Jornal dos Desportos

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Modalidades

Paulo Silva falha hoje final

Hélder Jeremias - 31 de Julho, 2016

Atirador do 1º de Agosto perde a oportunidade de erguer o troféu em homenagem ao maior ícone da modalidade em Angola

Fotografia: Jornal dos Desportos

O atirador nacional Paulo Silva é o grande ausente na final do Grande Prémio Zeca França que o campo de tiro do Regimento de Defesa Anti-Aérea acolhe hoje, a partir das 8h30. O atleta do 1º de Agosto embarca hoje, às 14h00, para o Rio de Janeiro, onde vai disputar o torneio de tiro aos pratos da 31ª edição dos Jogos Olímpicos, que decorrem de 5 a 21 de Agosto.

Paulo Silva vai ao Rio de Janeiro a convite da Federação Internacional de Tiro (ISSF, sigla inglesa) e tinha como meta arrebatar o troféu para prestar tributo a Zeca França, personalidade de quem absorveu grande parte de conhecimentos sobre a modalidade de disparos sobre o alvo projectado.

Com a viagem ao Brasil, Paulo Silva perde a oportunidade de erguer o primeiro troféu que homenageia o ícone do tiro aos pratos angolanos, o malogrado Zeca França, falecido em Dezembro de 2015 e também o troféu em alusão ao 39º aniversário da constituição do 1º de Agosto, a ser celebrado amanhã.

O campeão nacional de fosso olímpico apareceu em grande plano nas sessões de treinos livres e oficiais, que decorreram na sexta-feira. Ontem, no primeiro dia da prova oficial, Paulo Silva voltou a evidenciar-se, mas teve de se conformar com a impossibilidade de lutar pelo troféu pelo facto do horário da viagem coincidir com o final da competição.

Com a ausência do representante angolano nos Jogos Olímpicos que vão decorrer nas terras do Samba, os atiradores de refinada precisão como Francisco Gastão, Jorge Nobre Ricardo Lopes, Paulo Guga, Ruca Mendonça, Filipe Falcão (todos do Interclube), Fernado Pessoa, Clube de Tiro caça e Pescas de Benguela, Jorge Perestelo, Artur Anastácio, Erica Andrade (todos do 1º de Agosto), entre outros candidatos, têm a linha aberta para obter os mínimos necessários para a consagração.

O dia de ontem teve como um dos pontos mais altos a homenagem a Zeca França. A direcção do 1º de Agosto atribuiu ao irmão do malogrado atirador, o General António dos Santos França "Ndalu", uma placa. Em representação dos familiares do antigo atirador do 1º de Agosto, França "Ndalu"distribuiu medalhas a todos os participantes do torneio pontuável para a quinta jornada do Campeonato nacional de Fosso Olímpico.

Acompanhado do presidente do 1º de Agosto, Carlos Hendrick, o General António dos Santos França "Ndalu" agradeceu o gesto da direcção do clube anfitrião por se tratar de um acto de reconhecimento dos feitos de Zeca França em prol do tiro quer no clube quer na selecção nacional.

Por seu turno, os atiradores foram unânimes em considerar uma homenagem merecida. O gesto é uma forma de manter sempre presente a imagem de um dos maiores ícones do desporto nacional. Garantiram mais empenho a cada edição para que os clubes presentes consigam arrebatar o prestigiante troféu e enriquecer as galerias.

O chefe de departamento de tiro do 1º de Agosto, Humberto Jorge, é um homem convicto no sucesso da primeira empreitada. O dirigente sublinhou a boa colaboração do clube da Força Aérea Nacional, entidade que cedeu as instalações para acolher o evento, assim como a entrega dos demais clubes.

"O torneio está a decorrer sem grande sobressaltos e ficamos felizes por termos a presença de ilustres personalidades como são os casos do General António dos Santos França "Ndalu" e o presidente do clube, General Carlos Hendrick. Os atiradores estão a pautar-se por uma disputa salutar, de modo que podemos perspectivar uma jornada coroada de êxitos", augurou o responsável do 1º de Agosto.


