Jornal dos Desportos

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Nico Rosberg lamenta perda da corrida em Suzuka

28 de Setembro, 2015

Creio que estamos mais fortes do que as pessoas acreditavam que estaríamos".

Fotografia: AFP

Nico Rosberg voltou a exibir rosto de "perdedor" diante de Lewis Hamilton. O alemão perdeu duas oportunidades consecutivas para reduzir a diferença pontual no mundial. No final do Grande Prémio de Japão, realizado ontem em Suzuka, Rosberg reconheceu que a sua campanha pelo primeiro título "está a ir para o caminho errado".

Em Singapura, Hamilton desistiu da corrida por problemas mecânicos, factor que Nico não soube aproveitar. O alemão terminou em quarto lugar. Ontem, em Suzuka, Rosberg largou da pole position e terminou em segunda posição, atrás do inglês. "Foi óptimo lutar para voltar à segunda posição, porque o quarto lugar não teria sido aceitável. O campeonato está a ir para o lado errado. Tinha de vencer hoje, mas agora preciso vencer na próxima vez", afirmou.

A missão do alemão fica cada vez mais complicada. Com a vitória em Suzuka, Lewis Hamilton abriu 48 pontos em relação ao companheiro, com cinco provas para o final e 125 pontos em jogo. Outro que viu a diferença em relação ao vencedor de oito das 14 provas disputadas no ano foi Sebastian Vettel. O piloto da Ferrari, que agora está a 59 pontos do líder, preferiu destacar a evolução da sua equipa ao longo do ano.

Num circuito no qual era esperado que a Mercedes tivesse vantagem devido às curvas de alta velocidade e os pneus mais duros utilizados, o alemão chegou a  menos de dois segundos de Rosberg, em terceiro. "Achei que tinha a oportunidade de bater Nico - é sempre mais fácil falar isso depois da prova -, mas estava muito complicado fazer os pneus durarem. No geral, estou feliz com o nosso desempenho", afirmou.

Sebastian Vettel elogiou o grupo de trabalho pela evolução: "Estamos a ir na direcção certa. Nas primeiras provas, foram difíceis de bater, porque têm um conjunto muito forte, de carro e motor. Creio que estamos mais fortes do que as pessoas acreditavam que estaríamos".

LEWIS HAMILTON
“Igualar Ayrton Senna não é real”

Com mais um Grande Prémio, Lewis Hamilton igualou as 41 vitórias de Ayrton Senna ontem no circuito de Suzuka. Em Singapura, o inglês perdeu a oportunidade de atingir a marca com as mesmas 161 provas do brasileiro. "Estou tão feliz. Não sou um homem de chorar, mas estou cheio de alegria hoje (ontem) e muito agradecido por todas as pessoas que me ajudaram para chegar aqui", afirmou o piloto.

Hamilton relembrou o seu tempo de infância quando acompanhava o tricampeão mundial brasileiro: "Estar aqui num circuito no qual adorava ver o Ayrton a pilotar, igualar as suas vitórias... não sei o que dizer. Não parece real no momento". Lewis Hamilton lembrou ainda da recuperação da Mercedes em relação à semana passada, quando a equipa não teve o desempenho esperado e o inglês abandonou pela primeira vez na época.

"As Ferrari estavam incrivelmente rápidas na última corrida e a equipa fez um grande trabalho para que chegássemos aqui numa posição melhor e pudéssemos fazer essa dobradinha. O carro estava lindo de pilotar", frisou.

MCLAREN
Alonso chama
"vergonhoso"


Dois dias depois de comemorar os dez anos do seu primeiro título mundial na F1, Fernando Alonso já não faz mais questão de esconder a sua impaciência com a fase claudicante da McLaren. Totalmente insatisfeito com a falta de performance e ritmo do MP4-30 ao longo de toda a época, o espanhol pareceu viver em Suzuka mais uma etapa do seu calvário desde que voltou à equipa de Woking. Tudo isso depois de ter dito que a McLaren Honda merece todas as críticas que sofre.

No começo do Grande Prémio do Japão, disputado ontem, Alonso, que largou em 12º lugar em Suzuka, foi ultrapassado pelos carros de Carlos Sainz Jr. e Felipe Nasr com relativa facilidade. Via rádio, o espanhol reclamou ao dizer que tal facto era “vergonhoso” e também criticou a falta de aderência do carro: “Parece que estou a conduzir no gelo”, disparou.

A gota d’água ocorreu, pouco antes da abertura da segunda metade da corrida, na volta 26, quando o bicampeão do mundo conseguiu sustentar por um tempo a pressão de Max Verstappen, mas não resistiu ao melhor ritmo do holandês, que colocou a sua Toro Rosso por fora na curva 1 para fazer a ultrapassagem. Fernando Alonso não aguentou: “GP2, motor de GP2”, disparou, na casa da Honda, contra o propulsor fabricado pela fabricante japonesa.

Definitivamente, apesar de todas as negativas do próprio piloto, o simbolismo das críticas de Alonso dá indicativos de que o piloto pode mesmo deixar novamente a McLaren ao fim do ano, ainda mais depois de dizer que pode ser campeão noutras categorias. Motivos para tamanha insatisfação sobram. Após a prova, quando perguntado sobre a permanência na McLaren, hesitou.

"Não sei... A minha intenção é ficar e vencer", afirmou.“Sim, definitivamente, este é a única equipa que vai desafiar a Mercedes num futuro próximo. Mas, no momento, é difícil pois não temos os brinquedos para chegar aos adversários. Temos de garantir que sabemos quais são os problemas, mergulhar nas soluções e voltar no próximo ano. Mas, sem dúvida, é frustrante lá dentro do carro", acrescentou.