Jornal dos Desportos

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Pavilhão da Cidadela acolhe nacional

02 de Setembro, 2015

Os primeiros nacionais de andebol criaram premissas para a hegemonia do país em África

Fotografia: Jornal dos Desportos

O Pavilhão da Cidadela Desportiva acolheu no ano de 1979, o 1º Campeonato Nacional de Andebol de sete nas categorias de seniores. Neste certame participaram grandes equipas do nosso andebol como o Belenenses, 1º de Agosto e Atlético, todas de Luanda, e ainda o Clube da Educação, da Huíla e uma formação do Huambo.

No emparceiramento da primeira jornada, o Belenenses e o Clube da Educação da Huíla estiveram em confronto, seguindo-se a partida 1º de Agosto - Atlético, descansado a equipa do Huambo. A realização deste primeiro Campeonato Nacional teve uma importância inimaginável, não tanto pela sua especularidade ou grandiosidade -, mas simplesmente pelo facto de ser o princípio de uma caminhada que se antevia longa, difícil, mas ainda assim necessária, em que os reptos já estavam voltados na internacionalização do andebol angolano. 

Mas para que o sucesso fosse alcançado, perguntas e respostas marcavam as atenções dos encontros realizados à volta andebol nacional. Uma boa organização interna, exigia de imediato a realização de um campeonato nacional, que tivesse que envolver a participação de todos os homens de andebol, procurando pôr em "jogo" todos os conhecimentos e,  ano após ano, melhora-los,  apurando êxitos e fracassos num constante progresso em relação ao nível do andebol africano.

Entretanto, este Campeonato Nacional de Andebol de sete nas categorias de seniores, antevia-se equilibrado, sobretudo no que toca às equipas da capital, aparentemente mais dotadas para este tipo de competição que as das outras províncias. Todavia, não foram excluídas surpresas vindas das representações da Huíla e do Huambo que, embora na altura pouco conhecidas, demonstraram um andebol já desenvolvido naquela parcela do território nacional.

VII Espartaquíada dos povos da URSS
Angola marca presença


Uma delegação angolana esteve na capital da ex- União das Repúblicas Socialistas (hoje, Federação Rússia), Moscovo para participar da VII Espartaquíada de verão dos Povos nas modalidades de natação, atletismo e natação. Considerada na altura o maior acontecimento desportivo mundial em que dela fazem parte atletas de várias representações dos países do globo, a VII Espartaquíada dos Povos da União Soviética testaria a capacidade organizativa e os meios  disponíveis para o acontecimento.No saudoso ano de 1980, pela primeira vez na sua história, a Espartaquíada dos Povos da URSS contava com a participação de atletas estrangeiros nas suas provas finais. Estiveram em Moscovo grandes vedetas desportivas mundiais com excelente passagem pelos Jogos Olímpicos. A delegação angolana foi chefiada por Guilherme do Espírito Santo, chefe do Departamento Nacional de Formação de Quadros da Secretaria de Estado da Educação Física e Desportos e integrada pelos atletas Mota Gomes e Alfredo Melão (atletismo); Michele Pessoa, Francisco Santos e Jorge Lima (natação) e José Mendonça e Abílio Cabral (boxe).

FIGURA
Dirigente desportivo

Guilhermina Cruz foi recordista nacional 

A recordista nacional dos 400 metros em atletismo, Guilhermina Cruz j,untou-se a aos inúmeros desportistas que marcaram o desporto angolano para a edição do ANGOLA 40 ANOS do Jornal dos Desportos.Hoje nas vestes de responsável numa área do Ministério da Juventude e Desportos Guilhermina Cruz fala da sua carreira e dos desafios de nascer e viver  em Angola, um país que conquistou a Independência Nacional a 11 de Novembro de 1975.
Por isso caro leitor, siga a entrevista desta ilustre figura do atletismo nacional.

Apesar de em 1975 (ano da proclamação da Independência Nacional) o que pode dizer daquele período?

Na qualidade de cidadã nacional que curiosamente foi nascida em 1970, isto é cinco anos antes da conquista da independência tenho apenas a dizer que,  é bom saber que nesta altura o país tinha conquistado a liberdade.

Tem uma ideia do que era o desporto angolano até então?
A sociedade em geral sabe muito bem que antes da independência, Angola fazia parte das províncias ultra-marinas de Portugal e por este motivo, os desportistas nacionais não poderiam identificar-se como tal. Um caso totalmente diferente após a proclamação da nossa Dipanda e eu sou uma das atletas de carreira felizarda, depois de 1975, tal como outros grandes nomes do desporto angolano.

Prevalece a paixão pelo desporto?

A paixão pelo desporto sempre vai prevalecer, uma vez que tive uma vivência como atleta de alta competição e hoje, continuo no desporto, mas como dirigente. Penso eu que este exemplo deve ser bem entendido pelos nossos petizes de formas a gostarem e  profissionalizarem-se no desporto, tendo em conta o futuro que os espera.

Na qualidade de antiga praticante de basquetebol, como é vista nesta modalidade?

Acredito que pela simplicidade que tenho, sou vista como alguém de respeito, carinho e admiração. Esta mesma admiração tem haver com os grandes feitos alcançados no atletismo:. Recordo aqui  que continuo a ostentar o título de recordista dos 400 metros. Esta vontade de crescer teve etapas importantes na minha carreira.

O que mais a marcou ao longo destes anos de Dipanda?

A leitura é vasta, começo por dizer que melhoramos no que toca à gestão desportiva em todos os níveis, desde a construção de infra-estruturas durante o CAN 2010 que organizamos, a ida para o  mundial de futebol na Alemanha, a realização do Mundial de Hóquei em Patins, como também o Campeonato Africano de Basquetebol de Cadeiras de Rodas, para além da formação académica e desportiva, tendo em conta os desafios que um país independente tem a percorrer ao longos de 40 anos.

O desporto tem um momento importante na sua vida?

Agradeço ao desporto, em particular ao atletismo, hoje sou uma dirigente desportiva. Foram anos de empenho e muita dedicação, enquanto atleta e por outra, um desafio para além da carreira nas pistas. A formação académica, este é para mim o seguimento necessário para que o desporto venha marcar a nossa vida. Aproveito o momento para exemplificar para além da minha carreira, o meu colega no mundo desportivo, Carlos Almeida hoje, deputado da Assembleia Nacional ontem, basquetebolista. Tudo isso foi graças a aposta que soube dar na formação académica.HERMÍNIO FONTES