Jornal dos Desportos

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Obama homenageia atletas negros

02 de Outubro, 2016

Barack Obama recebeu atletas medalhados nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro

Fotografia: AFP

O presidente norte-americano, Barack Obama, recebeu na Casa Branca os dois medalhistas olímpicos que protestaram contra a segregação racial nos Estados Unidos durante os Jogos de 1968, no México. Tommie Smith ganhou a medalha de ouro nos 200m, e John Carlos, medalhista de bronze na mesma prova, foram homenageados e citados por Obama como exemplos, na luta contra o racismo.

De luvas pretas calçadas, os atletas levantaram os punhos no pódio olímpico, durante a execução do hino nacional dos EUA, para manifestarem-se contra a perseguição aos negros no país. A simbologia do acto remetia aos Panteras Negras, um grupo de resistência do movimento negro norte-americano e que lutava pelos direitos civis.

Por conta do protesto, os atletas foram expulsos da equipa olímpica dos EUA e tiveram de voltar para casa. “O protesto silencioso e poderoso que fizeram nos Jogos de 1968 foi controverso, mas acordou as pessoas e criou uma grande oportunidade para quem veio depois”, afirmou Obama, na cerimónia que aconteceu na quinta-feira, na Casa Branca.

Smith de 72 anos e Carlos de 71 levantaram-se em meio da audiência, no momento em que foram citados pelo presidente. Além deles, o presidente homenageou Jesse Owens, que ganhou quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas de 1936, na Alemanha. Na época, o país europeu estava sob o regime nazista do ditador Adolf Hitler.

TENSÃO
A ida de Smith e Carlos à Casa Branca ocorre num momento de tensão social nos EUA. A comunidade negra do país protesta com frequência com relação as mortes de homens negros pela polícia norte-americana, em condições suspeitas.

Para manifestar contra a maneira como os casos são tratados nos EUA, o quaterback da equipa de futebol- americano San Francisco 49ers, Colin Kaepernick, nega-se a ficar de pé durante a execução do hino do país, antes das partidas. O atleta citou Smith e Carlos como inspirações para o acto, que angaria o apoio de outros jogadores negros da modalidade. O protesto, no entanto, causou reacções diversas na sociedade norte-americana.
Grupos defensores de polícias e parte da media local acusam Kaepernick de não ser patriota. Para respaldar o atleta, grupos de apoio surgiram para cobrar acções semelhantes dos jogadores de basquetebol, quando a temporada da NBA começar.

A homenagem a Smith e Carlos ocorreu na recepção de Obama aos medalhistas olímpicos do Rio 2016. Ao elogiar o desempenho dos atletas, o presidente citou a importância das atletas mulheres, na campanha que o país desempenhou no Brasil. Os EUA ficaram na primeira posição, com 46 de ouro, 37 de prata e 36 de bronze.


JOGOS OLÍMPICOS
Organizações
denunciam violência
policial no Rio-2016


Uma rede de dez organizações brasileiras que lutam pelos direitos das crianças, chamada “Terre des Hommes”, publicou um relatório que mostra a violência policial realizada durante os Jogos Olímpicos do Rio,  pediu que o Comité Olímpico Internacional (COI) ajude as crianças vítimas de tal abuso.

A organização entregou ao COI, na quinta-feira, um relatório chamado “Quebrando recordes, violação dos direitos das crianças durante os Jogos Rio 2016”, no qual denuncia o abuso da força usada pela polícia, na segurança dos Jogos Olímpicos.

“ As nossas pesquisas revelam violação dos direitos humanos e da juventude no Rio, desde assassinatos da polícia, repressão violenta de protestos e um alarmante crescimento de violência policial contra adolescentes moradores de rua”, afirmou Andrea Florence, autora do relatório, segundo o jornal britânico BBC.

De acordo com o relatório, houve uma sistemática “limpeza” das ruas cariocas para prover a segurança nos Jogos. Em parceria com a Amnistia Internacional do Brasil, que revela um aumento de 103 por cento de mortes pela polícia, entre os meses de Abril e Junho de 2016, em relação ao ano anterior.

Outro dado trazido pelo relatório é o crescimento da população carcerária infantil, que ocupa 224 por cento da capacidade dos centros de detenções cariocas – contra 48 por cento em 2015.

A enfatizar sempre o slogan dos Jogos Olímpicos do Rio – “um novo mundo” – o Terre exaltou o legado negativo que as Olimpíadas deixam aos jovens, expulsos violentamente de suas casas. “Rio 2016 teve a maior operação de segurança que o Brasil já viu, mas o sentimento de segurança dos turistas veio com um preço alto, para os adolescentes das favelas”, afirma o relatório.

A concluir o seu parecer, a organização pediu para que o COI tome as medidas apropriadas, para que as vítimas do abuso policial tenham acesso a aconselhamento e assistência legal.