Jornal dos Desportos

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Mulheres afegãs lutam em segredo

29 de Abril, 2015

Depois de coleccionar troféus em diferentes torneios internacionais Salma Hussaini tornou-se na primeira treinadora do Afeganistão e a primeira muira mulher a ocupar o cargo de seleccionadora da equipa nacional feminina de taekwondó

No Afeganistão, a prática de desporto pode ser considerada uma odisseia para as mulheres. Muitas atletas lutam para vencer tabus sociais, que as condenam a treinar quase em segredo e quando os homens permitem.

Humaira Mohammadi, uma jovem de 18 anos, que pratica taekwondo relatou à agência Efe: “Não temos um ginásio para meninas em Cabul e usamos os de meninos num segundo ou terceiro turno, quando terminam de treinar”.

Essa arte marcial é um desporto popular no país asiático.
Só na capital afegã existem 165 ginásios especializados, em taekwondo, mas nenhum especificamente para mulheres, que ficam incomodadas por terem de compartilhar as instalações com os homens.

Mohammadi lamenta, que apesar de “centenas de meninas estarem interessadas, só algumas têm permissão para treinar nesses ginásios”, depois de superarem a oposição das famílias.

“Sem apoio financeiro do governo e das nossas famílias, temos de arcar com os custos”, comenta a atleta, que já conquistou quatro medalhas de bronze em torneios internacionais.
As dificuldades económicas são tantas, que as mulheres não têm uma alimentação adequada.

“Sempre temos de minimizar os treinos, antes de uma competição, porque não nos concedem os custos de alimentação nem de transporte”, disse.
A jovem representou o país junto a Lila Hussaini e Suhaila Hamidi no 26º Fajr Open, G-1, que o Irão acolheu em Fevereiro, o torneio mais tradicional de taekwondo na Ásia e um dos mais importantes do mundo.

Contra todas as dificuldades, Salma Hussaini, tornou-se aos 34 anos de idade, a primeira treinadora de taekwondo no Afeganistão e comanda a selecção nacional feminina, que apesar de tantos obstáculos acumula uma longa lista de medalhas em competições mundiais.

Hussaini também dirige o Comité de Mulheres dessa especialidade no seu país, que sofre há décadas com a violência. As atletas recorreram a “ginásios secretos” nas províncias como Helmand e Kapisa, onde a pressão dos talibãs representa um obstáculo à mais.

O regime talibã proibiu às mulheres de praticar desporto até 2001, quando foi derrubado com a invasão dos Estados Unidos da América, mas 13 anos depois a insegurança ainda persiste em boa parte do país. “Não quero medalhas para a minha filha, só quero vê-la viva e segura”. É a resposta mais escutada pela treinadora, quando pede aos pais permissão para as meninas irem ao ginásio.

A técnica mantém “guerra fria com as famílias, muitas vezes em visita às casas para garantir que nada vai acontecer às meninas”, de acordo com Salma.
O pai, a mãe ou até mesmo um irmão mais velho impedem que a menina pratique taekwondo por medo de falta de segurança.
Por outro lado, porque precisa compartilhar as instalações com homens ou vestir roupas que consideram inadequadas a uma mulher.

Salma Hussaini revela que o Comité Olímpico afegão privou a selecção nacional feminina de uma treinadora, que as acompanhasse no exterior, durante dez anos. Por outro lado, diz que construíram um ginásio, mas está fechado e não deixam as meninas treinar por diferenças entre os dirigentes.
As atletas têm de andar quilómetros a pé até chegar ao local de treinos, já que “são completamente insuficientes” os mil afganis (cerca de 20 dólares) que as integrantes da equipa nacional recebem por mês, conforme a
treinadora.

O secretário-geral da Federação Nacional de Taekwondo, Mirwais Bahawi, admite que existe esse problema, mas garantiu à agência Efe que trabalha para resolvê-lo, de modo que “as mulheres desfrutem dos seus direitos e tenham acesso a todos os serviços disponíveis futuramente”.

O dirigente afirma que “deve haver mais clubes de meninas no país, mas não estão registados na federação por alguns problemas”.
Há cerca de 30 clubes femininos registados nas províncias de Cabul, Bamyan, Parwan, Herat, Ghazni e Balkh, dos quais 12 estão localizados na capital afegã.
Dos cerca de 40 mil praticantes de taekwondo.

LUTA OLÍMPICA
Brasil recebe Mundial Júnior em Salvador


O Brasil vai receber pela primeira vez no continente panamericano, um Campeonato Mundial de luta olímpica. O palco vai ser a cidade de Salvador, entre os dias 11 e 16 de Agosto. O presidente da Confederação Brasileira de Luta Olímpica (CBLA), Pedro Gama Filho, disse que “era um grande sonho trazer um evento desse porte ao Brasil”.

O responsável assegurou, que conseguiram realizar diversos campeonatos Pan-americanos da modalidade e agora, antes de 2016, conseguiram acolher o campeonato mundial júnior, que “vai ser importante para a divulgação do desporto”.

São esperadas mais de 50 mil pessoas, ao longo de dez dias de evento, com direito à transmissão para todos os continentes, e 600 atletas, com idade até 20 anos, de 100 países. Acolher grandes competições faz parte da estratégia de massificar a modalidade no Brasil.

A táctica está alinhada ao desenvolvimento da luta nas localidades, com a política de descentralização, a estruturação com equipamentos qualificados e a excelência desportiva a promover os resultados e a renovação.

O presidente da Confederação Brasileira de Luta Olímpica assegura, que esperam continuar a crescer, depois do resultado da Aline Silva, medalha de prata no campeonato mundial de 2014. Para o dirigente, “é muito difícil alcançar” e não querem retroceder.

“O grupo feminino é um grupo muito forte e qualquer uma pode conseguir um grande resultado.
O grande trunfo da luta feminina é o grupo. Chegamos para ficar”, disse. Numa década, o desporto conseguiu alcançar um patamar que oferece equipamentos de ponta aos atletas em todo o Brasil, viagens internacionais para competir nos principais eventos internacionais e a contratação de treinadores estrangeiros.
A luta olímpica passou de 100 atletas em todo o Brasil para mais de 2 mil lutadores filiados na Confederação Brasileira de Lutas Amadora, além de 100 mil praticantes em todo país.