Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Muyumba pede salvao do Benfica de Luanda

Pedro Futa - 10 de Janeiro, 2019

Joaquim Muyumba pede aos scios a realizao da Assembleia Geral para eleies

Fotografia: Junilson Antnio | Edies Novembro

\"Salvem o Benfica de Luanda\". Essa é a palavra de ordem do treinador de formação, Joaquim Muyumba. O técnico da agremiação encarnada está preocupado com o desaparecimento das modalidades de ciclismo, xadrez e, agora, o futebol. A tristeza invade-lhe a alma pelo sub-aproveitamento das infra-estruturas do clube.
\"O Benfica de Luanda possui um centro de estágio nas proximidades da Centralidade do Sequele que comporta um hotel, dois campos de futebol (um com relva natural e outro com relva sintética), um ginásio e seis hectares de terreno ao redor da academia. Não entendo os motivos que levaram a paralisação de todo o trabalho\", desabafou.
Joaquim Muyumba desconfia que a Comissão de Gestão liderada por Milton Vasconcelos está a apoderar-se das infra-estruturas para benefício próprio.
\"Retiraram o logótipo da ambulância sem motivos. Acredito que a Comissão de Gestão liderada por Milton Vasconcelos deixou de pagar os funcionários, há mais de um ano, deliberadamente, para que as pessoas esqueçam  dos seus direitos. Por outro lado, pretendem aproveitar-se das infra-estruturas de um clube de utilidade pública\", disse.
O técnico diz não haver razões de falta de verbas, pois a Academia e a sede social do clube rendem receitas. Infelizmente, o dinheiro é usado em benefício próprio.
\"As equipas pagam cem mil kwanzas por treino e a sede do clube localizada no Kinaxixi arrendou um restaurante. Portanto, não há razões para ficarmos mais de um ano sem salários. Até podem aproveitar-se dos seis hectares de terreno, mas devem fazer alguma coisa que traga dinheiro ao Benfica de Luanda\", frisou.
Joaquim Muyumba apela ao presidente da Mesa de Assembleia Geral, liderado pelo Generoso de Almeida, e aos sócios do clube a resolverem a situação na máxima urgência, sob pena de o país perder uma das maiores equipas. “É o único órgão legítimo” existente na agremiação..
“O clube está sem direcção há dois anos, desde a saída de Joaquim Sebastião. O projecto de formação ficou a cargo de Mário Rocha. Tivemos êxitos, mas de lá para cá, com a Comissão de Gestão, tudo parou. Peço aos sócios a realização de uma Assembleia Extraordinária a fim de se pronunciarem sobre as eleições. Se não acontecer com urgência, vamos perder o Benfica de Luanda\", alertou.
O Benfica de Luanda foi fundada em 1922. Após a independência nacional, o clube foi reactivado das cinzas da antiga equipa Rangol. Generoso de Almeida, Welwitchia dos Santos \"Tchizé\" e Joaquim Sebastião foram presidentes de direcção eleitos.
No histórico do clube encarnado constam títulos nacionais em xadrez e ciclismo. Arrebatou uma Taça de Angola em futebol e terceiro lugar no Girabola. As camadas de formação, mormente, iniciados, juvenis e juniores, ostentam também troféus. Em 2017, por razões financeiras, O Benfica de Luanda desistiu do Girabola. Desde então, não compete em nenhuma modalidade desportiva.
O Jornal dos Desportos contactou o presidente da Comissão de Gestão, Milton Vasconcelos, que se mostrou indisponível a prestar quaisquer declarações. Atendeu o telefone e, quando soube que era um jornalista interessado a saber da situação do clube, disse que não se encontrava em Angola. A seguir, desligou o telefone.