Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Nova carenagem trama Márquez

12 de Março, 2017

Marc Márquez relacionou a queda com a nova carenagem apresentada pela Honda

Fotografia: AFP

Marc Márquez fechou o primeiro dia de testes da MotoGP em Losail com 12º tempo. O espanhol completou um total de 39 voltas, a melhor delas em 1min55s899, e ficou a 1s080 de Andrea Dovizioso, o líder das actividades.

O dia de Márquez foi marcado por uma queda na curva 16. O acidente aconteceu logo que o espanhol deixou os boxes para testar a solução apresentada pela Honda para o veto às asas aerodinâmicas.

“Sim, a nova carenagem muda o meu estilo de pilotagem. Quando estava na pista, não percebia, mas quando parei e vi os dados, mudava bastante o acerto na entrada de curva. Por isso, a moto mexeu-se e perdi a frente”, explicou.

Apesar do tombo, Marc Márquez explicou os benefícios criados por esta nova carenagem, que tem como objectivo máximo manter a roda dianteira em contacto com o asfalto.  “O objectivo é, principalmente, manter baixa a roda dianteira sem que perca muita velocidade máxima. Todos os fabricantes buscam afinar esta tecnologia\", continuou.

Apesar da 12ª posição, Marc Márquez fez uma avaliação positiva do primeiro dia no traçado de Qatar e destacou que a Honda está a melhorar a performance da RC213V.

“Estamos a melhorar bastante, também com a electrónica. Sabemos que este é um dos circuitos mais duros para nós, especialmente, pela força que a Ducati tem aqui. Creio que não estamos tão longe em termos de pilotagem”, resumiu.

“Dovizioso parece estar um passo à frente de todos, mas temos de trabalhar duro e mais uns dias para isso”, concluiu.

O tricampeão mundial mantém a esperança de boa época.

MOTO 2

Depois de um 2016 apagado, Álex Márquez mostrou que deu um passo à frente em termos de performance. O espanhol cravou 1min41s989 na sua melhor volta em Jerez de la Frontera e fechou o primeiro teste colectivo da pré-época 2017 na liderança da Moto2.

O caçula dos irmãos Márquez já tinha lutado pelo topo da folha de tempos, mas foi batido por Franco Morbidelli. Desta vez, o número 21 não conseguiu descontar o 0s114 restante e foi o espanhol quem puxou a nova dobradinha da Marc VDS.

Líder do primeiro dia no traçado andaluz, Miguel Oliveira foi 0s344 mais lento que Márquez e ficou como quarto posto, à frente de Dominique Aegerter, que este ano volta a conduzir uma moto da Suter.

Estreante na Moto2, Jorge Navarro anotou o quinto tempo, 0s387 atrás do líder. O experiente Mattia Pasini aparece na sequência para fechar o top-6.

Com 1min42s496, Takaaki Nakagami arrematou o sétimo tempo, seguido por Fabio Quartararo, que também estreia na classe intermediária neste ano.

Axel Pons vem logo atrás, com Tom Lüthi a fechar o rol dos dez mais rápidos.

Quem também mostra evolução é Luca Marini. O meio-irmão de Valentino Rossi fechou com o 11º tempo, 0s703 mais lento que o líder.

Campeão vigente da Moto3, Brad Binder teve uma actuação apenas discreta. O sul-africano fez a sua melhor volta em 1min43s499 e ficou em 26º, 1s510 mais lento que Márquez.

No combinado dos três dias em Jerez, a liderança ficou mesmo com Márquez. Oliveira foi o único piloto do top-20 que não conseguiu melhorar em relação ao tempo registado no primeiro dia.

Os pilotos da Moto2 voltam a encontrar-se entre os dias 17 e 19 de Março, no Qatar, para a última série de testes da pré-época.


APOIO AO MUNDIAL
Dorna revela criar motos eléctricas


Numa já tradicional visita ao diário espanhol ‘AS’, Ezpeleta revelou os planos de Dorna e contou que a meta é fazer corridas de suporte ao Mundial com motos eléctricas.

“Em breve, vamos fazer algo com motos eléctricas; vai ser monomarca e ecológico de verdade. Não vai ser um campeonato mundial, mas corridas de suporte aos GPs”, revelou Ezpeleta.

