Jornal dos Desportos

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Modalidades

Modalidade atinge reconhecimento a nvel de frica

Rosa Napoleo - 19 de Agosto, 2016

O vice-presidente da Federação Angolana para o Jiu-jitsu brasileiro, Jildson Simões, que ascendeu recentemente ao cargo de presidente da Confederação Africana da modalidade, enalteceu ontem o facto da modalidade em Angola ter conseguido atingir níveis altos, apesar das muitas dificuldades que atravessa.

Em declarações ao Jornal dos Desportos, o dirigente considerou o facto de ter sido indicado na última reunião dos membros em Los Angeles, EUA, para o cargo de presidente da Confederação Africana de Jiu-jitsu Brasileiro como um verdadeiro reconhecimento aos feitos da modalidade. "Isso é sinal de que estamos a ser notados.

O nosso trabalho, as nossas conquistas a nível de África e não só, têm saltado a vista daqueles que acompanham a modalidade além fronteira. Estou grato por este reconhecimento e disposto a trabalhar para levar o jiu-jitsu brasileiro em Angola a altos patamares, como a constituir-se numa modalidade olímpica até 2024".  

Jildson Simões disse que o seu objectivo agora é trazer de volta o campeonato africano, que existiu entre 2007 a 2010 na África do Sul, mas extinguido por falhas na organização.

"Em Angola as competições continuam a existir, sobretudo dentro das academias, mas o africano continua cancelado, isso deve ser revisto e vamos trabalhar neste sentido".  Internamente, o jiu-jitsu brasileiro está presente nas províncias de Benguela, Huíla, Namibe, Malanje e Huambo, com pelo menos uma academia de combate.

A modalidade chegou ao país em 2002 por angolanos residentes no estrangeiro e outros membros de embaixadas e tem conseguido superiorizar-se no número de medalhas a nível internacional, com relação ao tradicional.

Desde então, a prática vem sendo impulsionada por Walter Faustino, o atleta africano com mais títulos em provas internacionais, e por Jildson Simões.

O processo de inscrição e cadastramento dos atletas a nível nacional é um dos maiores desafios apontados pelo vice-presidente Jildson Simões. 

"O jiu-jitsu é uma modalidade muito recente e por isso tem grandes problemas no registo de pessoal. Somos mais de mil atletas no país, mas aquilo que nós, federação, temos registado é por volta de cento e poucos atletas", aclarou.

Outro, não menos importante, é o financiamento, ou a falta dele. Se numa primeira fase a modalidade, talvez pelo factor da novidade, conseguiu chamar um ou outro patrocínio privado, esses apoios, com o tempo, desapareceram, e o Jiu-Jitsu Brasileiro é hoje pago por quem o pratica.  "Nós não somos uma modalidade olímpica por isso não recebemos apoio do Ministério dos Desportos.

Aqueles que conseguem viajar para participar em torneios, são os que têm condições financeiras. Pagam do seu próprio bolso. Eu, pessoalmente, paguei a minha ida a Portugal para participar na Euro Cup, onde foi campeão de faixa marron na categoria (peso pesado) e vice-campeão absoluto na categoria sem limitação de peso".

Um professor no tatami, que regressou a Luanda em 2010, depois de muito tempo em Londres, foi o fundador da Grab&Pull África, a primeira empresa a organizar torneios de combate em Angola, extinta a partir do momento em que assumiu funções públicas.