Jornal dos Desportos

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Montreal aguarda surpresas

11 de Junho, 2016

Lewis Hamilton estreou com vitória no Grande Prémio de Canadá

Fotografia: AFP

Hoje, acontece as qualificativas no circuito de Montreal para o Grande Prémio de Canadá. A história dessa corrida está repleta de factos inusitados. É o palco ideal de grandes surpresas. Foi assim com Lewis Hamilton, em 2008, quando não viu o semáforo vermelho e bateu na traseira de Kimi Raikkonnen; Sebastian Vettel foi ultrapassado por Jenson Button na última volta; Nigel Mansell viu o seu carro parar, num momento em que acenava para o público num gesto comemorativo de vitória antes de cortar a meta e entregou  a vitória a Nelson Piquet, naquela que foi a última conquista do piloto brasileiro na F1.

Essas surpresas fizeram com que a Fórmula 1 tivesse novos vencedores. Nos últimos dez anos, apenas três pilotos venceram uma corrida pela primeira vez justamente no circuito Gilles Villeneuve, mais do que em qualquer outra pista.

Os estreantes no lugar mais alto do pódio do Grande Prémio de Canadá começou em 1995 com Jean Alesi. Considerado de prodígio desde a estreia no final dos anos 1980, o francês conduzia uma Ferrari em reconstrução, no início da era Jean Todt. Ninguém esperava uma vitória em Montreal. A façanha só foi possível, depois de vários pilotos à sua frente tiverem problemas, naquela que foi a última vitória de um carro com motor V12 na F1.

Outra primeira vitória famosa aconteceu em 2008. Um ano após forte acidente justamente na etapa do Canadá, Robert Kubica conquistou aquela que é, até hoje, a única conquista da BMW-Sauber. E, de sobra, foi uma dobradinha, com Nick Heidfeld em segundo. Isso foi possível com a confusão instalada por Lewis Hamilton, primeiro classificado, que bateu na traseira de Kimi Raikkonen, que vinha em segundo e o ultrapassara nos boxes, na saída do pitlane.

Lewis Hamilton é o piloto da actual grelha com melhor histórico em Montreal, com quatro vitórias. A primeira foi justamente na sua primeira corrida na F-1, em 2007 e dominou do começo ao fim.

O último a entrar nesta lista foi Daniel Ricciardo. A largar em sexto, o australiano fez várias ultrapassagens no final da corrida - incluindo uma em cima de Nico Rosberg com duas voltas para o fim - para subir pela primeira vez no lugar mais alto do pódio, em 2014.

Na actual grelha, 13 dos 22 pilotos nunca venceram um Grande Prémio. Dentre os mais bem colocados no campeonato mundial, Valtteri Bottas é quem aparece melhor entre os que nunca venceram uma corrida.

VERSTAPPEN ADMITE
DESCONHECER A PISTA

Titular da Red Bull desde o GP da Espanha, Max Verstappen admitiu que está a aprender a acertar o RB12. O holandês, promovido pela equipa dos energéticos em substituição ao rebaixado Daniil Kvyat, afirmou que conta com a ajuda de Daniel Ricciardo.

“Definitivamente. Ele tem muita experiência”, disse.

Na sua prova de estreia pela equipa comandada por Christian Horner, Verstappen tornou-se no mais jovem vencedor da F1 ao superar Sebastian Vettel. Em Monaco, por outro lado, Max foi superado por Ricciardo na classificação e na corrida.

Max Verstappen assegura que "é necessário ver o que estão a fazer", porque não tem a ideia da direcção a seguir.

"Nunca conduzi o carro aqui, por exemplo; dependo das informações do ano passado, mas não estava no carro. É um pouco diferente”, continuou.

Max declarou que não vai sentir-se completamente confiante no carro da Red Bull enquanto não tiver uma época completa com o bólido.

“Não é só se acostumar com o carro ou como acertá-lo. É principalmente a experiência que não tem. Com a Toro Rosso, tive a experiência do ano passado e sabe-se um pouco mais da direcção a seguir”, ponderou.


