Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Mundial muda as regras este ano

21 de Fevereiro, 2015

Para conter custos ficou regulamentado preço oito mil euros para kits da ECU e fábricas obrigadas a entregar software

Fotografia: AFP

A época de 2015, do Mundial de Superbike, vai ter o seu pontapé inicial este fim de semana, quando as 26 motos da grelha de partida se reúnem em Phillip Island para a disputa da etapa da Austrália. Além das muitas mudanças, nos quadros das equipas, o novo ano do certame também traz um regulamento novinho em folha, um código que garante o desenvolvimento da moto, enquanto defende a paridade de condições.

 A ideia inicial da FIM (Federação Internacional de Motociclismo) e da Dorna, promotora do Mundial, era adoptar integralmente o regulamento EVO, introduzido em 2014, neste ano, mas a proposta acabou descartada por pressão de algumas das fábricas, que queriam mais liberdade para mexer no motor do que o regulamento proposto da Superstock permite.

“A principal mudança acontece nos motores”, explicou Scott Smart, director-técnico do Mundial. “Os motores serão muito mais próximos dos das motos de rua e vão representar mais aquilo que você pode comprar nas lojas. Entretanto, vamos permitir mais ajustes do que a classe EVO permitia”, continuou.
A parte electrónica, entretanto, é a que tem mais novidades, com o Mundial de Superbikes  converte-se no único campeonato onde o desenvolvimento de software é permitido. Em comparação com a MotoGP, essa possibilidade faz muito mais sentido para as fábricas, a tecnologia desenvolvida com as motos de produção pode ser directamente transferida para as motos que vão ganhar as ruas.

Para conter os custos, o regulamento estipula um preço máximo de  oito mil euros para os kits da ECU e obriga as fábricas a entregarem o seu software para todas as equipas clientes, três vezes ao longo da época, uma tentativa de conter a disparidade entre as estruturas oficiais e satélites.

 O chamado “Superbike Kit System” deve incluir todos os componentes electrónicos e estar completamente funcional (excepto pela fiação).

A nova medida facilita  o controlo de gastos, uma vez que, com pouca margem para evolução dos motores, não há muito a ser ganho com o
desenvolvimento do software.  “Algumas vezes no ano, o software tem de ser entregue pela fábrica a todas as equipas menores. Então, agora todas as equipas menores vão saber que têm o mesmo equipamento que os da fábrica”, frisou Smart.

 Para 2015 e também para 2016, o regulamento vai continuar a permitir o uso do acelerador electrónico (Ride by Wire), mas como o “Superbike Kit System”, esse sistema também tem de estar disponível para todas as equipa que utilizam a mesma maquinaria. Este recurso teve um preço máximo estabelecido em 2,5 mil euros.

“Nós vamos continuar a permitir  que as equipas que não têm o Ride by Wire modifiquem a moto para tê-lo e isso, é válido por dois anos. Depois disso, na época 2017, todas as fábricas terão de rodar com um sistema padrão homologado. Então, em 2017, as motos que você ver nas pistas serão basicamente as motos que você pode comprar na concessionária”, detalhou Smart.

Com o novo código, o Mundial de Superbike volta a ter um único formato, com um regulamento elaborado para reduzir custos, padronizar recursos e nivelar as equipas de fábricas  e satélites.