Jornal dos Desportos

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Multa mancha imagem de Angola

28 de Setembro, 2014

Os esforços da Federação Angolana de Andebol fracassaram no sentido de evitar a ausência de equipas masculinas

Fotografia: Jornal dos Desportos

A imagem de Angola fica manchada na Taça dòs Clube Campeões Africanos, que se disputa de 8 a 19 de Outubro próximo, em Tunis, Tunísia, com a ausência de um representante na prova masculina. A constatação foi feita por diversas pessoas contactadas ontem em Luanda pelo Jornal dos Desportos.

A direcção da Federação Angolana de Andebol, liderada por Pedro Godinho, vai pagar à Confederação Africana de Andebol (CAAH) uma multa avaliada em 20 mil dólares norte-americanos (cerca de dois milhões de kwanzas) por "ocupar" um lugar na competição masculina e não confirmar a inscrição da equipa campeã.

Numa ronda feita ontem, pessoas contactados pela reportagem do Jornal dos Desportos manifestaram inquietação com à gestão da Federação Angolana de Andebol. Para alguns, a má planificação da calendarização das competições desportivas está na base da "péssima" imagem que o país tem este ano na CAAH.

Martins Kilamba, técnico de informática, realçou que a "ocupação de espaço" feita pela Federação Angolana, num momento em que decorriam as competições internas (masculina e feminina) reflecte o desconhecimento das regras de boa gestão.

"Ainda que a Confederação Africana tenha alterado o seu programa de competições, Angola foi avisada com antecedência do dia do sorteio e a direcção da Federação Angolana devia adoptar o diálogo com as equipas locais interessadas em participar da prova, uma vez que estavam abertas as inscrições", disse.

Kilamba assegura que "a privação da comunicação aos clubes fez com que a Federação Angolana incorresse em erro, cujo preço custa 20 mil dólares". O técnico de informática disse que "com esse valor pode-se comprar muitas bolas, camisolas, calções, sapatilhas que serviam a massificação do andebol nas escolas angolanas".

Marta Miranda, estudante universitária, ressaltou que a Federação Angolana não devia assumir o risco de "ocupar" um lugar, sem manter diálogo com as equipas interessadas.

"Nos dias correntes, o diálogo é uma ferramenta de comunicação que visa salvaguardar a imagem das instituições. O andebol angolano é uma marca conhecida no mundo e não deve ser manchada por erro de comunicação", disse.

Marta Miranda falou do impacto que se produz nas organizações sem comunicação: "Sabemos que o 1º de Agosto esteve representado em duas competições africanas no ano passado, mas no ano corrente a pretensão dos militares alterou-se após o último campeonato nacional. Tudo isso só aconteceu porque não se valorizaram os objectivos das direcções dos clubes", disse.

Marta Miranda realça que "a busca desesperada por uma equipa nacional para preencher a vaga de Angola na competição africana demonstra a falta de unidade no seio da Federação". A estudante universitária "desconfia" que "há falta de organização na planificação de competições nacionais".

O sorteio da prova africana foi realizado antes do final do campeonato nacional e, na necessidade de inscrever as equipas antes do prazo, a Federação inscreveu o campeão angolano. De forma surpreendente, o Petro de Luanda venceu a competição, mas abdicou de participar da Taça de Clubes Campeões Africanos.

O representante angolano foi sorteado no grupo B ao lado do Esperance Sportive de Túnis, FAP dos Camarões, Mandji do Gabão, e JSK do Congo Democrático.