OBJECTIVO

Interclube almeja troféu do GP Zeca França


O atirador do Interclube, Caly Mendonça, está crente na potencialidade dos companheiros para arrebatar o troféu da primeira edição do Grande Prémio Zeca França, que encerra hoje no campo de tiro da Força Aérea Nacional. Referenciado entre os melhores atiradores da praça nacional, Cali Mendonça sustenta a crença na forte aposta da direcção liderada por Alves Simões. O "polícia" assegura que a estratégia da gestão do Interclube assenta na massificação dos desportos, no geral, e do tiro em particular. Com a disponibilidade de infra-estruturas topo de gama, a conquista do troféu é uma certeza.O também Comissário da Polícia Nacional informou que o Interclube vai implementar a médio prazo um programa de massificação de tiro aos pratos no seio dos efectivos da corporação e funcionários civis do Ministério do Interior de maneira a tirar maior proveito das novas instalações."Vamos massificar o tiro no seio dos efectivos da Polícia Nacional, de modo que os equipamentos sejam utilizados em benefício do desporto nacional", informou Calí Mendonça.

O responsável deixou transparecer a intenção de elevar o patamar dos atiradores nacionais, tendo em vista alcançar a hegemonia do tiro aos pratos na zona VI e impor-se com maior firmeza nas provas de dimensão continental e mundial. Para o efeito, Cali Mendonça afirmou que tudo passa por um forte investimento no capital humano."Com as novas instalações do clube, torna-se necessário tirar o devido proveito, não obstante as dificuldades financeiras que a actual conjuntura impõe", teceu.

Caly Mendonça reconhece que a modalidade ainda não atingiu o nível desejado, mas garante a criação de bases para que o quadro seja alterado. O dirigente assegura que é imperioso a dedicação de todos agentes desportivos a classe, sem perder de vista a maior divulgação do trabalho na comunicação social.

A presença de atiradores de refinada precisão no seio do clube da Polícia Nacional representa uma grande oportunidade para as camadas mais jovens ganharem experiência, segundo Caly Mendonça. Para si, só dessa forma é possível projectar uma classe de atiradores capazes de dar seguimento à massificação pretendida pelo clube em todas as regiões do país.
                                         

GÉNERO
Erica Andrade defende feminino


A atiradora ao serviço do 1º de Agosto, Erica Andrade, está convicta na obtenção da melhor classificação entre as atletas do género feminino como forma de tributo ao malogrado atleta do clube militar e da selecção Nacional, Zeca França.

A também atiradora da selecção nacional revelou que os atiradores encontram dificuldades por falta de relva na parte frontal do fosso olímpico da Força Aérea Nacional. A falta do tapete verde impossibilita a visibilidade dos pratos projectados. A cor avermelhada do terreno baldio e a forte incidência dos raios solares tornam fraca a visibilidade.

"Os nossos mínimos estão a ser condicionados pelo fraco contraste entre os pratos e a terra vermelha, situação que poderia ser evitada caso existisse relva neste terreno baldio", disse.

Apesar da contrariedade invocada, a atiradora com maior número de presenças em provas internacionais mantém um discurso positivo. Érica Andrade assegura que os concorrentes experimentam as mesmas circunstâncias, o que se traduz na redução significativa dos mínimos obtidos por qualquer unidade inserida no certame.

"Estou empenhada na busca de uma pontuação que se reflicta numa condigna homenagem para o atirador que, enquanto vivo, representou o clube com dignidade", confidenciou a atleta.

Érica Andrade antevê uma época profícua para as colegas de equipa, mormente, Janaina Andrade e Julieta Andrade. As duas apresentam uma grande margem de progresso no manuseio das espingardas. Para a "militar", brevemente, a selecção nacional pode contar com novas integrantes à altura de defender com brio as cores da nação.

Dotada de refinada técnica e pontaria invejável, Érica Andrade defende a necessidade dos clubes nacionais gizarem estratégias que permitam a inserção do maior número de jovens de ambos os sexos. A atleta justifica que grande percentagem dos atiradores melhor dotados estão atarefados com questões profissionais e há a necessidade do país fazer-se representar nos próximos desafios. 














































         HELDER JEREMI