Jornal dos Desportos

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Mo Farah vai correr em Portugal

13 de Fevereiro, 2015

O britânico Mo Farah vai contar com a concorrência de fundistas do top mundial como Stephen Kosgei Kibet e Silas Kipruto

Fotografia: AFP

O britânico Mo Farah, campeão olímpico, mundial e europeu dos 5.000 e 10.000 metros, é a principal atracção da 25.ª edição da meia-maratona de Lisboa, segundo a organização do evento. A presença de um "leque de atletas brutal" pode impulsionar um novo recorde mundial da competição da capital portuguesa.

Carlos Móia, membro da organização, disse no acto de apresentação do evento que "é um orgulho ter Mo Farah pela primeira vez em Lisboa".

O máximo mundial da distância, 58min23s, que Carlos Móia quer ver cair e que vale um cheque de 100 mil euros a quem o conseguir, foi estabelecido na meia-maratona de Lisboa em 2010 pelo eritreu Zerzenay Tadese, nas celebrações do 20.º aniversário da competição.

Cinco anos depois, a organização augura que um fundista de top mundial venha a reduzir o tempo do eritreu perante o olhar atento de Lamine Diack, presidente da Federação Internacional de Atletismo.

Além de Mo Farah, que tem como melhor marca na distância 60min59s, estão garantidas as presenças do etíope Guyle Adola, dos quenianos Stephen Kosgei Kibet e Silas Kipruto e do marroquino Aziz Lahbabi, todos com marcas abaixo da hora.

No sector feminino, a prova vai ter a presença de Dulce Felix, recordista portuguesa da distância (68min32s), e da queniana Priscah Jeptoo, vice-campeã olímpica de maratona e do mundo e vencedora das maratonas de Nova Iorque, Londres, Paris e Turim.

A seis semanas da prova, agendada para 22 de Março, há já 32 mil inscritos, mas a organização está crente que vai chegar aos 34 mil.

Carlos Móia destacou o papel que a prova tem no desenvolvimento do atletismo em Portugal. Em 1991, no primeiro ano, teve 3.973 atletas a cortarem a meta. Em 2015, pode ter 34 mil. O responsável destacou o facto de "a prova ter convidado as pessoas a irem para a rua, a andarem, a correrem" e de ter contribuído para o aumento do número de corridas da mesma distância que se realizam em Portugal.

O presidente do Maratona admitiu que, ao longo de 25 anos, a prova "superou as melhores expectativas" e agradeceu a todos os "que ousaram sonhar em 1991".

Além da meia-maratona, do Passeio Avós e Netos, da prova minicampeões e da corrida em cadeira de rodas, este ano vai decorrer uma prova de sete quilómetros. Carlos Móia afirmou que para uns essa prova vai servir de treino para a meia-maratona e para outros serve para correr e divertir-se.

A meia-maratona de Lisboa, que atravessa a Ponte 25 de Abril, e a corrida em cadeiras de rodas, estão agendadas para domingo, 22 de Março.


MÉDICO SUSPEITA
Samuel Wanjiru
foi assassinado


Um antigo médico legista do Governo queniano considera que o antigo campeão olímpico da maratona Samuel Wanjiru terá sido morto em 2011 e rejeita a teoria de suicídio, indicou fonte judicial.

O maratonista não morreu na sequência da queda da varanda da sua casa, mas depois de ter sido atingido na cabeça com um "objecto contundente", de acordo com o médico Moses Njue. As lesões ao nível dos joelhos e nas mãos mostram que Samuel Wanjiru caiu de frente.

"A vítima foi atacada depois de cair, já no chão, por outra pessoa", explica o legista.

Samuel Wanjiru morreu a 16 de Maio de 2011, aos 24 anos, após uma queda da varanda da sua casa em Nyahururu, a 150 quilómetros a Norte de Nairobi, depois de ser surpreendido pela sua mulher na companhia de outra pessoa.

O antigo médico-chefe excluiu "uma possível teoria de suicídio", a hipótese avançada pela polícia. O Governo abriu um inquérito para determinar as causas da morte e três autópsias indicaram versões diferentes, num processo em que mais de 30 pessoas devem ser chamadas a testemunhar.

O atleta queniano conquistou quatro grandes maratonas (Pequim2008, Londres2009 e Chicago2009 e 2010). Em Pequim, com 21 anos, tornou-se no primeiro atleta queniano a conquistar o ouro olímpico na maratona com o tempo de 2h06min32s, que ainda é recorde olímpico.


ATLETISMO
Murer faz melhor marca de 2015


A brasileira Fabiana Murer estabeleceu o novo recorde sul-americano "indoor" no salto com vara logo na sua terceira competição em 2015. No último sábado, ela venceu a disputa no Meeting Top Perche, em Nevers, na França, ao marcar 4,83 metros, registando também o melhor resultado da disputa do salto com vara nesta temporada.

A prova masculina do salto com vara em Nevers também registou a melhor marca do ano, os 6,01 metros do francês Renaud Lavillenie, o recordista mundial.

O recorde sul-americano do salto com vara "indoor" era da própria Murer, com 4,82 metros, registado em 20 de Fevereiro de 2010, em Birmingham, na Inglaterra.

No último sábado, a brasileira teve participação quase perfeita, superando as marcas de 4,40m, 4,50m, 4,58m, 4,70m e 4,83m sempre na primeira tentativa. Após bater o recorde sul-americano, Murer tentou superar três vezes a marca de 4,90 metros, mas não teve sucesso.

 E a brasileira venceu a disputa com folga, pois a francesa Marion Fiack, com 4,50 metros, ficou em segundo lugar, enquanto Marion Lotout, também atleta da casa, foi a terceira colocada, com 4,40 metros.

O XL Galan, em Estocolmo, na Suécia (em 19 de Fevereiro) e o Sainsbury's Birmingham Indoor Grand Prix, em Birmingham, na Inglaterra (no dia 21), completam o calendário de provas em pista coberta de Fabiana Murer, que se prepara para algumas das principais competições da temporada, como os Jogos Pan-Americanos de Toronto, em Julho, no Canadá, e o Mundial de Atletismo em Pequim, em Agosto, na China.