Jornal dos Desportos

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Moniz Marquez felicita CPA

Silva Cacuti - 22 de Janeiro, 2016

Treinador valoriza a realização do conclave que vai definir as metas dos especialistas

Fotografia: M.Machangongo

O seleccionador nacional de basquetebol em cadeira de rodas, Moniz Marques, felicitou ontem o Comité Paralímpico Angolano (CPA) pela iniciativa da realização do primeiro Encontro Nacional de Treinadores do desporto adaptado, que se realiza a 23 do corrente, sob a égide daquela instituição.

O técnico refere que o conclave vai permitir avaliar e encontrar soluções para muitas questões que emperram esta especialidade desportiva. Sem esse encontro "todas as acções do desporto adaptado não vingariam".

"O Comité Paralímpico Angolano está de parabéns por ter agendado este encontro. Fica difícil avançar todos os benefícios que pode dar. Temos uma série de questões por resolver que me fazem crer que foi sábia, inteligente e oportuna ideia. Sem esse encontro tudo o que se perspectiva para o desporto adaptado não vingaria", disse.

O encontro visa saudar o 23 de Janeiro, Dia Nacional do Desporto, e vai efectuar uma análise profunda sobre o actual momento dessa especialidade desportiva no país, segundo uma nota do CPA.

Ao todo, perto de 40 treinadores ligados ao desporto adaptado em todo o país, foram convidados para abordagem de temas como a situação dos técnicos nacionais e perspectivas para o desporto adaptado angolano no período 2016/2024; o papel do CPA no fomento do desporto paralímpico no território nacional; gestão em tempo de crise; situação actual do desporto adaptado em Angola; apoio dos governos provinciais; calendário de competições para 2016; participações internacionais e Jogos Paralímpicos do Rio 2016.

Moniz Marques disse que a abordagem sobre a situação dos treinadores é das mais pertinentes, porquanto são vistos como pessoas sem qualquer ocupação na sociedade.

"De respeito aos treinadores nem adianta falar. Os treinadores do desporto adaptado são vistos como pessoas vagabundas e, muitas vezes, nem sequer é colocado na classe de um técnico desportivo. Essa situação não é justa", disse.

O especialista justifica que "trabalhar com pessoas limitadas, como os atletas angolanos, pode ser mais complicada". A agenda do tema "foi feliz".
Os participantes começam a chegar à capital hoje e ficam às expensas do CPA, segundo António da Luz, secretário-geral do CPA.

O Desporto Adaptado em Angola data de 1993, altura em que um grupo de técnicos do Ministério da Juventude e Desportos deu corpo a um projecto de fomento no seio de pessoas que necessitam de cuidados especiais.

A aplicação prática deu-se a 2 de Janeiro de 1994 por ocasião da realização na província de Luanda do XXI Meeting Internacional para Atletas Convencionais, no Estádio dos Coqueiros.

No dia 10 de Novembro de 1994 foi criada a Associação do Desporto para Deficientes de Angola (ADDA), passando a ser oficial a existência deste tipo de desporto no país. Dois anos depois, em 1996, fundou-se a Federação Angolana de Desportos para Deficientes (FADD) e, em 2000, o Comité Paralímpico Angolano (CPA).

Hoje, o desporto adaptado é praticado de Cabinda ao Cunene por via de nove associações provinciais e nove núcleos, num total de mais de 1500 atletas das modalidades de atletismo, futebol com muletas, basquetebol em cadeira de rodas e natação.


O atletismo é a modalidade de maior referência com cinco participações consecutivas em Jogos Paralímpicos, mormente, Atlanta'1996, Sidney'2000, Atenas'2004, Beijing'2008 e Londres'2012. A seguir está o futebol com muleta, vice-campeã do mundo México'2014.