Jornal dos Desportos

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Modalidades

O basquetebol e a era de crise

30 de Agosto, 2018


Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades\". O velho aforismo popular pode, modelarmente, servir para descrever o actual quadro com que se confronta o basquetebol no país, sobretudo nessa \"era de crise\".
Já é por demais sabido que a actual crise económica e financeira, derivada da baixa de preço do petróleo no mercado internacional, tem afectado grandemente vários sectores do nosso tecido social e, como é óbvio, o desporto não é poupado nesse carrossel.
No caso concreto da modalidade da «bola ao cesto», em que o país colecciona nada mais, nada menos do que 11 títulos africanos seniores masculinos, além obviamente de outros a nível dos escalões etários inferiores, as coisas não têm corrido de feição nos últimos tempos. E é na sequência do quadro menos bom que o nosso basquetebol enfrenta que vimos dois técnicos a jogarem a \"toalha ao tapete\" na semana passada: por um lado José Carlos Guimarães, até então adjunto do norte-americano William Voigt na selecção nacional sénior masculina, e por outro Manuel da Silva \"Gi\", na de Sub-18.
O que é facto se por um lado o segundo teve alguma \"ponderação\" a manifestar a sua intenção de abandonar o barco dos Sub-18, por outro o primeiro foi mais contundente.Apesar de o nosso jornal apurar que uma das questões de fundo que levaram a que o ex-seleccionador adjunto batesse com a porta à Federação Angolana de Basquetebol (FAB) tivesse a ver com a má gestão que grassa na modalidade, o mesmo veio a terreiro manifestar aspectos meramente desportivos. Entre várias situações afloradas José Carlos Guimarães, disse ser o único membro da selecção que não viu sequer um tostão pintado.O ex-internacional angolano admitiu segunda-feira, em conferência de imprensa, estar disponível para integrar um projecto da selecção B, com jovens jogadores, mas desde que William Voigt não faça parte do mesmo. 
Apontou a descriminação e desrespeito aos técnicos nacionais, lembrando que enquanto esteve nas vestes de adjunto não passava de mero figurante, pois não era tido e nem achado até em relação as convocatórias de atletas. Quando essas eram feitas, apercebia-se pelos órgãos de comunicação social, algo inconcebível, como ele próprio profetizou.
E entre suspeições da má gestão, descontentamentos e outras makas à mistura que mexem com a estrutura do basquetebol angolano, salta ainda à vista o facto de o próprio líder da Federação vir também à terreiro aventar a possibilidade de \"abandonar o barco\".
Hélder da Cruz \"Maneda\" realça que caso persista o mar de dificuldades, isto na sequência dos recorrentes problemas financeiros que a FAB enfrenta, a continuidade do actual elenco a frente dos destinos desta, tem de ser repensado. Maneda reitera o facto de que os parcos recursos de que esta dispõe não permite atingir as metas preconizadas. 
E o pior de tudo é que isto acontece precisamente numa fase em que o combinado nacional de basquetebol projecta a quarta janela de qualificação a zona africana para o Mundial da China, em 2019, a ter lugar de 14 a 16 de Setembro na Tunísia. Isso belisca sobremaneira a imagem do nosso basquetebol, que detém a hegemonia no continente.