FÓRMULA 1
Os mais bem
pagos da grelha


Lewis Hamilton pode ser o desportista mais bem pago do Reino Unido, mas não é o piloto de Fórmula 1 que mais recebe, apesar do seu estatuto de campeão do Mundo em título. Quando se somam todos os euros ganhos ao longo do ano, a "pole position" é de Sebastian Vettel, que se tornou no mais bem pago da F1, desde que assinou o contrato de três anos com a Ferrari.

O alemão recebe 50 milhões de dólares por ano (cerca de 43,8 milhões de euros), além dos bónus acordados com a Scuderia, em função dos resultados obtidos. O ano passado, recorde-se, conseguiu três vitórias… E isto são só ordenados, não se fala das verbas facturadas em contratos publicitários, o que torna Vettel num dos desportistas mais bem pagos da actualidade.

Com a renovação do contrato com a Mercedes de que tanto se falou no ano passado, em que quis fazer valer o estatuto de campeão do Mundo conquistado em 2014, Hamilton alcançou uma choruda verba de 27,2 milhões de euros anuais, a que se juntam também os bónus por resultados. Isso deixa-o apenas aparentemente na terceira posição dos pilotos mais bem pagos mas, atendendo às vitórias conseguidas no ano passado, terá passado largamente os 35,1 milhões de euros que a McLaren paga a Fernando Alonso, mas sem quaisquer bónus mais.

Pelo quadro divulgado se percebe a delicadeza de que se revestem as negociações para a renovação do contrato de Nico Rosberg com a Mercedes e também porque é que o alemão não tem grande pressa. Com este início de época a correr-lhe tão bem e a ganhar a metade do colega de equipa, estará à espera de ver se consegue mesmo fazer o título cair para o seu lado para ganhar força negocial na discussão das "toneladas" de euros.

Jenson Button prolongou o seu contrato com a McLaren por mais um ano (2016), mas para isso teve de baixar o seu salário anual, de 14,9 para 10,5 milhões de euros.


NOVO TURBO
Honda actualiza motores


O chefe da Honda para a F1, Yusuke Hasegawa, previu um fim de semana difícil no GP do Canadá. Com a disposição de atenuar as dificuldades previstas para Montreal, a fábrica japonesa decidiu gastar duas das 14 fichas de desenvolvimento disponíveis nesta época e realizou a primeira actualização no motor usado pela McLaren com Fernando Alonso e Jenson Button. No circuito Gilles Villeneuve, os pilotos vão ter um novo sistema de turbo.

A actualização não vai implicar em punição com perda de posições na grelha. Trata-se do terceiro turbo a ser utilizado por Alonso e Button na época, ao passo que o limite é de cinco. Assim, os pilotos podem largar até mesmo com uma expectativa melhor em termos de posição no alinhamento inicial. Nos GPs da Espanha e de Monaco, Alonso disputou o Q3.

A adopção de um novo turbo não tem muito a ver com a busca por uma maior potência do motor, mas sim o de melhorar a eficiência da unidade de potência. Assim, Alonso e Button têm a oportunidade, em teoria, de obter uma carga melhor de energia a cada volta e isso deve implicar em alguma melhoria no tempo da volta.

Hasegawa realizou trabalhos de testes com o novo turbo no dinamómetro da fábrica da Honda, em Sakura, no Japão, e sentiu-se confiante para colocar a mudança em prática para o Grande Prémio do Canadá, segundo a revista britânica ‘Autosport’.

No que diz respeito a outras actualizações, a fornecedora espera um pouco mais para testar as mudanças antes de gastar mais fichas de desenvolvimento.

O GP do Canadá também vai marcar a adopção de um novo combustível de Mobil, fornecedora da McLaren. Desenvolvido pela Mobil em parceria com a Honda, a nova gasolina traz a expectativa de melhoria de tempo de volta em cerca de 0s1. A petrolífera norte-americana já trabalha para o desenvolvimento do combustível de 2017.