Jornal dos Desportos

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Márquez valoriza Yamaha

19 de Fevereiro, 2017

Marc Márquez avaliou que Valentino Rossi e Maverick Viñales são os seus principais rivais na época

Fotografia: AFP

A fase de testes das máquinas indicia equilíbrio para a época 2017. Marc Márquez já tem a sua lista de potenciais rivais e aponta a dupla da Yamaha, Dani Pedrosa e as Ducati. O tricampeão mundial assegurou o segundo melhor tempo na segunda série de testes colectivos da MotoGP em Phillip Island. O número 93 completou 96 voltas e a melhor ocorreu em 1min28s843, a 0s293 de Maverick Viñales, o líder dos trabalhos.

Na conferência de imprensa, Marc Márquez avaliou que teve oportunidade de perseguir Viñales e constatou a força da YZR-M1.

"Vi-me atrás dele e consegui segui-lo por algumas voltas, o que foi interessante, assim como também foi perseguir as Ducati e as Suzuki. A Yamaha tem uma moto muito competitiva e vai ser difícil batê-la", disse Márquez.

Ciente de que apenas a primeira corrida vai dar uma ideia real da ordem de forças de 2017, Marc Márquez acredita que vai ter de enfrentar o seu próprio colega de equipa e ficar atento às Ducati, além das Yamaha.

“Vamos ver quem são os nossos rivais na primeira corrida. Os testes são completamente diferentes das corridas. Creio que Viñales e Rossi vão estar à frente”, opinou.

O espanhol da Honda assegurou que “as Ducati tiveram mais dificuldade na Austrália", mas "tenho de ficar atento; Pedrosa também vai ser forte neste ano”.

Indagado sobre o ponto forte da YZR-M1, Marc respondeu: “A Yamaha é muito estável nas curvas rápidas, enquanto a minha é mais nervosa; tenho o mesmo problema todo o ano. Estamos a trabalhar para resolver isso”.

AVANÇO DA HONDA
Apesar dos bons tempos e do ritmo de corrida impressionante que exibiu ao longo da semana, Márquez sempre se mostrou preocupado em relação ao comportamento da RC213V, mas afirmou que a Honda conseguiu dar um importante passo no último dia de corrida.

“Encontramos uma estradinha, um caminho bem estreito. Disse à equipa a mesma coisa todos os dias que estamos a perder alguma coisa na electrónica e no motor. Felizmente, houve bastante melhoria, o grupo fez uma grande mudança e gastou-se muito tempo para tentar coisas grandes”, disse Márquez.

O tricampeão destacou que, em quase todas as saídas, os tempos de cada volta melhoraram e sentiu-se melhor na moto. "A equipa começou a entender o que quero com este motor. Ainda não atingiu o pico, mas está a ficar melhor", reconheceu o campeão de 24 anos de idade.

Marc Márquez avaliou que os testes em Phillip Island foi o momento ideal para a Honda conseguir avançar, a uma série de testes finais da época 2017.

"Fizemos mais de cem voltas por dia, gastámos muito tempo, mas isso é normal. Temos de entender. É importante chegar ao Qatar e, desde o princípio, ter uma boa base. Durante o fim de semana de corrida, não podemos fazer cem voltas por dia. O tempo é muito menor”, considerou.

“A HRC está a tentar resolver os problemas que sinto e também passo a passo estamos a tentar, talvez, ter algo mais com o motor. Desde o primeiro dia da pré-época até agora, os engenheiros melhoraram muito”, opinou.

O espanhol afirmou o caminho para atingir a boa velocidade. “Ainda restam mais três dias no Qatar e vamos tentar melhorar ainda mais. A partir da primeira corrida, sabemos que o motor está congelado. Vamos trabalhar duro nesses três dias”, encerrou.


TESTE EM PHILLIP ISLAND
Lorenzo vê evolução da Ducati


Jorge Lorenzo completou a segunda série de testes de pré-época de 2017 da MotoGP com o oitavo melhor tempo. O número 99 fez a melhor das suas 75 voltas em 1min29s342 e ficou a 0s793 de Maverick Viñales, o líder. 

Com o domínio do novo piloto da Yamaha nas três séries de testes realizadas até aqui, Jorge Lorenzo foi questionado se se arrependia de deixar a YZR-M1 para trás para se aventurar com a Ducati. O espanhol garantiu que está feliz com a sua decisão. “Não me arrependo, em absoluto, da mina decisão. Estou muito feliz. Na Ducati, todo o mundo me trata muito bem, sinto-me fenomenal nesta equipa; é muito profissional. Estou a trabalhar muito confortavelmente com Cristian Gabarrini, em especial, e com o resto da equipa. Estou muito feliz aqui”, garantiu Lorenzo.

Com 0s793 atrás do líder ao fim da segunda série de testes da pré-época, Lorenzo avaliou que a Ducati deu um passo à frente, mas ressaltou que ainda tem de trabalhar para ter uma moto mais completa.

“O teste da Austrália significa um passo à frente. Ser competitivo em Sepang era mais fácil, mas aqui foi mais difícil para as Ducati serem rápidas. Por conta do vento, do tipo de curva, por não haver muitas áreas no circuito em que pode abrir o acelerador ao máximo, por muitos motivos era difícil ser rápido. No final, conseguimos”, apontou.

