Jornal dos Desportos

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Modalidades

Paulo Nzinga destitudo da Federao

Rosa Napoleo - 02 de Maio, 2019

Presidente destitudo acusa Casemiro Bento como agente de instabilidade da modalidade

Fotografia: Jos soares | Jornal dos Desportos

A destituição dos órgãos da Federação Angolana de Judo foi o ponto principal da Assembleia Geral extraordinária realizada terça-feira, no anfiteatro da Federação Angolana de Andebol, à Cidadela Desportiva. Os representantes das Associações Provinciais de Luanda, Huambo, Uíge, Cuanza Norte, Namibe e Malanje colocaram ponto final à "gestão conturbada" de Paulo Emílio Nzinga "Apoló". Nenhum membro de direcção fez-se presente no acto.
A destituição dos órgãos da Federação Angolana de Judo deveu-se "à desorganização imperada" na instituição. Desde 2013, os associados desconheciam a realização de uma Assembleia Geral "para tratar da vida da modalidade". A falta de informação provocou a indignação no seio dos associados. Testemunhou-se o desmembramento dos órgãos sociais, a não prestação de contas, mudanças de cargos sem a aprovação dos associados em Assembleia, falta de programação de actividades e desrespeito aos associados provinciais.
Em declarações ao Jornal dos Desportos, o presidente da Associação Provincial de Malanje, Rolando Cabeia, lamentou "a situação triste" do judo. O dirigente reitera o esforço de todos para se mudar o quadro.
\"Malanje está ansiosa em ver as coisas a melhorar. Há muito tempo, estamos a trabalhar com regulamentos expirados e muitos atletas e agentes culpam-nos por eleger a direcção, agora, destituída. O nosso voto não mereceu a consideração devida. Feriram a nossa dignidade. Agora, temos de fazer esforços para reverter a situação\", disse.
Rolando Cabeia espera que as decisões tomadas na Assembleia \"sejam as mais acertadas para que o judo possa brilhar pelo bem\".
Do Huambo, chegou a voz de José Castro. O presidente da Associação local assegurou que a direcção de Paulo Nzinga se esqueceu das instituições provinciais filiadas na Federação.
\"Temos sido banalizados, não somos solicitados para nada, cada um trabalha como pode. Tudo tornou-se uma confusão. As competições da Federação são quase nulas. Uns são tratados como filhos e outros enteados. Felizmente, Huambo não parou e faz as suas actividades graças aos apoios do governo provincial e de patrocinadores", afirmou.
O Cuanza Norte também sente as falhas da ex-direcção federativa. O presidente da Associação, Luís da Cunha, disse que "quando a organização peca, é impossível as outras partes andarem bem".
"Todas estas controversas acabam por afectar e estragar todo o plano bem elaborado. Estamos praticamente a remar contra a maré. Infelizmente, confiamos à Federação nas mãos de alguém a pensar que reunia as condições de levá-la avante. Infelizmente, isso não aconteceu. Esperamos que, com as pequenas soluções, as coisas melhorem para o bem dos atletas e dos amantes do judo", disse.
A Assembleia Geral de destituição foi coordenada por uma mesa eleita. Rolando Cabeia (Malanje) foi o coordenador, coadjuvado por José Castro (Huambo) e Manuel Eloi (Uíge). No final, criou-se uma Comissão de Gestão liderada por Casimiro Bento (atleta do 1º de Agosto) e Eduardo Salqueira, vice-presidente. Rosa Capala, Yuri Paim e José Molare são os auxiliares.
 
REACÇÃO
Apoló considera ilegala Assembleia Geral


O afastado presidente da Federação Angolana de Judo, Paulo Emílio Nzinga "Apoló"  considerou de ilegal a Assembleia Geral extraordinária, realizada pelos associados provinciais no anfiteatro Paulo Bunze, afecto à Federação Angolana de Andebol, na última terça-feira.
Em declarações ao Jornal dos Desportos, o dirigente justificou que a Assembleia Geral só deve ser convocada pelo presidente da Mesa.
"Essa Assembleia Geral está fora das normas e deve ser considerada ilegal. Não foi o presidente da Mesa da Assembleia Geral que a convocou, mas os associados com ajuda de um atleta. Isso está errado. Por outra, apareceram e participaram do conclave os presidentes das Associações. Geralmente, deveriam ser os secretários-gerais e não os presidentes", fundamentou.
Paulo Nzinga justificou que a "não realização de Assembleias Gerais há mais de quatro anos deveu-se à carência financeira que grassa à Federação Angolana de Judo".
"Ainda não realizamos a Assembleia Geral por falta de dinheiro. A reunião magna requer as condições financeiras para acudir a hospedagem, alimentação e outros pressupostos dos delegados. A nossa intenção era realizá-la no próximo mês de Novembro. Até lá, teríamos de recolher as informações sobre o estado das associações provinciais por meio de relatórios de actividades. Isso requer tempo", disse.
Paulo Emílio Zinga 'Apolo' sustenta que o acto de destituição "resulta de uma rebelião do atleta Casimiro Bento, o mentor que excita os associados provinciais contra a direcção federativa".
A Assembleia Geral começou com a leitura de uma carta de Paulo Zinga dirigida à Ministra da Juventude e Desportos. O presidente destituído evoca "a realização da Assembleia como um acto de irregularidade e fruto de indisciplina dos atletas lesados que pretendem criar instabilidade na modalidade".
No documento, Paulo Zinga fundamenta que "as províncias do Namibe e de Luanda  não têm legitimidade de participar da Assembleia Geral\". Os associados visados defenderam-se e acusam Paulo Nzinga de falta de coerência e de verdade na sua explanação.
"Se não tivéssemos legitimidade, porque votámos nas eleições que o colocaram na direcção?", questionaram-no.