Jornal dos Desportos

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Modalidades

Nacional de juvenis movimenta Lobito

Júlio Gaiano, no Lobito. - 03 de Janeiro, 2016

Jovens lobitangas vão procurar manter a conquista de títulos à semelhança do passado recente

Fotografia: José Soares

Os campeonatos nacionais de andebol juvenis femininos e masculinos, que a cidade do Lobito organiza a partir de amanhã, está a mobilizar grande parte da sociedade da província de Benguela, em geral, e do município, em particular. A Administração Municipal local garante o apoio institucional e moral, augurando êxito no evento que espera reunir cerca de trinta equipas nas duas classes.

No que toca aos preparativos, a organização pauta pelo rigor o que antevê um evento acima da média, em função das entidades envolvidas no processo. Ou seja, muita gente foi chamada a intervir. A classe empresarial e demais organizações da sociedade lobitanga estão associadas ao esforço da Administração Municipal e da Associação Provincial da modalidade (Apand) de Benguela, que tudo fazem para que nada de substancial falte no decorrer do certame.

As visitas sucessivas de dirigentes afectos à Federação Angolana de Andebol (Faand) cimentam a certeza dos objectivos primados pela organização. As cidades do Lobito e de Benguela transformaram-se numa espécies de atracção obrigatória para os responsáveis do andebol que na cidade lobitanga se preparam para acolher, a partir de amanhã, um dos maiores atractivos no que a modalidade diz respeito.

Observadores atentos com o evoluir da situação daí decorrente manifestam regozijo pela forma como se entregam os organizadores nos preparativos ao certame. Sem reservas, falam mesmo de um possível êxito pelo que pode despertar a atenção e os interesses dos lobitangas na aposta da prática da modalidade no seio da camada juvenil.

Regressar aos velhos tempos de glória, que passa pelo resgate da mística perdida no tempo (a favor de Luanda) é o maior desejo dos dirigentes, pais e encarregados de educação dos petizes que no passado, ainda recente, incentivavam os filhos e sobrinhos para a prática do andebol.

Nessa fase de glória, o município do Lobito foi, sem dúvida, o maior pólo do desenvolvimento do andebol. Em tudo quanto é canto praticava-se a modalidade, fazendo dele, o hobby de grande parte da juventude.

Por hoje, as coisas mudaram e com elas se foram as vontades. E, agora com o cenário da crise financeira e económica resultante da baixa do preço do petróleo no mercado mundial, a situação agravou-se ainda mais, com o futuro do andebol a depender da astúcia e iniciativas dos seus líderes. Daí a razão da expectativa no impacto que se espera da realização dos referidos “nacionais” na cidade do Lobito.


GLÓRIA
Clubes locais longe
da performance


A última vez que a cidade do Lobito acolheu os campeonatos nacionais aconteceu entre 6 e 15 de Janeiro de 2011, com as formações locais a dominarem sobre os demais adversários. Na final feminina, o Electro do Lobito derrotou o 1º de Agosto por diferença de dois golos (14-12); ao passo que, na masculina, o feito coube a formação da BCA2 sobre o Kabuscorp do Palanca de Luanda, por 18-17.

O pavilhão gimnodesportivo engenheiro Miranda Guedes (da CPPL) foi o palco da festa do andebol que movimentou grande massa da população lobitanga apoiante da modalidade. Foi um autêntico alvoroço que o Lobito viveu naquela noite que se prolongou até à madrugada. Nessa noite, quase, ninguém dormiu, ou seja, os lobitangas despertaram acordados!

Desta vez, o cenário não vai ser tão brilhante como se gostaria. Os lobitangas vão fazer desta festa do andebol para lembrar com a nostalgia os feitos do professor Pedro Silva “Xandoca” que faleceu, no ano passado, por acidente de viação na estrada que liga o bairro dos Ramiros a Benfica, à entrada da cidade capital (Luanda).

O lobitanga Pedro Xandoca foi um dos maiores incentivadores pela formação e promoção do andebol na província. Em vida, desempenhou funções de relevo em prol da modalidade a nível do país e da província, tendo chegado à categoria de árbitro internacional, ao que exerceu durante cinco anos. Até a sua morte, foi vice-presidente da Associação Provincial de Andebol de Benguela.

No entanto, para os lobitangas, a Federação Angolana de Andebol acertou em cheio em trazer de volta a realização dos campeonatos nacionais de andebol de juvenis masculinos e femininos como forma de juntar a família modalidade, para homenagear os feitos daquele que em vida deu o máximo de si para manter viva a prática do andebol em toda a extensão da província de Benguela.


