Jornal dos Desportos

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Modalidades

Organizao aperta no antidoping

lvaro Alexandre - 13 de Agosto, 2015

Carlos Rosa vaticina presena em massa de fundistas dos principais palcos do atletismo mundial na prxima edio da So Silvestre

Fotografia: Miqueias Machangomgo

O anúncio do arranque de investigação de casos de doping no atletismo mundial galvanizou a Federação Angolana da modalidade no controlo da "sanidade" dos atletas que participam da São Silvestre de Luanda, que se disputa a 31 de Dezembro de cada ano. Os três primeiros classificados de classe masculina e feminina e os três primeiros atletas nacionais vão ser submetidos a controlo anti-doping para desincentivar o uso de anabolizantes e outros produtos.

A declaração foi feita ontem em conferência de imprensa, que visou a apresentação da maior corrida pedestre da África Austral. O presidente da Federação Angolana de Atletismo, Carlos Rosa, assegurou que a organização vai realizar nove testes, porquanto "é importante a continuação para dar mais credibilidade à corrida".O dirigente explicou que a queniana Josephine Chepkoech, vencedora da última edição, foi desclassificada por ter acusado positivo no teste anti-doping. A sua compatriota, Stacy Jepkemoi, assumiu o primeiro lugar do pódio e alterou toda a classificação no sector feminino.

"Suspendemos o pagamento do prémio até a entrega do resultado definitivo. Fomos notificados pelo Centro de Medicina Desportiva e informamos aos bancos para adiarem os pagamentos por conta de uma reavaliação", explicou Carlos Rosa. Questionado sobre a tardia divulgação do assunto, o presidente da Federação Angolana defendeu que não houve necessidade de informar os órgãos de comunicação social, numa conferência de imprensa.

"Nos testes existem sempre o beneficio da dúvida.  Após a contra-análise e a confirmação do órgão regional, podíamos ter divulgado, mas evitamos uma conferência de imprensa especial para anunciar um caso", justificou. As inscrições para a São Silvestre de Luanda começam no dia 1 de Setembro e encerram a 15 de Novembro para os fundistas nacionais, sob pagamento de 500 kwanzas. A 60ª edição da São Silvestre está orçada em 18 milhões de kwanzas, contra os 50 do ano passado.

Face  à redução do orçamento na ordem dos 35 por cento, os prémios também foram reduzidos até 50 por cento. O vencedor recebe o equivalente a 7,5 mil dólares e a vencedora seis mil dólares. A direcção da Federação augura elevar o valor do orçamento para 32 milhões, com apoio dos patrocinadores.

Carlos Rosa defende que a redução dos prémios não influencia na vinda dos fundistas estrangeiros. "Os agentes tem conhecimento da alteração. A corrida tem o seu carisma e creio na vinda dos atletas. Há engajamento dos agentes nesse sentido. Sete mil dólares pode não significar muito em Angola, mas para um atleta da Etiópia ou Quénia ainda é atractivo", disse.