Jornal dos Desportos

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Modalidades

Nico Rosberg dita ritmo

02 de Abril, 2016

Mercedes de Nico Rosberg está sem adversário na presente época desportiva

Fotografia: AFP

A Vitória da Mercedes no Grande Prémio de Bahrein, que se disputa amanhã no circuito de Sakhir, é uma certeza. O vencedor das últimas quatro corridas, Nico Rosberg, começou o final de semana à frente. O alemão foi meio segundo mais rápido (1min32s294) que o companheiro Lewis Hamilton. Kimi Raikkonen, da Ferrari, foi o terceiro da tabela.

A sessão ficou marcada com a estreia de dois pilotos. O mexicano Alfonso Celis participou do treino com a Force India, no lugar de Sergio Perez, mas a grande novidade foi a presença do campeão da GP2 do ano passado, Stoffel Vandoorne, na McLaren. O belga de 24 anos, uma das grandes promessas da nova geração, vai ocupar amanhã a vaga de Fernando Alonso que está  vetado pelos médicos, após ter sofrido fracturas na costela no acidente do Grande Prémio da Austrália, há duas semanas.

A sessão foi movimentada nos primeiros minutos. As equipas usaram um jogo de pneus que tinha de ser devolvido após 40 minutos de sessão. As Mercedes demonstraram a  velocidade. Nico Rosberg tratou de acelerar o W07 Hybrid para cravar, na sua primeira volta rápida, 1min33s592, com Lewis Hamilton em seguida, mas 0s081 mais lento que o alemão que vive grande fase na F1. Tudo sob o olhar atento de Fernando Alonso, que acompanhava das boxes da McLaren para ajudar o substituto, o belga Stoffel Vandoorne, que fez o primeiro tempo competitivo na sua segunda volta ao anotar 1min37s137.

As Mercedes calçaram pneus macios, foram quase 2s mais rápidas que o terceiro colocado, Jenson Button que estreou uma nova asa pela McLaren. Nico Hulkenberg e Valtteri Bottas completaram o top 5 da primeira parte do treino.

Felipe Massa teve um desempenho tímido, com o 15º lugar à frente de Felipe Nasr. As Ferrari também não mostraram o potencial e fecharam os primeiros 40 minutos em sétimo e oitavo, com Raikkonen à frente.

Na parte final do treino, as Haas surpreenderam com Roman Grosjean a colocar-se em sexto e Gutierrez, em sétimo. Ambos usaram pneus macios. As Red Bull também subiram, com Ricciardo colocar-se em terceiro, seguido pelo companheiro Kvyat, enquanto Nico Rosberg ampliou a sua vantagem sobre Lewis Hamilton de menos de um décimo para meio segundo.

Com menos de 15 minutos para o fim, Kimi Raikkonen foi à pista com pneus macios e fez o terceiro melhor tempo, enquanto Sebastian Vettel só treinou com os médios e fechou em 11º.lugar

O treino livre não é muito significativo. Tanto a classificação, quanto a corrida, são realizadas ao entardecer com o asfalto significativamente mais frio.

Com isso, a maioria das equipas usou o treino para testar as novidades no seu carro e deixaram o trabalho de acerto mais concentrado na segunda sessão. Mesmo assim, o tempo de Nico Rosberg foi 277 milésimos mais rápido que quando conquistou a pole no Bahrein no ano passado, o que demonstra a grande evolução dos carros.

As actividades para o Grande Prémio do Bahrein continuam a partir das 13h00 de hoje com uma sessão de treinos livres. A classificação começa ao 16h00, o mesmo horário da largada, amanhã.

CARROS QUEBRAM
O MELHOR TEMPO

Todos os pilotos superaram ontem a marca da mesma sessão no ano passado em Sahkir. A Mercedes pulverizou até a melhor volta do Q1. É o sinal de avanço, principalmente, dos pneus Pirelli. Se a F1 tinha planos de ser mais rápida em 2017, já pode comemorar bastante: bastaram somente 30 minutos do treino livre inicial em Bahrein, para o melhor tempo ser batido em quatro segundos - isso se compararmos apenas os tempos dos TL1 de 2015 e deste ano. A diferença impressiona: 5s544.

No ano passado, o melhor tempo na abertura dos ensaios foi de 1min37s828, registado por Kimi Raikkonen com a Ferrari. Nico Rosberg cravou a marca de 1min32s294 com o seu Marcedes. Para se ter uma ideia, os pilotos só andaram nesta casa decimal durante o Q1 na época anterior.

Isso, não se resume apenas aos carros da Mercedes: todos os pilotos, sem excepção, superaram a marca estabelecida no FP1 do ano passado, inclusive, a dupla da Manor, mesmo que esta tenha superado o tempo por alguns décimos. Rio Haryanto marcou 1min37s714.

No início do ano, a FIA confirmou uma série de ideias para alterar os carros a partir de 2017, para fazer com que sejam de três a cinco segundos mais velozes por volta: asas mais baixas, pneus mais largos e maior comprimento, entre outras alterações, como o polémico Halo.


QUALIDADE
Nível das corridas incomoda Ecclestone


Bernie Ecclestone nem tenta esconder a insatisfação com a actual qualidade das provas da F1. O dirigente inglês que foi apontado devido a língua afiada contra o novo treino classificativo da categoria, agora resolveu reclamar do campeonato como um todo: Bernie acredita que o “show” não está muito bom.

Ecclestone pensa que a F1 passou a ser um grande espectáculo, mas com falhas graves. E, para exemplificar isso, usou um ícone da música como exemplo.

“Não estamos a fazer um show muito bom. Imagine se as pessoas fossem ao show dos Rolling Stones sem Mick Jagger, e os outros sem saber tocar os seus instrumentos”, criticou Bernie, em entrevista à ‘BBC’.

A classificação “dança das cadeiras”, com eliminações de 90 em 90 segundos, é um dos tópicos de maior discussão no que toca ao “show” da F1. O Q3 do Grande Prémio da Austrália, outrora muito agitado e com vários carros na pista, já estava definido 4 minutos antes do final. Os fãs abandonaram o Albert Park antes mesmo da bandeira quadriculada.

Ecclestone também voltou a falar sobre a carta aberta da GPDA. O comunicado pedia por mudanças no “obsoleto” comando da F1, foi aceito por Bernie que concordou com as críticas. Agora, o dirigente inglês foi mais ácido, como de costume.

“Provavelmente disseram o que as equipas mandaram dizer”, disse Ecclestone.