MUNICÍPIO
Administração garante apoio


O administrador municipal do Lobito, Alberto Ngongo, é um dos que acreditam no sucesso dos campeonatos nacionais. O responsável assegurou que Lobito está preparado para albergar o evento e proporcionar aos munícipes momentos de festa e de muita alegria, promovendo assim a cultura andebolística da urbe ao mais alto nível do desporto nacional.

“Temos o potencial para mostrar aos nossos visitantes aquilo que constitui o melhor do nosso andebol (…)”, comenta o governante para quem, durante os quinze dias que se vão desenrolar os “nacionais” de andebol, em ambas as classes, o aconchego é uma certeza.

“Todos que aqui estiverem, vão sentir-se como se estivessem nas suas casas. As condições para o efeito estão criadas, faltando aprimorar-se nalguns aspectos que a seu tempo vão estar colmatados”, disse.

O Jornal dos Desportos sabe que, para alojar de forma condigna as caravanas desportivas participantes dos “nacionais” de andebol juvenil masculino e feminino, uma equipa afecta à Administração municipal enceta contactos avançados com algumas entidades hoteleiras e similares, bem como os utentes das Rent-a-car, no sentido de subvencionar os preços dos respectivos serviços.

“Estamos a tratar do assunto e no bom caminho. Aquilo que constituiu dúvida está suprido e agora falta acertar alguns detalhes para colocarmos o preto-no-branco e materializarmos o ‘acordo’ entre as partes. O problema não existe. É do interesse de todos os lobitangas  que o evento decorra com a normalidade que se impõe”, confidenciou um dos membros afectos à organização.


PARA A PROVA
Benguelenses estão afinados


As equipas benguelenses de andebol juvenis femininos e masculinos têm as condições materiais e emocionais criadas para “atacar” os campeonatos nacionais que acontecem a partir de amanhã na cidade do Lobito, um evento que promete animar a sociedade lobitanga durante duas semanas.

A formação do Electro Sport do Lobito, por fraco desempenho no campeonato provincial (5º classificado) vai estar ausente da competição, facto já lamentado pelo especialista da modalidade, o professor Lima Neto.

Ainda assim, acredita ser possível incluí-lo na prova, em caso da desistência de uma das equipas inscritas, uma hipótese desde já remota na óptica daquele interlocutor.

“É com muita tristeza que os lobitangas vão, pela primeira vez na história  do andebol juvenis feminino, testemunhar a ausência daquela formação numa competição realizada no seu habitat.

O Electro é uma grande escola. Infelizmente, os regulamentos são para ser observados à letra. Por isso, não podemos fazer nada, senão lamentarmos. Agora, cabe a Federação encontrar um meio-termo para inseri-lo na prova, fazendo fé que desista alguém, o que é muito improvável”, atirou.

Para os campeonatos nacionais de andebol juvenis, a província de Benguela vai estar presente com quatro equipas femininas, designadamente, o Núcleo do 1º de Agosto (vencedor do provincial), Nacional de Benguela, Casa do Pessoal do Porto do Lobito e o 1º de Maio de Benguela. Para a classe masculina, a província vai ser representada pelos Amigos do Lobito e pelo Inter de Benguela.


 NO CERTAME
Técnicos definem objectivos


Com vista a constatar “in situ” o nível de disposição reinante nas colectividades, o Jornal dos Desportos apurou estar-se tudo em ordem, tendo os atletas e membros da equipa técnica compenetrados num único objectivo que passa por dignificar o produto do andebol da província.

Proporcionar a alegria, num ambiente de festa, aos aficionados da modalidade consta dos intentos dos dirigentes, técnicos e atletas que acreditam, piamente, na conquista do ceptro.

Não obstante o entusiasmo reinante no seio da colectividade, os responsáveis contactadas pela reportagem do Jornal dos Desportos são unânimes em assegurar que o importante, no escalão do género, é participar e dotar à criançada o espírito de bem jogar e competir com as outras crianças que, no Lobito, vão mostrar aquilo que aprenderam dos seus treinadores.

“É com este espírito e ambiente de festa que as nossas atletas vão apresentar-se em campo, o que desde já, não significa que nos abdiquemos da luta pela conquista do título principal”, comentou o técnico do Núcleo do 1º de Agosto, Fernando Luís, para quem, as agostinas benguelenses sabem que em todas as competições, o objectivo é ganhar.

