Jornal dos Desportos

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Niki Lauda critica fase actual da F1

18 de Junho, 2015

A actual fase da fórmula 1 não agrado o antigo campeão que esperava mais

Fotografia: AFP

Tricampeão mundial de Fórmula 1, o austríaco Niki Lauda, acredita que a categoria máxima do automobilismo está a  tornar-se um desporto "artificial". São muitas regras para deixar a prova mais justa e diminuir o potencial de acidentes, o que é favorável à segurança dos pilotos, mas retira a emoção e autenticidade das corridas.

“Há muito controlo, muitas regras e poucos personagens. Quando eu mudei da Fórmula 2 para a Fórmula 1, `borrei-me´ . A F1 devia ser sobre homens reais a guiar, não jovens que apenas apertam botões ao volante”, avaliou o presidente não -executivo da Mercedes.

Para o dirigente da equipa alemã, a competição devia voltar a ter “carros difíceis de dirigir,”  um dos pré-requisitos devia ser, necessariamente, a habilidade de condução dos pilotos.

"Apenas pilotos com as melhores habilidades de direcção e eu enfatizo essas habilidades, podem estar na Fórmula 1. Não podemos voltar no tempo, mas um piloto deve voltar a ter o carro em suas mãos, não dirigir como agora, apenas a apertar os botões. Os limites mais altos e o factor de risco foram perdidos", acrescentou.

Lauda não é o único a rasgar críticas ao formado "regrado" da mais importante competição automobilística. Na semana passada, o finlandês Kimi Raikkonen clamou por corridas mais "perigosas", que resgatassem o antigo nível da F1.

“A Fórmula 1 deveria trabalhar no sentido de criar algo mais emocionante nas pistas, onde as pessoas pudessem apreciar mais a velocidade dos carros e pilotos, de modo a tornar as provas mais perigosas. Isso faz parte do jogo. É claro que não quero ver ninguém ferido, mas temos de tornar as corridas mais arriscadas”, disse o membro da Ferrari em entrevista ao ex-piloto Jean Alesi ao Canal+.

Assim como Raikkonen, Lauda também não quer que a segurança dos circuitos seja comprometida, mas acredita que a organização devia incentivar factores que deixem a disputa mais ousada e real, para dar mais trabalho aos corredores. Seguindo essa linha, Lauda  mostrou-se favorável ao aumento da velocidade dos carros em cinco ou seis segundos até 2017.

“Não seria perigoso, seria mais arriscado. Não estou dizendo que nós devemos negligenciar a segurança, mas se os carros fossem mais rápidos, então a emoção para os pilotos e espectadores iria automaticamente aumentar. Nesse sentido, temos de voltar atrás. Mas qualquer tipo de manipulação é a pior coisa que você pode fazer com um desporto, então elementos artificiais como adicionar peso aos carros, como Bernie Ecclestone propôs, não devem acontecer”, completou.