Jornal dos Desportos

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Nico Rosberg evita euforia

19 de Abril, 2016

Claro que experiência ajuda um pouco, porque esse é o meu terceiro ano nessa situação, por isso, é provável que tenha feito algum avanço", explicou.

Fotografia: AFP

O pedal de Nico Rosberg está no fundo. O alemão corre em busca do primeiro título da carreira e vê em Lewis Hamilton um grande adversário na época'2016. Depois de vencer pela terceira vez na presente época e sexta consecutiva na F1, o líder do campeonato está com os pés assentes no chão quanto às oportunidades de título. Ciente do trabalho a desenvolver, reconhece que as estatísticas não vencem campeonatos.

Na China, Nico Rosberg dominou com tranquilidade a terceira etapa de 2016, no último domingo. A partir da pole position, o piloto não tomou conhecimento do caos formado atrás de si e conduziu sem percalços até à bandeira xadrezada esvoaçar. No final, ampliou a vantagem sobre Lewis Hamilton para 36 pontos. O mais directo adversário viveu um fim de semana caótico em Xangai.

A consagração de Nico Rosberg entrou nos arquivos. O alemão da Mercedes tornou-se o décimo piloto da história da F1 a vencer as três primeiras etapas da época.  Os nove anteriores vencedores levaram o troféu do título para casa. Ao tomar conhecimento da estatística, o filho de Keke Rosberg respondeu: "Certamente, não tinham Lewis Hamilton como companheiro de equipa".

O piloto de 30 anos reconheceu que não quer deixar-se levar pelos triunfos num campeonato tão longo quanto o de 2016. "Não vejo dessa forma (favoritismo antecipado). Temos tido corridas incríveis até agora e tudo funcionou muito bem. Mas essa é a mais longa época da história da F1. E , Lewis Hamilton, meu colega de equipa, venceu dois títulos seguidos e tem sido difícil de batê-lo nos últimos dois ou três anos. Então, vai ser uma grande batalha e estou ansioso por isso", disse.

Nico Rosberg não escondeu a alegria pela diferença que o separa do principal adversário. "Agora, tenho um pouco mais de vantagem, o que é sempre bom. É melhor que o contrário. Estou a gostar de como as coisas estão a ir, só quero melhorar. Não há nada garantido", completou.

Questionado sobre uma possível mudança na maneira de pilotar diante dos triunfos seguidos, Nico não soube dizer. "Tento progredir, mas é difícil dizer se estou a conduzir melhor, agora. Claro que experiência ajuda um pouco, porque esse é o meu terceiro ano nessa situação, por isso, é provável que tenha feito algum avanço", explicou.

DESAVINDOS
Alonso abraça
Johnny Herbert

O clima tenso entre o ex -piloto e comentarista Johnny Herbert e Fernando Alonso teve mais um capítulo antes do Grande Prémio da China. Indicado para entrevistar os pilotos durante o desfile que tradicionalmente acontece minutos antes da largada, o inglês falou com o espanhol. E não escapou do sarcasmo do piloto da McLaren ajudado pelo ex-companheiro Felipe Massa.

A polémica entre Herbert e Alonso começou no Grande Prémio do Bahrein, quando o britânico defendeu que o espanhol devia aposentar-se, porque não estava mais motivado e que não estava em boa fase desde 2012.

Irritado, o bicampeão respondeu ao ex-piloto ao vivo na TV britânica ao dizer que não podia opinar, porque "não sabe o que é ser campeão do mundo e, por isso, é comentarista". Nos dias seguintes, contudo, Herbert voltou a pedir a aposentação de Alonso.

Na China, o britânico foi recebido com um abraço de Fernando Alonso na entrevista e salientou que "muitos fãs estão felizes em vê-lo de volta ao carro", em referência ao facto do piloto ter ficado de fora do Grande Prémio do Bahrein devido a uma fractura nas costelas.

O comentário não passou despercebido a Alonso, que ironizou Herbert ao comentar com Felipe Massa que estava ao lado e insistia para o comentarista tocar no assunto da aposentação: "Está a  falar que os fãs estão contentes em ver-me de volta. Mas ele quer que eu fique em casa".

Então, Herbert diz que não quer a aposentação de Alonso. "Não tenho nenhum problema com você! Sei que há milhares de fãs felizes em vê-lo de volta", disse.

No regresso ao cockpit, após quase um mês afastado por lesão, Alonso ficou de fora da zona de pontuação, assim como o companheiro Jenson Button. Mesmo a salientar a importância de ambas McLaren terminarem um Grande Prémio pela primeira vez no ano, o espanhol reconheceu que falta ritmo ao carro. "Não somos rápidos o bastante para terminar no top 10 e precisamos melhorar o carro para a próxima prova", disse.