O último campeão pela Yamaha revelou que quando o circuito estava em melhores condições, não colocaram o pneu mais macio. "Pelos motivos que sejam, fizemos do dia, quando as condições não eram as melhores. Seguramente, poderíamos melhorar em três décimos o nosso melhor tempo”, disse.


NA AUSTRÁLIA
Pedrosa destaca performance


Depois de um início discreto, Dani Pedrosa conseguiu dar a volta por cima e concluir a segunda série de testes da pré-época 2017 da MotoGP no topo da tabela. O espanhol completou um total de 65 voltas, a melhor delas em 1min29s033  e ficou com o terceiro melhor tempo, 0s484 atrás de Maverick Viñales, o líder.

Vindo de um dia mais apagado por conta de um mal-estar, Pedrosa resumiu o teste como positivo e elogiou o trabalho da Honda em Phillip Island.

“Foi um teste muito positivo, porque esta é uma das minhas piores pistas. Melhorei dia após dia. Estive bem no primeiro dia e não estava a sentir-me bem, mas no segundo dia, senti-me um pouco melhor e conseguimos fazer um bom trabalho na pista”, disse Pedrosa.

O espanhol da Honda Repsol explicou que a equipa trabalhou "muito bem" e todos estavam concentrados, mais uma vez, na electrónica e no acerto da moto. A única coisa que faltou foi o long-run, já que ficaram sem tempo.

Dani destacou que a Michelin também conseguiu melhorar a performance do pneu dianteiro. Os compostos foram uma grande dificuldade do espanhol em 2016.


AVALIAÇÃO
Viñales celebra na Austrália


Maverick Viñales continua invicto na pré-época 2017 da MotoGP. Depois de ditar o ritmo nos testes de Valência e da Malásia, o número 25 voltou a repetir a dose e comandou a classe rainha no último dia em Phillip Island.

Na final da segunda série de testes colectivos, Maverick completou 101 voltas, a melhor delas em 1min28s549, 0s293 mais rápido que Marc Márquez, o segundo colocado.

“Foi um teste muito positivo para nós. Viemos para testar muitos itens. Agora, temos as coisas claras e já sabemos qual acerto podemos começar a usar no Qatar”, disse Viñales.

O jovem que procura o primeiro título na categoria rainha do motociclismo mundial assegurou que trabalharam muito e está "feliz com isso".

“Concentramo-nos principalmente no ritmo de corrida e estou satisfeito, mas ainda somos capazes de melhorar”, garantiu.

Quando resta apenas mais uma série de testes nesta pré-época, Viñales afirmou que a Yamaha ainda não definiu qual a carenagem vai usar. A equipa nipónica apresentou em Sepang a sua alternativa ao fim das asas aerodinâmicas.

“Ainda não decidimos em relação a carenagem. Está totalmente aberto e nunca se sabe”, concluiu.


DESCONTENTE
Valentino Rossi vê pior teste

Valentino Rossi não teve a melhor das suas actuações no último dia da segunda série de testes da pré-época 2017 da MotoGP. O número 46 completou um total de 52 voltas, a melhor delas em 1min29s470, 0s921 mais lento que Maverick Viñales, o líder dos trabalhos.

Ao longo dos três dias, Rossi melhorou apenas 0s213, contra 1s440 de melhora de Viñales, por exemplo. Dono do segundo tempo, Marc Márquez avançou 0s754 entre o primeiro e o terceiro dia em Phillip Island.

O italiano, que completou 38 anos na quinta-feira, destacou que não focou em fazer uma volta rápida, mas ficou atento ao ritmo de prova, já que a Yamaha sofreu com o desgaste dos pneus na segunda metade das corridas no ano passado.

“Tive muita dificuldade com os dois pneus, especialmente o dianteiro. Essas condições, esta temperatura é completamente diferente da do GP, e o pneu era um pouco macio demais. Mas, sinceramente, não era o meu programa principal”, disse Rossi.

O nove vezes campeão mundial assegurou que tentaram trabalhar bastante no ritmo para a segunda metade da corrida, porque sofreram no ano passado.

"Tentamos algo um pouco diferente, mas, no fim, não melhoramos muito. Temos de tentar alguma outra coisa”, explicou. 

Valentino elogiou a nova YZR-M1, mas reconheceu que não foi um bom teste e que precisa melhorar a sua performance na série final em Losail.

“A moto tem bons aspectos, especialmente em relação ao motor, maseste teste foi mais difícil para mim. Então, não estou muito feliz”, admitiu Rossi que destacou a necessidade de melhorarem no Qatar.

Questionado sobre como resume a série de testes de Phillip Island, Rossi respondeu: “Trabalhamos muito para tentar melhorar o feeling da moto com pneus usados, colectamos muitas informações, fizemos um trabalho duro, mas, no fim, não resolvemos os nossos problemas. Então temos de tentar outra coisa no Qatar”.

Mesmo assim, Rossi acredita que não está muito longe de Viñales e Márquez, os líderes na Austrália.“Estou bem próximo, apesar de Phillip Island ser uma pista estranha. Além disso, aqui, como na Malásia, os mais rápidos foram Márquez e Viñales. Vamos trabalhar para chegar mais perto deles”, avaliou.