Jornal dos Desportos

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Pedro Gomes é campeão zonal

Silva Cacuti - 21 de Abril, 2014

Pedro Gomes apontado como a maior esperança de boxe angolano nos campeonatos africanos precisa de uma bolsa olímpica

Fotografia: Jornal dos Desportos

O pugilista Pedro Gomes, do Interclube, regressa hoje ao país com a medalha de ouro ao peito da categoria dos 56 quilogramas do zonal IV, torneio disputado em Pretória, de 14 a 20 do corrente. O pugilista, filho do antigo campeão mundial do super-galo nas versões WBA, TWBA, foi o único a conquistar a medalha de ouro no grupo de dez integrantes da Selecção Nacional.Adilson Ramiro e Tumba Silva detinham os títulos continentais, acabaram destronados. Tumba ainda disputou a final, mas Ramiro que evolui na Rússia e que foi o melhor pugilista da edição anterior, não chegou à final.

As medalhas de prata foram conseguidas por Manuel Victor André (Interclube), nos 60 kg, Tumba Silva (Electro do Lobito) nos 91 kg e Fernandes António (Electro do Lobito) nos +91 kg.A Selecção Nacional de boxe subiu um lugar no ranking da Zona IV ficou na terceira posição do torneio. O conjunto angolano trabalhou às ordens da dupla Eugénio Gourgel/ Henrique Carrión, somou um total de nove medalhas, das quais uma de ouro, três de prata e cinco de bronze. A equipa angolana foi constituída pelos atletas Victor Adriano (49kg), Kilombo Merlim (52kg), Pedro Gomes (56kg), Manuel André (60kg), Adilson Ramiro (64kg), Henriques Landu (69kg), Vidal Raimundo (75kg), Daniel Zeca (81kg), Tumba Silva (91kg) e Ferdinando Cipriano (+91kg).

A prova foi vencida pela equipa anfitriã, seguida da Namíbia. Participaram na prova selecções nacionais de oito países, nomeadamente, da Namíbia, Angola, Moçambique, África do Sul, Lesotho, Swazilândia, Ilhas Seycheles e BotswanaConforme apuramos, a má actuação dos juízes foi um dos elementos que marcou a prova, o que  obrigou  Carlos Luis, presidente da Federação Angolana de Boxe (Faboxe), a apresentar um protesto, sem sucesso, em relação ao  combate que opôs o pugilista Victor Adriano (49kg) diante de um moçambicano.A Selecção Nacional regressa hoje ao país, sem a dupla técnica que com alguns responsáveis da Federação têm chegada prevista para amanhã.

EQUIPAMENTO
Interclube veste selecção nacional


Os pugilistas angolanos voltaram a subir ao ringue de uma competição internacional sem as cores da nação angolana por razões desconhecidas. A Selecção Nacional utilizou equipamentos do Interclube na recente participação no torneio da Zona IV disputado em Pretória, África do Sul, conforme apurámos.Aquando do embarque da Selecção Nacional, o presidente da Federação Angolana de Boxe, Carlos Luís, tinha garantido que o equipamento para o certame estava assegurado e que durante a preparação da equipa nacional, cada atleta teve de fazer o uso do seu material individual. Na altura, o responsável federativo disse também que alguns atletas não devolveram o material à Federação depois de fazeram parte das anteriores convocatórias.

O Interclube é a equipa que cede a maior parte de atletas à Selecção Nacional e não se sabe a que título cede o seu equipamento à Selecção Nacional.Esta é a segunda vez que a Selecção Nacional de boxe participa de uma prova internacional sem exibir as cores da Bandeira Nacional, depois de o ter feito, sem justificação plausível, no campeonato mundial de Almaty, Cazaquistão, em 2013. Na época, já tinha sido o Interclube a subsidiar.

LUTO
Morreu Rubin “Hurricane”


O ex-pugilista norte-americano Rubin “Hurricane” Carter, famoso por ter passado 19 anos preso injustamente por um triplo homicídio, morreu ontem, em sua casa, em Toronto, no Canadá. A história de Carter inspirou a famosa música “Hurricane”, de Bob Dylan, e o filme “The Hurricane”, com Denzel Washington no papel principal.Rubin “Hurricane” Carter nasceu a 6 de Maio de 1937, em Paterson, Nova Jersey. Durante a carreira desportiva, Hurricane lutou na categoria de peso médio no período entre 1961 e 1966. Travou uma longa disputa judicial ao ser preso por assassinato. Hurricane foi surpreendido pela polícia, quando andava de carro com amigos. Esteve preso por um crime do qual anos mais tarde foi ilibado. Na prisão, viu a sua carreira de pugilista ir por água abaixo. Era o favorito ao cinturão de Peso Médio do ano de 1966, aos 29 anos de idade.

Junto com o seu amigo John Artis foi condenado pelo homicídio de três pessoas num bar da cidade. Duas testemunhas no local do crime confirmaram os dois como os autores do triplo assassinato, porém há suspeita de perseguição racial. Artis passou 15 anos na cadeia antes de obter a sua liberdade. Rubin Carter ficou preso até 1985, quando graças à retirada do processo e anulação da pena, foi solto.Quase 30 anos depois, em 1993, recebeu o Cinturão de Campeão de Peso Médio do Boxe, algo nunca concedido a um ex-lutador. O episódio foi eternizado na música Hurricane, de Bob Dylan. Também há um filme sobre a sua vida chamado The Hurricane, protagonizado por Denzel Washington, numa antológica versão adaptada ao cinema.