Jornal dos Desportos

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Mulheres superam homens dos EUA

05 de Agosto, 2015

Katie Ledecky e Missy Franklin assumiram a responsabilidade de colocar os Estados Unidos na liderança de medalhas

Fotografia: AFP

O fracasso da selecção masculina dos Estados Unidos da América, no campeonato mundial de desportos aquáticos de Kazan, na Rússia, está a ser compensado pelas mulheres. A mudança de eixo envolve Katie Ledecky e Missy Franklin.

“São duas das melhores nadadoras que o planeta já viu”, segundo o técnico da natação feminina dos Estados Unidos, Dave Salo. A primeira conquistou o bicampeonato mundial dos 400m livre e estabeleceu o novo recorde da competição ao cronometrar 3min59s13 e é dona da melhor marca mundial, estabelecido em Agosto de 2014: 3min58s74. A segunda é uma veterana que ajudou a conquista da medalha de bronze na estafeta.

As jovens “veteranas” orgulharam as terras do Tio Sam. Katie Ledecky e companhia superam o conjunto masculino que não conseguiu a classificação para as meias-finais do estafeta 4X100m livre. Pela primeira vez desde 1998, a selecção masculina obteve o pior tempo. Nas individuais, Nathan Adrian (campeonato olímpico de 100m livre) e Ryan Lochte foram incapazes para evitar o fracasso do EUA. A ausência de Michael Phelps chamou a atenção.O atleta desistiu da aposentação e está suspenso da selecção por ter sido apanhado a conduzir embriagado.

Katie Ledecky formou-se há poucas semanas e já é dona de um lugar “cativo” entre os profissionais de imprensa.“Talvez isso vos desaponte, mas não sinto. É uma grande honra ver o interesse das pessoas sobre  mim que querem ver a toda hora a quebra de recordes mundiais. Isso, é baseado no que vêem de potencial em mim, mas só quero entrar na água e nadar”, disse a jovem campeã.

As cobranças têm a ver com o desempenho de Lebecky. A norte-americana chamou atenção em Londres'2012, aos 15 anos, quando obteve a medalha de ouro nos 800m livre. Depois disso, participou de quatro provas no Campeonato Mundial de Barcelona'2013 e cinco no Pan -Pacífico de Gold Coast (2015). Em nove disputas, amealhou nove ouros.Na prova qualificativa de 1.500m livre, na qual defende o título, nadou a prova em 15min27s71 e derrubou o seu próprio  recorde mundial. O cenário (actual campeã e recordista mundial) vai ser repetido por Ledecki nos 800m livre. A atleta vai nadar os 200m livre e dois estafetas (4x100m livre e 4x200m livre).

“Estou a sentir-me bem, mas há coisas para melhorar. Espero poder evoluir”, avisou a norte-americana.Missy Franklin, mais experiente, também conquistou a primeira medalha em Kazan'2015. Fez parte do conjunto norte-americano que ficou com o bronze na estafeta 4x100m livre. É a primeira das três que Missy deve nadar em Kazan. Também está inscrita em quatro provas individuais e vai tentar ao menos repetir o feito de Barcelona'2013, quando somou seis medalhas (todas de ouro).

O desempenho de Missy, em 2013, foi o recorde de ouros por uma mulher num Mundial. A norte-americana foi mais três vezes ao topo do pódio em Xangai-2011 e o total de conquistas (nove) também é inédito na história.A lista dos feitos da nadadora, de apenas 20 anos, ainda conta com cinco medalhas olímpicas (quatro ouros e um bronze) conquistadas em Londres'2012.

Até Março deste ano, Missy nadou pela universidade. A norte-americana tornou-se profissional, assinou com um agente que tem trânsito entre estrelas de Hoollywood e voltou a morar em Denver. Por lá, retomou os treinos com Todd Schmitz, que a acompanhava na infância. A rotina com o profissional inclui ioga e dança.A natação norte-americana continua uma potência. Isso é inegável. Em Kazan'2015, as protagonistas do desporto no país são as mulheres.

PROVA DE MARIPOSA
Manaudou encerra hegemonia de Cesar Cielo


O francês Florent Manaudou conquistou a medalha de ouro na final masculina dos 50m borboleta do Mundial de desportos aquáticos de 2015, em Kazan, Rússia. Com tempo de 22s97, deixou o brasileiro Nicholas Santos em segundo (23s09) e a terceira posição foi dividida entre o húngaro Laszlo Cseh e o polaco Konrad Czerniak (ambos com 23s15). O bicampeão da prova em Xangai-2011 e Barcelona-2013, Cesar Cielo fez o sexto tempo (23s21). O brasileiro reconheceu que não está a nadar bem e sente grande decepção.

“É um pouco triste saber que tinha a oportunidade de repetir a medalha de ouro. A tentativa de ser tri -campeão na prova de mariposa, só em 2017”, disse Cielo. O brasileiro já tinha sofrido para chegar às eliminatórias e às meias-finais dos 50m mariposa. Cielo reclamou de dores no ombro esquerdo, do frio em Kazan e admitiu que está longe do seu desempenho ideal. Depois do sexto lugar, o tom da avaliação foi mais resignado: “Com relação à performance é difícil; devo ficar tranquilo agora. Um dia de cada vez”.

A frustração de Cielo no pós-prova contrastou com a alegria de Nicholas Santos. O nadador de 35 anos, que já tinha sido quinto em Roma-2009 e quarto em Barcelona-2013, foi ao pódio pela primeira vez. Foi a primeira medalha da natação brasileira em Kazan'2015.“O objectivo era o ouro. Queria ser campeão mundial na curta e na longa, mas foi a prata. A natação é isso. Só tem feras. A final é completamente diferente. O barulho feito pelos adeptos vibra o nosso corpo.