Jornal dos Desportos

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Pai de Julles Bianchi acusa pilotos

03 de Junho, 2016

O resultado das investigações apontou Bianchi como o maior culpado da própria batida por não ter diminuído a velocidade sob bandeira amarela

Fotografia: AFP

Phillipe Bianchi, pai de Jules Bianchi, afirmou que os pilotos da F1 estão com medo de falar em frente às câmaras sobre o péssimo resultado das investigações do painel da FIA sobre o acidente fatal de Jules Bianchi.

No final de semana passada, Phillipe Bianchi, pai de Jules Bianchi, entrou oficialmente com uma acção legal contra FIA e F1 por conta do resultado das investigações sobre o acidente fatal do filho, em Outubro de 2014.

Advogando o caso, Bianchi disse que os pilotos da F1 têm a mesma certeza que ele: o resultado da investigação foi absurdo. Mas o medo os impede de dizer abertamente.

O pai do piloto francês, única vítima fatal num acidente de pista da F1 nas últimas duas décadas, afirmou em entrevista à rede de TV inglesa Sky Sports que os pilotos se furtam de dizer para câmaras o que sempre dizem para ele: Jules não foi culpado pela batida. Voltou a afirmar que a proximidade entre os responsáveis pela investigação e a FIA é um factor preponderante na desconfiança com o resultado.

"Com uma câmara ninguém vai dizer nada, porque acho que todo mundo tem medo. Quando não há câmara, todo mundo vem falar comigo e dizer que 'não, não é correcto. Jules não errou, eles erraram'", disse.

"Primeiro, tenho muito respeito pelas pessoas que formaram o painel de investigação do acidente, isso é OK. Mas todo mundo é muito próximo da FIA, e isso, para mim, não pode ser certo", seguiu.

Jules sofreu um acidente no chuvoso GP do Japão de 2014, quando bateu e saiu da pista no mesmo ponto em que Adrian Sutil embateu uma volta antes. A Marussia de Bianchi foi na direcção do guindaste que resgatava o carro do alemão, e a desaceleração causou danos cerebrais que jamais foram revertidos. Jules entrou num coma do qual nunca saiu e morreu nove meses depois.

 O resultado das investigações apontou Bianchi como o maior culpado da própria batida por não ter diminuído a velocidade sob bandeira amarela. O pai não se conforma.

 "As condições no Japão, eu falei com todos os pilotos e eles me responderam que eram terríveis. A luz não era boa e chovia muito. Não dá para dizer que Jules cometeu um erro, é impossível", encerrou.

MALDONADO
REGRESSA  À F-1

Depois de perder a vaga de titular da Renault devido à falta de pagamento do seu patrocinador, a petrolífera venezuelana PDVSA, Pastor Maldonado aproveitou o GP de Mónaco, onde reside, para regressar ao paddock da Fórmula 1 com uma nova função: comentarista de TV.

O venezuelano, que chegou a tentar uma vaga na Fórmula Indy, sem sucesso, agradou nos comentários para a Fox Sports da América Latina, como apurou o UOL Esporte, e deve continuar no cargo pelo restante da temporada. Porém, o piloto não esconde que seu objectivo: regressar à fórmula-1.

"Realmente quero ter uma segunda oportunidade porque sinto que tenho muito a fazer na F-1", disse à Autosport. "Meu plano é voltar. Não é tão ruim ficar fora um ano, pois me deu tempo para reflectir. Começamos as negociações com as equipas e estamos  a tentar conseguir algo para o ano que vem."

Maldonado aposta que a sua experiência de cinco temporadas na categoria seja importante com a mudança de regulamento que acontecerá em 2017.
"Não sou um novato que tem de começar do zero. Só nunca tive um carro para mostrar o meu talento", defendeu.

"Quando estava na Williams, ganhamos uma corrida e em 2012 foi uma boa temporada, mas os outros dois anos não foram tão bons. Na Lotus aconteceu um pouco do mesmo, nunca tive a oportunidade de estar em um nível bom. Gostaria de ter um bom carro, talvez não o melhor, mas um que permita que eu mostre meu potencial e no qual esteja regularmente nos pontos."


GP do Candá
Ferrari quer pontuar


Depois de uma performance apagada no GP de Mónaco, a Ferrari não demorou em colocar um data a sua reacção: o GP do Canadá.Em Monte Carlo, Sebastian Vettel recebeu a bandeirada na quarta posição, 15s846 atrás de Lewis Hamilton, o vencedor. Kimi Räikkönen, por outro lado, deu apenas dez voltas no Principado antes de abandonar por conta de um acidente.

