Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Motocross em alvoroo por alegada discriminao

H?LDER JEREMIAS - 01 de Julho, 2017

Piloto da Tranchipeta (no centro) pondera abandonar a competio

Fotografia: Vigas da Purificao| Edies Nouvembro

Makas e mais makas. O Campeonato provincial de Luanda de motocross vai a meio da época 2017 e \"os grandes descontentamentos\" começam a pintar o cenário do recinto do Gamek. O grito de Fernando Baptista \"levanta poeira\" na sede da Associação. Agastado com o modelo de gestão adoptado, o piloto da Transchipeta acusa a equipa liderada por Carlos Soweto de discriminar os angolanos.

O descontentamento de Fernando Baptista é sustentado pelo tratamento atribuído a pilotos estrangeiros que representam a equipa Dinamith. O angolano alega que a Associação é recorrente na alteração de datas de provas e ajusta-as em função da disponibilidade dos pilotos namibianos Ruhan Gous e Karl Hanz.

\"Quando a Associação de Luanda se apercebe que Ruhan Gous vai disputar uma prova no seu país, o calendário sofre alteração\", desabafou. Para Fernando Baptista, a prática discriminatória desmotiva os pilotos angolanos que mais se empenham para que a competição tenha os níveis desejados.

Perante a realidade, pondera a \"desistência do campeonato provincial\", não obstante estar a ser \"implorado\" por pessoas que gostam da sua actuação na pista para  se manter na competição. “É triste para qualquer um de nós constatar que todos os méritos são atribuídos aos pilotos de fora, quando quem mais se esforça são os pilotos nacionais.

Tenho de me deslocar de Benguela para Luanda, em quase todas as provas, o que implica gastos consideráveis nas minhas economias pessoais. Infelizmente, ninguém leva isso em consideração\", disse. O piloto da Transchipeta defende que a Associação não pode prejudicar os angolanos, em detrimento de estrangeiros, por vetar os interesses da classe nacional.

Reconhece a importância de intercâmbio de experiência com actores de outras latitudes, mas considera \"uma autêntica injustiça\" a discriminação. O piloto de Benguela informou que perdeu uma passagem para o exterior do país, devido ao adiamento de uma das provas. Prometeu que, nas próximas ocasiões, não vai voltar a acontecer. Aconselha a direcção de Carlos Soweto a adoptar \"uma postura mais coerente\" no tratamento com os pilotos.

Segundo classificado da tabela geral de classificação, Fernando Baptista afirma que a conquista do título está ao seu alcance. Tudo depende de uma série de factores, tais como a disponibilidade de meios para estar presente em todas as provas e uma preparação rigorosa dos aspectos físicos e técnicos.

“Tive uma boa prestação na quarta jornada. Venci a primeira manga e ocupei o segundo lugar na outra, diante do Ruhan Gous que obteve um primeiro lugar e um terceiro. Neste momento, ocupo o segundo lugar na tabela com 16 pontos de diferença de Ruhan. Tudo indica que estou a progredir e o título está ao meu alcance”, perspectivou Fernando Baptista.