Jornal dos Desportos

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"O corao no conhece limites"

Antnio Ferreira, Lisboa - 06 de Setembro, 2016

A festa dos Jogos Paralmpicos do Rio2016 promete muita emoo

Fotografia: AFP

A cidade do Rio de Janeiro está com um visual novo para receber os Jogos Paralímpicos de 2016, de 7 a 18 de Setembro, com presença de 4.350 atletas de 160 países, incluindo a República de Angola. A cerimónia de abertura acontece amanhã, quarta-feira, com início às 18h15 no Estádio Mário Filho (ex -Maracanã), aborda a condição humana e a inclusão, sob o lema “O coração não conhece limites”, com todo um conjunto de ingredientes para uma cerimónia inesquecível.

Uma das novidades em relação aos Jogos Olímpicos é a entrada dos atletas no Estádio. Para que estes também possam acompanhar a festa, entram mais cedo 18 minutos do início da cerimónia. Outro destaque é a entrada da bandeira do Brasil, que vai ser conduzida por uma pessoa com deficiência, que não é um atleta.

Em relação à Chama Olímpica, desta vez é acesa em outro ponto do Estádio Mário Filho, no lado Leste, próximo à Tribuna de Honra. Nos Jogos Olímpicos, ela ficou nos lados Norte e Sul. Além disso, um grande sucesso dos Jogos Olímpicos vai ser repetido: a Pira Olímpica da Candelária, que atraiu a atenção de milhares de pessoas que visitaram o Boulevard Olímpico do Porto.

Segundo os organizadores, a cerimónia envolve dois mil voluntários, 500 profissionais, 78 dançarinos e duas companhias de dança adaptada, além de artistas A cerimónia conta com uma roda de samba em que exibem os artistas, Diogo Nogueira, Maria Rita, Pretinho da Serrinha, Pedrinho da Serrinha, Monarco, Hamilton de Holanda, Xande de Pilares e Gabrielzinho do Irajá, que é deficiente visual.

A norte-americana Amy Purdy, medalhista do snowboard nos Jogos de Inverno, vai ter um papel de destaque e vai fazer uma apresentação de dança na cerimónia. O seu parceiro ainda é um mistério e a coreografia deve envolver trocas das próteses de suas duas pernas.

O Comité Rio 2016 colocou 45 mil ingressos à venda, de um total de 50 mil lugares disponíveis. Os restantes cinco mil são ocupados por convidados. O protocolo prevê que o Presidente da República, Michel Temer, declare os Jogos abertos, assim como na Olimpíada.

A família paralímpica integra 4.350 atletas, em representação de 160 países, 1.400 árbitros e juízes, quatro mil jornalistas e um painel de 21 modalidades contra as 32 das Olimpíadas, nomeadamente, o atletismo, basquetebol em cadeira de rodas, bocha, canoagem velocidade, ciclismo de estrada e pista, esgrima em cadeira de rodas, futebol de 5 e de 7, goalball, halterofilismo, hipismo, judo, natação, remo, râguebi em cadeira de rodas, tiro com arco e desportivo, triatlo desportivo, ténis de mesa, ténis em cadeira de rodas, vela e voleibol sentado.

De resto, o outro lado dos Jogos Paralímpicos não se resumem à cerimónia de abertura, deixam perceptível um mar de problemas por resolver, que tornam a cidade do Rio de Janeiro deficiente para lidar com pessoas portadoras de deficiência, com dificuldades de locomoção e mais do que isso, com o preconceito.

Apesar de algumas inquietações, como a falta de preparação da cidade em si para lidar com pessoas portadores de deficiência, a festa da primeira paralimpíada da América do Sul enaltece a natureza e a integração entre as pessoas, cujo objectivo é inspirar o mundo a derrubar os preconceitos com a deficiência.

A cidade e as famílias estão preparadas para encarar a deficiência? Como é que se movimentam as milhares de pessoas nessa condição, numa país onde os números apontam para 40 milhões de pessoas com deficiência.

Ter uma deficiência não é um problema. O grande problema é a locomoção, a falta de acessibilidades, que tornam o Rio de Janeiro deficiente e não para os deficientes. É essa dificuldade que torna o atleta paralímpico numa permanente história de superação, por conta da sua deficiência, seja visual ou motora, para lutar e superar marcas, conquistar medalhas e bater o recorde do seu adversário. Todos sentem-se eficientes e no fundo, a humanização do próprio desporto paralímpico torna a cerimónia de abertura muito mais humana, com epicentro no ser humano, dada a dificuldade, a solidariedade, o amor e o respeito pelo próximo.

Os Jogos Paralímpicos Rio 2016 que amanhã começam, devem ser encarados como a maior bandeira de uma nova visão de mundo que não encara o homem com apenas um padrão, mas com diferentes formatos possíveis. Afinal, todos somos eficientes e numa visão mais realista, também deficientes. Em suma, uma nova visão do mundo. Bem haja os Jogos Paralímpicos e que Angola consiga hastear a bandeira entre as nações mais poderosas nesse capítulo.

DESEMBARCA HOJE NO RIO
Tocha olímpica é acesa com mensagens virtuais


A tocha olímpica dos Jogos Paralímpico chega hoje ao Rio de Janeiro, na véspera da cerimónia de abertura. O clima paralímpico toma conta da cidade e do país. Criada sob o mesmo conceito de “Paixão e Transformação” que a tocha Olímpica, mas com desenho e características próprias, a tocha Paralímpica Rio 2016 também tem o formato peculiar de revezamento.

