a equipa do Bilima sagrou-se vencedora do referido torneio, tendo o Lumbumbashi Sports e o Misto de Luanda ficado nos lugares seguintes, em igualdade de pontos.

A última jornada, disputada numa tarde de domingo teve uma boa assistência que encheu o estádio com 20 mil espectadores e principiou cerca de uma hora depois da inicialmente prevista, pois aguardava-se a chegada dos responsáveis máximos  do desportos de Angola e República Democrática do Congo (RDC), Rui Mingas e Kibassi Mobait, respectivamente.

Após a entrada dos dois dirigentes e a cerimónia de apresentação de cumprimentos, evoluíram para o rectângulo as equipas do Misto de Luanda e dos Diabos Negros de Brazzaville. O jogo decorreu numa toada lenta com os dois conjuntos a criarem algumas situações de perigo junto das balizas dos dois guardiões. O Misto de Luanda foi sempre a equipa que mais atacou e que mais segura esteve na defesa, tendo nomeadamente desperdiçado grandes oportunidades de ampliar à sua vitória.

O desafio não teve  a emoção dos primeiros dois jogos que ambas as equipas disputaram para este Torneio da FIKIN. Os jogadores do Misto atacaram mais, mas mesmo assim não conseguiram criar aquela emotividade que o público congolês democrata está habituado e gosta de acompanhar.Desde logo se viu que a equipa de Luanda  estava disposta a sair do torneio com uma vitória, de forma a não deixar mal o futebol angolano. Após várias jogadas de perigo o Misto conseguiu inaugurar o marcador com um golo apontado por Chinguito, no aproveitamento de um cruzamento de Eduardo André, quando estavam decorridos 35 minutos.

APÓS CONVÍVIO
Regresso à capital


A equipa de futebol do Misto de Luanda após participar de um torneio  da modalidade organizado pela FEZAFA, com o patrocínio da Feira Internacional de Kinshasa (FIKIN), por ocasião do 10º aniversário da sua fundação foi homenageada  na noite com uma recepção oferecida pelo  encarregado dos Negócios do nosso país no Zaíre,  Kamu de Almeida, na qual estiveram também presentes, como convidados  especiais, o secretário de Estado da Educação Física e Desportos, Rui Mingas e pelo então, Comissário de Estado dos Desportos da RDC, Kibassa Maliba.

Durante o encontro, que decorreu num ambiente de franca camaradagem, o cidadão Kibassa Maliba exaltou, em breves palavras o comportamento da delegação angolana presente em Kinshasa, pela maneira disciplinada  com que foi coroada a sua digressão.O Comissário de Estado dos Desportos da RDC focou, nomeadamente, a forma organizada e disciplinada com que os nossos futebolistas entraram e saíram do rectângulo enquanto decorriam as actividades desportivas em alusão ao10º aniversário da fundação FEZAFA.

Figura
DIRIGRNTE DESPORTIVO
“Toni Estraga ”


António Gomes ou simplesmente "Toni Estraga" faz parte dos imortais do desporto angolano, pela modalidade futebol. Médio volante com qualidades aceitáveis em qualquer campeonato do mundo, tendo para além de brilhar pela Selecção Nacional, deixado a sua marca nos campeonatos de Portugal e China. Este talento que deu os primeiros passos na Escola de Futebol da Samba, jogou no Girabola,  com as cores do 1º de Agosto e Inter da Huíla.Actual director nacional para a Política Desportiva, é o ilustre convidado para a edição de hoje, do ANGOLA 40 ANOS.

Já era desportista antes de 1975?
Em 1975 eu tinha apenas 9 anos de idade, mas claro que já praticava o futebol.
Naquela altura eram as actividades no bairro, os encontros com os miúdos de outras ruas e de alguma forma, estas actividades eram  orientadas por adultos, além, claro, dos jogos na escola.

Com a independência sentiu-se realizado, enquanto desportista
?
Claro que sim . Por que logo a seguir a Independência o Estado assumiu o papel de generalizar a prática desportiva com aceitação das escolas desportivas nos bairros e isso permitiu que mais crianças e jovens tivessem acesso ao desporto por via destas iniciativas. Eu comecei o futebol formal na escola da Samba , na altura orientada pelo prof. Policarpo Da Rosa , hoje jornalista do Jornal dos Desportos. Não tenho dúvidas que estas iniciativas tiveram influência naquilo que depois nos tornamos em termos de futebol. Os clubes de bairro constituíram naquela altura, o grande suporte para a transição do futebol informal para o federado e, desta forma, surgiram os campeonatos quer a nível dos escalões de formação, quer ao nível dos seniores.

Prevalece a paixão pelo desporto?
A minha vida esteve sempre associada ao desporto, não só ao futebol até porque havia o desporto escolar que nos obrigava de alguma forma a experimentarmos outras modalidades decorrentes das aulas de educação física. Hoje, como agente desportivo que sou, continuo a dar o meu contributo possível para que haja melhoria do nosso desporto.

Na qualidade de dirigente desportivo, como é visto nessa vertente?
Não é uma pergunta fácil para responder, isto é falar de mim mesmo. Contudo, julgo que tenho me esforçado para que dentro dos meus conhecimentos posso também contribuir para a melhoria qualitativa do nosso desporto através das funções que fui tendo enquanto dirigente desportivo. E sinto que tem existido algum reconhecimento pela minha contribuição no desporto nacional e isto deixa-me orgulhoso e com vontade de cada vez mais fazer o melhor.

O que mais o marcou ao longo destes anos da Independência?
A evolução que vamos verificando no nosso desporto é visível Sentimos que alargamos o leque de modalidades e conquistas quer a nível africano até mesmo mundial, com destaque para o basquetebol , o andebol, o judo, a natação, o ténis de mesa, xadrez, futebol, entre outras. Outra grande conquista foi o aumento das infra-estruturas desportivas, pois hoje, temos um parque desportivo aceitável, mas temos consciência que ainda temos um caminho a percorrer para que tenhamos efectivamente mais e melhor desporto. O título de campeões africanos em futebol sub20, a qualificação ao mundial em 2006 e as conquistas do Sayovo no atletismo adaptado e as frequentes participações da Selecção de basquetebol nos campeonatos do mundo e durante os jogos olímpicos fruto da nossa supremacia  em África, fazem parte das conquistas alcançadas.

O futebol tem um momento especial na sua actividade?
Claro que tive muitos bons momentos durante a minha carreira, e aqui valorizo o meu processo de formação inicial na modalidade, que é de alguma forma contribuir para que exista mais visibilidade profissional. Deixa-lhe dizer que a nível dos seniores, tive passagem pelo inter da Huíla e posteriormente pelo 1º de Agosto sem esquecer claro, à minha trajectória fora de portas nomeadamente em Portugal e na China. Hermínio Fontes