 A actuação em Mónaco despertou a fúria da imprensa italiana, que criticou duramente a equipa de Maranello. Vettel também não foi poupado e acabou acusado de ser “uma sombra” do piloto que se juntou à equipa no ano passado.Chefe da Ferrari, Maurizio Arrivabene negou em entrevista à publicação germânica ‘Speed Week’ que a equipa esteja em crise e falou que a fábrica italiana vai acelerar algumas novidades para a etapa de Montreal.

 "Nós vamos acelerar alguns dos desenvolvimentos para o Canadá”, anunciou. “Vocês vão ver outra Ferrari”, garantiu Arrivabene.  “Para sermos competitivos, devemos melhorar a cada corrida e é isso que está planejado”, continuou.Na visão do dirigente, o grande problema em Mônaco foi a dificuldade dos pilotos com os pneus durante a classificação.

  “É um absurdo ir para o Q1 como o mais rápido e não ser capaz de repetir isso no Q2 e no Q3”, criticou. “Nós precisamos de uma análise profunda do que aconteceu entre o chassi e os pneus com as temperaturas e a pressão”, destacou.

Por fim, Arrivabene negou que a Ferrari já esteja atrás da Red Bull em termos de performance. “Se é a Red Bull que é o problema da Ferrari, então eu vou para casa agora”.


Revelação
Magnussen pede
mais velocidade


Kevin Magnussen quer ver sensualidade nos carros da F1, mas aceita que isso seja colocado na prateleira de trás quando a segurança precisa ser o foco. As mudanças de 2017 valeriam a pena para Magnussen se deixassem os carros bem mais rápida.

As mudanças que os carros da F1 sofrerão para a temporada 2017 levanta, claro, opiniões expressadas por vários pilotos. O último deles, Kevin Magnussen, que quer ver os carros de F1 rápidos e seguros. Mas, se tiver que dar prioridade, pode pensar antes na segurança que na sensualidade das máquinas. 

Na questão da protecção de cockpit, Kevin não esconde que pessoalmente não gosta nem do Halo ou do Aeroscreen, embora prefira a opção preterida. Entende, no entanto, como necessidade caso seja definitivo em salvar vidas."É difícil julgar sem ter testado. O Aeroscreen parece melhor que o Halo, mas felizmente não é meu papel tomar essa decisão.

A F1 precisa ser sexy, mas também precisa fazer tudo em seu poder na questão da segurança. Eu mesmo realmente não quero, mas também não quero que ninguém ou mesmo morra", disse.

O que Magnussen realmente gostaria, com ou sem Halo, é que os carros voltassem a ser mais rápidos. Algo que se afastou das prioridades da F1 nos últimos anos.

"Então, se ajuda com a segurança, então você precisa inserir. Acho que os carros deveriam ser mais rápidos. Eles têm ficado mais e mais lentos desde 2004, enquanto a segurança vai ficando cada vez melhor. Eu preferiria que, assim como a segurança, a velocidade também aumentasse", seguiu.


Próxima temporada
Monza revela novo traçado 


A Chicane Rettifilio será totalmente eliminada, abrindo espaço para uma recta de 1,4km. O trecho passa a ser, portanto, o maior trecho de aceleração do calendário da F1, posto anteriormente ocupado por Xangai. Outra novidade é o regresso da brita à curva Parabolica.

O novo traçado de Monza, que já vinha sendo debatido ao longo dos últimos meses, foi confirmado nesta quarta-feira. A reforma, com conclusão prevista para 2017, vai trazer uma grande mudança: a eliminação por completo da Chicane Rettifilio – a primeira do circuito, responsável por largadas caóticas –, substituída por uma recta imensa de 1,4km. A última vez que a recta italiana não contou com qualquer tipo de chicane foi em 1971.

Assim, Monza recupera a condição de circuito com a maior recta da F1. O posto actualmente pertencia ao circuito de Xangai, na China, com 1,3km.
Yas Marina, em Abu Dhabi, vinha logo atrás, com 1,2km.  Monza, todavia, terá sim uma nova imagem.

 As novidades, reveladas pelo arquitecto Jarno Zaffelli ao site ‘F1Fanatic’, não param aí. Zaffelli também assegura o regresso da antiga caixa de brita da curva Parabolica, uma das mais famosas do traçado. Esta havia sido substituída, em 2013, por uma versão asfaltada.

Ainda de acordo com Zaffelli, os tempos de pole-position devem ficar em torno de 1min21s8. Tal marca seria 1s5 melhor do que a registada por Lewis Hamilton no GP de 2015. As actualizações devem servir para facilitar as negociações com Bernie Ecclestone, que não estava satisfeito com as estruturas de Monza, a respeito da permanência do GP da Itália no calendário da F1.