Ezpeleta justificou que poderiam fazer \"isso já\", mas querem que \"as baterias sejam carregadas com energia limpa e não com um compressor que contamina o triplo”.

O objectivo é que as baterias sejam carregadas com a tecnologia fotovoltaica, que converte a radiação solar directamente em electricidade, de acordo com o dirigente.

“Para 2019, poderemos ter cinco corridas eléctricas como suporte. Queremos chegar a um acordo para que uma companhia eléctrica leve estações fotovoltaicas a cada circuito e que isso seja ecológico e se alimente de energia fotovoltaica. Estamos a trabalhando nisso”, detalhou.

Sem fazer muitos segredos, Ezpeleta revelou também qual o plano para a composição da grelha da categoria de motos eléctricas.

“Temos uma ideia divertida, que é entregar as motos para gestão das equipas independentes da MotoGP, para que, com a moto eléctrica, tenham mais um argumento de venda”, falou Carmelo. “Temos 14 motos independentes e queremos que sejam corridas de 18 pilotos; então seriam 14 pilotos da

MotoGP e os quatro melhores da Moto2, se quiserem”, continuou.

Ezpeleta não quis revelar quais as fábricas interessadas nesta nova categoria, limitou-se a indicar que “são duas”. Além disso, o dirigente revelou qual é o provável palco da estreia da categoria: “É possível que seja em Jerez em 2019”.

O chefe da Dorna avaliou que ainda é cedo para falar em desempenho, especialmente, porque tudo ainda está em desenvolvimento.

“As motos que podem aguentar dez voltas, podem chegar a 200 km/h. Já tiveram corridas eléctricas em Laguna Seca e a que mais corria, chegou a 200, mas esta não aguentava a corrida inteira. Ganhou a que corria a 40 km/h”, contou.


LÍDER NO QATAR
Andrea Dovizioso
enaltece a Ducati

Andrea Dovizioso aproveitou o tradicional bom desempenho da Ducati em Losail e liderou o primeiro dia de testes da MotoGP. O número 4 cravou 1min54s819 na melhor das suas 36 voltas e fechou o dia com 0s360 de vantagem para Maverick Viñales, o segundo classificado.

Animado com o bom resultado, Dovizioso contou que se sentiu bem ao primeiro contacto com a Desmosedici, mas reconheceu que ainda tem muito a trabalhar para estar pronto para a época.

“Neste primeiro dia de testes em Losail, tive uma sensação realmente boa com a Desmosedici GP, melhor do que esperava, e as sensações foram positivas assim como na Malásia”, disse.

O líder do dia revelou que tentaram vários tipos de setups interessantes, o que lhes deu um importante feedback.

“Todos foram muito rápidos, mas, de qualquer forma, consegui marcar o meu tempo bem facilmente; sabemos que temos de melhorar certos aspectos, mas começar o teste desta forma ajuda-nos muito no trabalho que temos de fazer nos próximos dias”, comentou.


À MOTO DA YAMAHA
Maverick Viñales
celebra adaptação


Mavericks Viñales conquistou o segundo tempo no primeiro dia de testes da MotoGP no Qatar. O número 25 registou 1min55s179 na melhor das suas 60 voltas e ficou a 0s360 de Andrea Dovizioso, o líder dos trabalhos.

Após a sessão, Viñales celebrou a sua rápida adaptação à Yamaha e destacou que se sentiu bem com a YZR-M1 em todas as pistas em que testou.
“Tenho uma boa sensação depois do primeiro dia no Qatar; senti-me bem com a moto já na primeira volta, fui rápido e isso é uma coisa boa”, disse Viñales.
O segundo classificado ressaltou que foram a quatro pistas diferentes e sentiu-se bem em cada uma delas.

“Isso significa que me adaptei bem à moto e melhoramos bastante; estamos a melhorar o ritmo de corrida o tempo todo e a primeira e a última volta de cada pneu é bem similar. Estou feliz e bem surpreso que melhoramos a cada saída”, ponderou.

Com apenas mais dois dias na pré-época 2017, Viñales colocou como meta ampliar a durabilidade dos pneus e tornar os seus tempos de volta mais constantes.

“Queríamos trabalhar bastante em ritmo de corrida. No Qatar, importa bastante ter um bom ritmo, porque o pneu desgasta bastante, especialmente do lado esquerdo”, explicou.