Nesta terça-feira, o revezamento chega ao Rio de Janeiro e as cinco chamas regionais, mais a que vai ser acesa em Stoke Mandeville (cidade inglesa onde nasceu o movimento Paralímpico), vão unir-se no Museu da Amanhã, no centro da cidade, para formar o fogo que ilumina o Estádio Mário Filho (ex -Maracanã), na cerimónia de abertura dos Jogos.

Cada chama representa um valor dos Jogos Paralímpicos: Brasília – igualdade; Belém – determinação; Natal – inspiração; São Paulo – transformação, e Joinville – coragem. O valor para o Rio de Janeiro é  paixão.À chegada ao Rio de Janeiro começa com uma cerimónia de união das chamas para formar a chama Paralímpica no Museu do Amanhã, e iniciar o revezamento na cidade que conta com 360 condutores. Durante os Jogos Paralímpicos, a chama fica acesa na pira da Candelária, no Centro do Rio.

No total vão ser percorridos 250 quilómetros no revezamento, 4.650 milhas aéreas de avião e de comboio e 700 condutores.O ritual da tocha paralímpica é diferente do seguido na olimpíada, mas também  carregado de simbolismo, antes de despontar no “Mário Filho”, na noite de 7 de Setembro, para acender a pira e dar o início oficial à Paralimpíada do Rio. Em vez dos preparativos iniciarem em Olímpia, na Grécia, como ocorreu na Olimpíada, a chama paralímpica começou a arder na última quinta-feira, na capital federal, numa cerimónia no Palácio do Planalto.

A tocha paralímpica Rio 2016 tem no formato relevos sinuosos e contínuos, que simulam os pontos altos e baixos da vida de um atleta paralímpico, baseada em determinação e conquistas. A textura quadrangular remete aos quatro valores paralímpicos – coragem, determinação, inspiração e igualdade – que também estão gravados em Braille no objecto.

As tochas Rio 2016, Olímpica e Paralímpica, nasceram juntas, frutos de uma única plataforma conceitual de paixão e transformação, que é a essência das marcas Rio 2016. A decisão de partir de um só conceito de criação reflecte o senso de igualdade a equivalência de importância dos dois objectos. Quando fechadas, portanto, as duas tochas se equivalem. Abertas, as almas Olímpica e Paralímpica revelam-se, com as suas particularidades.

O momento do “beijo”, quando a chama Paralímpica é transmitida de um condutor para outro, é também o momento em que os segmentos que compõe a tocha paralímpica se abrem e se projectam para cima. Neste momento, as cores representativas da linguagem visual dos Jogos Paralímpicos revelam-se numa representação de energia contagiante, do desejo de se superar, do gosto pelo desafio e da emoção da conquista.

DESEMBARCA HOJE NO RIO
Tocha olímpica é acesa com mensagens virtuais


A tocha olímpica dos Jogos Paralímpico chega hoje ao Rio de Janeiro, na véspera da cerimónia de abertura. O clima paralímpico toma conta da cidade e do país. Criada sob o mesmo conceito de “Paixão e Transformação” que a tocha Olímpica, mas com desenho e características próprias, a tocha Paralímpica Rio 2016 também tem o formato peculiar de revezamento.

Nesta terça-feira, o revezamento chega ao Rio de Janeiro e as cinco chamas regionais, mais a que vai ser acesa em Stoke Mandeville (cidade inglesa onde nasceu o movimento Paralímpico), vão unir-se no Museu da Amanhã, no centro da cidade, para formar o fogo que ilumina o Estádio Mário Filho (ex -Maracanã), na cerimónia de abertura dos Jogos.

Cada chama representa um valor dos Jogos Paralímpicos: Brasília – igualdade; Belém – determinação; Natal – inspiração; São Paulo – transformação, e Joinville – coragem. O valor para o Rio de Janeiro é  paixão.À chegada ao Rio de Janeiro começa com uma cerimónia de união das chamas para formar a chama Paralímpica no Museu do Amanhã, e iniciar o revezamento na cidade que conta com 360 condutores. Durante os Jogos Paralímpicos, a chama fica acesa na pira da Candelária, no Centro do Rio.

No total vão ser percorridos 250 quilómetros no revezamento, 4.650 milhas aéreas de avião e de comboio e 700 condutores.
O ritual da tocha paralímpica é diferente do seguido na olimpíada, mas também  carregado de simbolismo, antes de despontar no “Mário Filho”, na noite de 7 de Setembro, para acender a pira e dar o início oficial à Paralimpíada do Rio. Em vez dos preparativos iniciarem em Olímpia, na Grécia, como ocorreu na Olimpíada, a chama paralímpica começou a arder na última quinta-feira, na capital federal, numa cerimónia no Palácio do Planalto.

A tocha paralímpica Rio 2016 tem no formato relevos sinuosos e contínuos, que simulam os pontos altos e baixos da vida de um atleta paralímpico, baseada em determinação e conquistas. A textura quadrangular remete aos quatro valores paralímpicos – coragem, determinação, inspiração e igualdade – que também estão gravados em Braille no objecto.

As tochas Rio 2016, Olímpica e Paralímpica, nasceram juntas, frutos de uma única plataforma conceitual de paixão e transformação, que é a essência das marcas Rio 2016. A decisão de partir de um só conceito de criação reflecte o senso de igualdade a equivalência de importância dos dois objectos. Quando fechadas, portanto, as duas tochas se equivalem. Abertas, as almas Olímpica e Paralímpica revelam-se, com as suas particularidades.

O momento do “beijo”, quando a chama Paralímpica é transmitida de um condutor para outro, é também o momento em que os segmentos que compõe a tocha paralímpica se abrem e se projectam para cima. Neste momento, as cores representativas da linguagem visual dos Jogos Paralímpicos revelam-se numa representação de energia contagiante, do desejo de se superar, do gosto pelo desafio e da emoção da conquista.