O outro que alinha no mesmo diapasão é o técnico da CPPL, Lucas Kundumula, apegando na máxima, segundo a qual: “em casa mandamos nós (…)”. O treinador acrescenta: “não temos outra alternativa, senão incutir às nossas atletas, que ao jogarmos em casa e diante do nosso público, o objectivo que no alimenta para esta competição passa, indubitavelmente, por arrebatar o título".

Lucas Kundumula ressalta que "é preciso, cultivar este espírito de conquista nas nossas jovens atletas que começam a trilhar os primeiros passos do andebol de alta competição”.

Na classe masculina, o professor Franco Liberal da Cunha foi categórico ao afirmar que a sua equipa vai entrar determinada e preparada para triunfar, pese embora reconhecer dificuldades que a sua colectividade vai ter de enfrentar diante de adversários mais experimentados, com realce os da cidade capital (Luanda).

“Para além de fortes e têm mais volume de trabalho e um campeonato interno mais competitivo, é com eles que vamos definir o título. Os meus atletas estão mentalizados e sabem o que lhes aguarda nesta prova”, revelou o professor Franco Liberal da Cunha, para quem, o andebol na província carece de apoio de todas as forças vivas da sociedade.

“Com a realização dos nacionais na província, espero que o empresariado e o executivo provincial ganhe motivos para apoiar ao fomento e à massificação de andebol nas escolas e nos bairros. A reactivação de núcleos nas periferias dos centros urbanos, tal como foi no passado, é imperiosa, pois deram muitos frutos o que fez da província de Benguela, um verdadeiro celeiro da modalidade em todos os escalões e classes.
JÚLIO GAIANO, NO LOBITO




ANDEBOL
Dinheiro tira Escolinha da competição


A equipa da Escolinha do São João, vencedora do campeonato provincial juvenis feminino do Huambo, vai falhar a disputa do campeonato nacional de andebol agendado para 5 a 18 do corrente na cidade do Lobito por falta de dinheiro para custear a estadia naquela cidade, apurou o Jornal dos Desportos de fonte da direcção.

Oitava classificada da última edição, a equipa podia aproveitar a boleia do Petro do Huambo, que vai representar a província na classe masculina, mas precisaria de dinheiro para se manter.

"Infelizmente, a equipa trabalhou bem, com mérito apurou-se para o campeonato, mas temos em caixa menos de 100 mil kwanzas que são insuficientes para arcar as despesas com alojamento e alimentação da equipa durante o campeonato. Batemos às portas, mas sem qualquer sucesso", disse nosso interlocutor.

Em 2015, a equipa trabalhou mais desafogada por ter recebido algum material desportivo, fruto da transferência de Nucha Cangovi, uma das suas melhores executantes, para o 1º de Agosto. Mas algumas das atletas vão ter de queimar etapas e esperar a oportunidade de jogar a prova de juniores noutra época.

Contactada pela nossa reportagem, Nucha Cangovi, que ganha espaço na equipa do 1º de Agosto, lamenta a situação. A "militar" espera que a sociedade local se abra para permitir que mais atletas possam competir ao mais alto nível.

"Não sei se isto também é consequência da crise. Creio que a nível local, não há confiança nas equipas, mas peço ao empresariado do Huambo e à sociedade em geral a olhar para projectos desportivos como a Escolinha. A atleta sugere apoios mínimos para não fazer morrer o sonho de muitas meninas de um dia aparecerem a jogar ao mais alto nível", comentou.

Cangovi gostaria de voltar a ver e até jogar diante de antigas companheiras. A andebolista refere que essas ausências não só retiram a possibilidade de muitas atletas exibirem o seu potencial e serem observadas, como foi o seu caso, mas também desmotivam as jogadoras e queimam etapas, depois de trabalharem durante todo o ano.

"Peço às minhas ex-companheiras que não fiquem desmoralizadas, que trabalhem muito e que continuem a treinar e estudar. Depois de todo o ano a treinar, quando aparecem situações destas, às vezes, a tendência é baixar a cabeça. Não se deixem derrotar com isso!", apelou.

O Petro do Huambo, representante provincial na classe masculina, ostenta a medalha de bronze. O Jornal dos Desportos apurou que, embora a direcção do clube tenha garantido presença da equipa, também enfrenta algumas dificuldades. A viagem para o Lobito, inicialmente agendada para ontem, pode acontecer apenas amanhã.