Jornal dos Desportos

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Mudança nos motores promete reviravolta

09 de Dezembro, 2013

Novos motores nos monolugares obrigam os engenheiros a trabalharem arduamente

Fotografia: AFP


A mudança de regulamento de motores para a época de 2014, anunciada em 2011, tem obrigado os engenheiros a trabalhar arduamente e pode criar resultados imprevisíveis nas primeiras corridas do calendário.
Para continuar a cortar custos, a categoria determinou que os motores V8 de 2,4 litros, usados até o final de 2013, sejam substituídos por motores V6 de 1,6 litros dotados de turbo. Com motores menores, os carros vão passar a adoptar o Sistema de Recuperação de Energia (ERS, versão actualizada do Kers), capturando força das travagens. O ERS, porém, vai ter o dobro de potência da versão anterior e fornecer mais energia aos carros.
Os carros de 2014 vão ser “mais eléctricos”, movendo-se com combustível fóssil e um sistema complementar de energia. Para deixar claro o carácter “híbrido” dos carros, os tanques de combustível vão ter as capacidades reduzidas de 140 kg para 100 kg.
E é com isso que as equipas têm de trabalhar nos últimos dois anos. Sem exagero, é o tempo em que alguns engenheiros trabalham nos projectos para 2014. Para Guy Lovett, gerente de tecnologia da Shell para a Ferrari, o desafio das equipas vai ser equilibrar essa conta: ter carros económicos, potentes, duráveis e competitivos. Tudo ao mesmo tempo.
“Não se trata apenas do combustível, mas de toda a energia do carro. Os pilotos vão ter de adaptar os seus estilos a isso”, afirmou Lovett, sem saber precisar se o resultado da conta vai ser o ideal.
Guy Lovett ressaltou que “uma das experiências que as pessoas mais gostam na F1 é ouvir o barulho dos motores e o som vai mudar”.
A Ferrari e a Shell têm trabalhado no carro de 2014 há um ano e meio, segundo Lovett. Na Lotus, o trabalho começou antes, há dois anos. Na equipa de Enstone (Inglaterra), cerca de 5,5 mil funcionários trabalham para tirar o carro do papel desde 2012, utilizando dados de telemetria recolhidos desde então. O desafio na equipa agora é colocar na pista um carro construído desde o início em conjunto com o motor.
“No próximo ano, vamos trocar os motores. Com o turbo, temos uma tecnologia diferente. Vamos utilizar tecnologia inutilizada (ERS). É uma tecnologia nova. Vamos criar o carro já com o motor. É algo novo”, explicou Fleur Foster, gerente de parcerias da Lotus.
Nem todo o mundo resistiu a essas exigências. A Cosworth, que equipou os carros da Marussia, deixou a categoria mais uma vez após o GP do Brasil de 2013. Os carros da equipa russa vão ser equipados pela Ferrari. A Honda trabalha para voltar dentro das exigências em 2015.
A Toro Rosso vai ter motores Renault (assim como a Red Bull) em 2014, enquanto a Williams vai ser empurrada por motores Mercedes. Diante da exigência de planeamento e da restrição de testes, as trocas de fornecedoras de motores são riscos a mais para as equipas que procuram a evolução.
“Há uma limitação no número de testes, então isso compromete o trabalho das equipas. Mas a limitação é a mesma para todas”, despista Guy Lovett, que vê um “processo de desenvolvimento contínuo” nos motores a partir do início da época. A opinião é semelhante à de Lewis Hamilton, piloto da Mercedes.

