Jornal dos Desportos

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Operação lava jacto pode atrasar obras

25 de Dezembro, 2014

Operação Lava Jacto no Brasil pode afectar as obras dos Jogos Olímpicos agendados para o Rio de Janeiro

Fotografia: AFP

As empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, que apura o esquema de corrupção na Petrobrás, preocupam as autoridades e outros organizadores dos Jogos Olímpicos de 2016, a disputar-se no Rio de Janeiro. Com executivos investigados e alguns presos, empresas como Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e OAS são responsáveis por algumas das principais obras de infra-estrutura e de construção ou reforma dos locais que vão receber a competição.

Para os organizadores, o temor é de que as construtoras enfrentem dificuldade em obter crédito nos bancos e com isso, as obras sofram atrasos ou até interrupção - em casos extremos a Justiça pode decretar bloqueio de conta das empresas, e não apenas dos executivos. Uma autoridade ouvida pelo Estado diz que o governo federal deve estar preparado para socorrer as empresas que sofrerem mais danos financeiros em decorrência das investigações e pensar em “uma espécie de Proer”, em referência ao controverso programa de ajuda a bancos implementados no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Na visão dessa autoridade, os executivos que tiverem participação comprovada no esquema da Petrobrás devem ser punidos, mas é preciso preservar as obras tocadas pelas empresas.

Na prefeitura do Rio, as atenções estão voltadas principalmente para o Parque Deodoro, na zona Oeste, onde a maior parte das obras está sob responsabilidade da Queiroz Galvão. Um forte impacto financeiro na construtora podia comprometer seriamente o andamento das obras, que tiveram o processo de licitação mais atrasado por causa das indefinições sobre o contratante. A grande apreensão no momento é saber como conciliar a realização dos Jogos com o quotidiano da cidade, em especial na área de transporte. A prefeitura tenta negociar com o Comité Olímpico Internacional (COI) exigências que considera exageradas.

Uma delas é com os corredores exclusivos para a chamada Família Olímpica (atletas, delegações, autoridades, convidados).Representantes da prefeitura dizem, que se forem criados todos os corredores pedidos pelo COI, o trânsito na cidade vai tornar-se  caótico.Para amenizar o impacto no trânsito, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) vai decretar dois ou três feriados no período dos Jogos e adiar as férias escolares. No momento em que a presidente Dilma Rousseff monta o Ministério do segundo mandato, Paes preferia que Aldo Rebelo (PC do B) ficasse no Ministério do Desporto,  mas isso não vai ocorrer. O prefeito não ia gostar de ver grandes mudanças no ministério a pouco tempo da realização dos Jogos.