Jornal dos Desportos

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Silva Cacuti - 23 de Dezembro, 2013

Quadragésima oitava edição da São Silvestre vai atribuir prémio incentivo aos corredores angolanos que se destacarem durante a prova

Fotografia: Dombele Bernado

As marcas mínimas estabelecidas pela organização da São Silvestre para a atribuição do “prémio incentivo” estão a deixar cépticos os principais corredores angolanos que as consideram muito desfasadas com a realidade do atletismo nacional.

Anunciado em meados do corrente mês, o “prémio incentivo” oferece o valor de 7.500 dólares ao atleta masculino angolano que conseguir cortar a meta com o tempo mínimo de 28m48s. O mesmo valor vai para a atleta que o fizer com o mínimo de 33m51s.

A reportagem do Jornal dos Desportos foi ao encontro de algumas referências do atletismo nacional e ouviu um categorizado técnico de atletismo de fundo que preferiu não se identificar, considerando que os mínimos em referência deviam ter sido estabelecido no início do ano para permitir aos técnicos e atletas trabalhar e tê-los como objectivo.

“Não é fácil baixar cerca de dois minutos nas marcas dos atletas, ainda mais assim, em tão pouco tempo, numa fase em que os planos de preparação para a prova estão já quase na fase final de execução. Penso que esta não é a melhor via e pode actuar como pressão para os nossos atletas e daí haver resultados catastróficos”, comentou.

Os atletas prometem trabalhar para conseguir os registos requeridos pela organização da São Silvestre. Ernestina Paulino, referência do fundo angolano e recordista nacional dos 10.000 metros de estrada diz que é muito difícil conseguirem-se tais marcas.

“É um pouco difícil, nas condições em que trabalhamos, isto vai implicar uma corrida muito rápida e pode haver desistências e outras situações”, disse. Contudo a corredora não vira a cara à luta e promete esforçar-se.

“Vamos ver no terreno, vamos ter fé e trabalhar mais um pouco para ver se conseguimos.” Francisco Caluvi, outra referência do fundo angolano na actualidade, também está confuso na abordagem que faz à questão do mínimo em causa.

“Isto é exigir que os corredores angolanos se situem entre os cinco primeiros classificados, porque há muito tempo que estamos a lutar, internamente, a ver se chegamos aos 29 minutos, sabendo que corremos na casa dos 30 minutos. Os maiores do mundo é que têm estes registos. Não é impossível, há muitos atletas a preparar-se e é provável que alguém alcance estes mínimos”, alvitrou. Ernestina Paulino foi a melhor angolana na edição passada e cortou a meta com o tempo de 35m18s. Rafael Epesse foi o melhor entre os angolanos com o tempo 31m24s.

O etíope Atsedu Tesfaye foi o campeão da prova masculina e cronometrou 28m17s, ao passo que a queniana Priscah Jeptoo, vencedora da corrida feminina, fez os dez quilómetros em 32m31s.

PREPARAÇÃO
Felismina Cavela treina no Quénia


A especialista angolana dos 800 metros, Felismina Cavela, vai beneficiar, no próximo ano, de um estágio no centro regional de alto Rendimento da Federação Internacional de Atletismo Associado (IAAF), situado em Nairobi, Quénia, visando o alcance dos mínimos para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. A informação foi avançada por Carlos Rosa, presidente de direcção da Federação Angolana de Atletismo (FAA).

Segundo o dirigente, em 2014 outros atletas vão beneficiar de estágios no estrangeiro, com realce para o Centro da Cruz Quebrada, em Portugal.
Felismina Cavela encontra-se no país depois de ter passado cerca de seis meses no Brasil num estágio da FAA. A estada da atleta no centro do Quénia vai efectivar-se, segundo Carlos Rosa, no âmbito de uma bolsa da IAAF.

“A Cavela foi identificada como tendo potencial para o alcance dos mínimos olímpicos, por isso vai no próximo ano ao centro de alto rendimento da IAAF, no Quénia, onde vai trabalhar para a melhoria das suas marcas pessoais e alcance dos mínimos olímpicos”, disse o presidente de direcção da Federação Angolana de Atletismo (FAA). Cavela disputou os Jogos Olímpicos de Londres 2012, tendo sido a quinta classificada da sua série preliminar dos 800 metros, com o tempo de 4m10s 95 milésimas.
S.C