Jornal dos Desportos

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Morte de Ganino empobrece o tnis nacional

Francisco Carvalho - 23 de Fevereiro, 2019

Pinto

Fotografia: Edies Novembro

\"O meu principal objectivo era o trabalho. Trabalhar, treinar e evoluir são as coisas que precisava e estava à procura para alcançar os níveis muito altos e maximizar as capacidades. Esse era o único caminho: treinar bem, ser humilde e ter os pés bem assentes na terra\". São palavras de Augusto Pinto \"Ganino\" que ficam para história. O treinador dos treinadores angolanos de ténis vai a enterrar amanhã no cemitério do Benfica em Luanda. Aos 71 anos de idade, Ganino morreu na última quinta-feira no Hospital do Prenda, onde havia sido levado na segunda-feira para tratar de doença.
O ténis perde um dos maiores activos. Consternados, os antigos alunos de Augusto Pinto \"Ganino\" lamentam a morte do \"pai\". João Almeida, hoje, nas vestes de treinador, afirma que \"Ganino deixa uma obra, ensinamentos e legado\".
\"Os homens passam, mas as obras ficam. Foi isso que o nosso \'mestre\' fez. Tudo quanto aprendeu, ensinou-nos. Cada um de nós, que passou nas suas mãos, tem um pedaço dele cravado no coração. A sabedoria de mestre fica para sempre\", reconheceu
Plínio Pedro, outro ex-aluno, afirmou que \"Ganino foi uma referência pela sua conquista pessoal, pois sempre incentivou as crianças à prática do ténis\".
\"O nosso treinador (Ganino) formou muitos atletas, dos quais muitos hoje são os treinadores. É uma pena saber que deixou o mundo de vivos\", disse Plínio.
Movido pela morte, o Clube de Ténis de Luanda criou uma comissão de apoio à família formado por Eduardo Gonçalves (director da instituição) e João Almeida (treinador). Em nome da comissão, João Almeida prometeu \"um funeral condigno ao mestre\". 
Augusto Pinto entrou no ténis aos 16 anos de idade, antes da independência nacional. Após o 11 de Novembro de 1975, Ganino representou quatro clubes grandes: Petro de Luanda (1980), Dínamos de Angola (1981),  TAAG (1982) e Sagrada Esperança (1985-1988). Com o último, conquistou quatro títulos nacionais em seniores. Foi o seu momento mais áureo da carreira.