AVALIAÇÃO
Ferrari revela causa de má época

Acostumada a figurar constantemente no topo do Mundial de Construtores, a Ferrari finalizou a época de 2013 da Formula 1 na terceira posição. Em 2011, o resultado foi o mesmo, mas, neste ano, a desvantagem para a campeã Red Bull foi de impressionantes 242 pontos. Responsável pela área técnica da equipa italiana, Pat Fry apontou um problema no Grande Prémio do Canadá, o sétimo da época, como determinante para o mau desempenho da equipa em 2013.
De acordo com o engenheiro, a calibragem do túnel de vento, tão criticada durante toda a época, foi um factor que pouco prejudicou a equipa vermelha.
“Não tenho a certeza se podemos apontar a calibragem do túnel de vento como causa”, disse.
O engenheiro realçou que durante o Inverno tiveram um período razoável de desenvolvimento e uma melhoria sensível. “As actualizações para a primeira corrida funcionaram bem, algumas peças foram melhores do que esperávamos.”
Para Fry, a decadência da Ferrari durante o ano começou após a verificação de um componente defeituoso em Montreal, no Canadá, na sétima prova da época. Até aquela disputa, a equipa já tinha conquistado duas vitórias, ambas com Fernando Alonso (na China e na Espanha). Depois do Grande Prémio no país da América do Norte, porém, o desempenho italiano baixou consideravelmente, a equipa foi incapaz de ganhar outra das 12 corridas restantes e teve de se contentar em terminar o ano na terceira posição do Mundial de Construtores.
“Na realidade, houve uma carenagem diferente que levamos para o Canadá e tínhamos dúvidas de como funcionava. Custou a entendê-la. Se se perguntar em que momento o nosso desenvolvimento começou a sair de controlo, dizia que foi ali”, acrescentou o engenheiro, que ainda afirmou que a Ferrari teve problemas ao corrigir o problema, pois o desenvolvimento do carro em Maranello já estava bastante adiantado e era impossível parar e recomeçar a partir de Montreal.
“Quando se está a desenvolver, se houver uma coisa que não está a 100 por cento, o que se espera e o que fazer com isso?”, questionou.
Paty Fry justificou que “por causa da evolução do modelo do túnel de vento” foi impossível identificar “muitos outros problemas que apareceram”, porque estavam quatro ou seis semanas à frente.
Para a próxima época, a Ferrari já anunciou mudanças consideráveis. Felipe Massa saiu para a Williams e Kimi Raikkonen, campeão mundial em 2007 com a equipa italiana, foi anunciado como companheiro de equipa de Fernando Alonso. Em 2014, as disputas começam no dia 16 de Março, com o Grande Prémio da Austrália.

PRECURSOR
Vettel admite ansiedade
por Ricciardo na Red Bull

Sebastian Vettel deixou a modesta equipa Toro Rosso em 2009 para se transferir para a até então ascendente Red Bull Racing. Cinco anos depois, Daniel Ricciardo faz o mesmo caminho, mas com a diferença de que, agora, a equipa austríaca inicia uma hegemonia na principal categoria do automobilismo mundial. Os quatro títulos consecutivos no Mundial de Construtores são prova disto. Precursor da “conexão Toro Rosso-Red Bull”, Vettel elogiou o seu novo companheiro de equipa e admitiu ansiedade por correr ao lado do australiano.
“É uma grande oportunidade para o Daniel”, disse o alemão, em entrevista à ESPN.
O alemão afirmou que “de alguma forma” é a mesma situação que viveu em 2009, mas agora a equipa tem muito mais sucesso. As expectativas de Ricciardo podem também ser maiores do que foram as suas. Mas, no fim de tudo, a grande mensagem que fica é que Daniel tem uma oportunidade para crescer. “Estou ansioso para correr com ele”, acrescentou.
O tetracampeão mundial, que recebeu o troféu da época 2013 em Paris, ainda comentou sobre as expectativas da próxima época. Algumas mudanças fundamentais, como a substituição dos motores V8 aspirados de 2.4 litros, pelos V6 turbo-comprimidos de 1.6, vão ter lugar já a partir da primeira corrida.
Para Vettel, porém, tais modificações só vão ser sentidas e “absorvidas” pela equipa quando os carros forem para a pista. “Duvido do poder dos simuladores. Sinceramente, o mais importante é ver como os carros vão comportar-se na pista. Vão ser diferentes, com o motor diferente e as mudanças vão ser significativas”, avaliou o alemão.
Em 2014, as disputas da Fórmula 1 começam no dia 16 de Março, com o Grande Prémio da Austrália e, ao contrário dos últimos três anos, vão ser finalizadas fora do Brasil. A corrida em Interlagos vai ser a penúltima da época. O Grande Prémio de Abu Dhabi, a 24 de Novembro, é a última prova. Outra mudança vai ser em relação ao número de provas: ao invés das 22 etapas previstas, vão ser ‘apenas’ 19.

PERSONALIDADE DA FIA
Robert Kubica
ganha prémio

O ex-piloto de Fórmula 1, o polaco Robert Kubica, venceu o prémio de “Personalidade do Ano” da Federação Internacional de Automobilismo, após uma época de sucesso no rali. O ex-piloto da Renault, que luta para recuperar de um acidente quase fatal que encerrou a sua carreira na Fórmula 1 em 2011, venceu a segunda divisão do Mundial de Rali na primeira tentativa e tenta transferir-se para elite no ano que vem. O prémio foi concedido numa gala em Paris, na última sexta-feira, depois de uma votação entre os jornalistas permanentemente credenciados para cobrir os campeonatos mundiais da FIA. Kubica liderou uma lista de dez candidatos, que incluía o tetracampeão mundial de Fórmula 1 da Red Bull, Sebastian Vettel,