Jornal dos Desportos

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Nova tensão entre pilotos da Mercedes

14 de Abril, 2015

Rosberg acusou o actual campeão de abrandar ritmo para o comprometer

Fotografia: AFP

A Mercedes voltou a mostrar a hegemonia na Fórmula1, domingo, com mais uma dobradinha do Grande Prémio da China, depois de ter deixado escapar a vitória na Malásia, mas a escuderia teve de lidar novamente com as tensões entre os seus dois pilotos, Lewis Hamilton e Nico Rosberg.
A entrevista dada depois da corrida, vencida por Hamilton, sucedeu num clima muito pesado, com Rosberg a acusar o inglês de ter diminuído o ritmo para dar possibilidade ao terceiro colocado Sebastian Vettel (Ferrari) de ultrapassá-lo.

O piloto alemão da Mercedes perdeu a calma quando ouviu o companheiro de equipa a dizer que “não foi ameaçado em nenhum momento da corrida”.
“Acho interessante ouvir que só pensou em si, lá na frente, porque obviamente isso complicou a minha corrida. A guiar mais devagar do que o necessário, você deu a possibilidade a Seb de me ultrapassar”, reclamou Rosberg.

O alemão alegou ter trabalhado apenas em prol da equipa, a “cobrir” Hamilton nas mudanças de pneus e acusou o inglês de tê-lo prejudicado.
“No final, os meus pneus estavam totalmente estragados porque precisei esperar muito até fazer a troca. Não gostei nada disso”, disparou o actual vice-campeão mundial, com cara de poucos amigos.

A resposta de Hamilton foi tão ríspida quanto as acusações do companheiro. “Não é meu trabalho lidar com a corrida de Nico. O meu trabalho é lidar com o meu carro e levá-lo o mais rápido possível até o final da corrida e foi o que eu fiz. Não fiz nada intencional para diminuir o ritmo de outros carros”, defendeu-se o bicampeão de 2008 e 2014.

Egocêntricos
desgraçados

Poucas horas depois, o chefe da escuderia alemã, Toto Wolff, tentou colocar panos quentes na polémica. “Temos de tomar cuidado para não apontar o dedo a ninguém meia hora depois da corrida. Era uma situação complicada. Hamilton precisava de controlar o desgaste dos pneus e isso dificultou a tarefa de Nico, que foi afectada”, analisou o director da Mercedes-AMG.

Wolff reafirmou que vai deixar sempre os seus pilotos terem uma rivalidade “intensa”, desde que “não coloquem em cheque o resultado da corrida”.
Já o ex-piloto Niki Lauda, também dirigente da escuderia, foi menos politicamente correcto, ao chamar Hamilton e Rosberg ironicamente “egocêntricos desgraçados”.

“Lewis foi melhor neste fim de semana, ponto final”, sentenciou o tricampeão mundial de 1975, 1977 e 1984. O treino classificatório de sábado também aconteceu em clima tenso, com Rosberg visivelmente triste por perder a pole position por quatro centésimos. O alemão deixou de cumprimentar Hamilton, que por sua vez fez questão de cumprimentar o compatriota.

Os dois pilotos da Mercedes têm praticamente a mesma idade (nasceram em 1985) e chegaram a ser amigos de infância, quando praticavam kart juntos, mas a relação entre eles começou a azedar o ano passado, principalmente no GP da Bélgica, quando Rosberg bateu na traseira de Hamilton, numa altura em que o inglês estava a liderar a prova.

Paris entra na corrida
O conselho de Paris oficializou, ontem, a candidatura oficial aos Jogos Olímpicos, e Paralímpicos, em 2024. A presidente da Câmara Municipal de Paris, Anne Hidalgo, diz que a cidade está empenhada na “aventura olímpica”, sendo a prova “uma poderosa alavanca para o progresso dos parisienses”, e que pode contribuir para a “construção de milhares de casas, para a melhoria da rede de transportes públicos e uma aceleração na transição ecológica”.

Os Jogos Olímpicos devem possibilitar “a redução das desigualdades regionais e reforçar a coesão social”, acrescentou a presidente da Câmara Municipal de Paris.  Quem também está na corrida é a cidade de Boston. O Comité Olímpico dos Estados Unidos (USOC) escolheu Boston para ser candidata a acolher os Jogos Olímpicos de 2024, cuja cidade sede vai ser anunciada em Setembro de 2017.

Boston estava na corrida com Washington, San Francisco e Los Angeles, juntam-se agora Paris e Roma como cidades candidatas à organização do evento. Os Estados Unidos não organizam os Jogos desde 1996 (Atlanta), falharam as candidaturas em 2012 (Nova Iorque) e 2016 (Chicago).