Jornal dos Desportos

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Perda do título apavora Rossi

11 de Março, 2016

Italiano não se arrepende do ataque ao espanhol da Honda

Fotografia: AFP

Às vésperas do início da época'2016, a confusão entre Valentino Rossi e Marc Márquez, em 2015, continua muito viva na MotoGP. O piloto italiano voltou a falar sobre o caso e revelou que não teve outra opção a não ser se colocar contra o espanhol da Honda Repsol. Uma razão estava por detrás da posição tomada: percebeu que estava "tramado" na disputa pelo título.

Antes da penúltima etapa, na Malásia, Valentino Rossi lançou um ataque contra Marc Márquez. O nove vezes campeão acusou o bi-campeão da Honda "de pensar como uma criança". Rossi concluiu que Marc Márquez estava a ajudar Jorge Lorenzo para conquistar a taça e a posição do espanhol da Honda na pista era de impedir a progressão do italiano.

No GP em Sepang, Marc Márquez endureceu a disputa por posição com Valentino Rossi. Ambos lutavam pela terceira posição da corrida, quando um toque levou o espanhol ao chão. A direcção de prova culpou o piloto da Yamaha, que teve de largar do último posto na prova decisiva de Valência. A sanção minou qualquer oportunidade de título de Valentino. Lorenzo, por sua vez, aproveitou-a e celebrou o terceiro campeonato na classe rainha.

O italiano entende que "tinha tudo a perder" naquele momento e que, por isso, os comentários na sala de imprensa foram o seu único recurso na batalha pelo campeonato.

"Tenho pensado muito no que aconteceu. Também penso que talvez teria sido melhor se não tivesse falado nada, mas tinha de fazer, porque percebi que estava tramado", disse o piloto de 37 anos em entrevista à publicação 'Motosprint'.

Na sua justificação, Rossi assegurou que "teria sido muito difícil bater Jorge Lorenzo numa situação normal". E quando viu que Márquez estava contra si, apercebeu que estava "mesmo tramado". A estratégia do italiano para afastar o jovem bicampeão da pista, na última etapa, era usar a imprensa.

"Com a conferência de imprensa, mais do que tentar intimidar Márquez, tentei chamar a atenção da direcção de prova, com o objectivo de resolver tudo. Já havíamos tentado conversar com a direcção de prova, mas não nos ouviram. Então, tentei outro caminho. Acho que subestimaram o problema, porque o que aconteceu foi algo que ninguém esperava: não fiz nada e nem eles. Então, quando dissemos, passaram a perguntar: 'O que há por trás disso?'", explicou Rossi.

O nove vezes campeão acrescentou: "A questão foi subestimada e tudo isso teria sido evitado se tivéssemos conversado todos juntos na Malásia".

NADA SERÁ
COMO ANTES

A pouco mais de uma semana do começo do Mundial 2016, no Qatar, Valentino Rossi entende que "nunca mais nada vai ser da mesma forma" no que diz respeito ao relacionamento com Marc Márquez e Jorge Lorenzo.

Ainda assim, o multicampeão deseja apenas manter uma relação de trabalho com o tricampeão, mas disse que ainda está perplexo com as tácticas e o comportamento do jovem piloto da Honda.

"Teria sido melhor para Marc também, pois teria feito as suas próprias corridas. Ficou complemente claro quais eram as suas intenções.

A corrida em Valência foi a cereja do bolo (Márquez terminou a corrida em segundo, atrás de Lorenzo)", lembrou.

Na conclusão da sua análise, Rossi disse: "De qualquer forma, não é muito importante, no sentido de que a nossa relação, depois do que aconteceu, nunca mais pode ser restaurada".

Perante o novo cenário, o futuro reserva outra maneira de estar na MotoGP: "Vamos ter de ser unicamente rivais, mas gostaria que o foco fosse somente esse e não um disparate de apertar as mãos".

Com destino traçado, Rossi demonstra a personalidade fora da pista: "Prefiro fazer as coisas reais, que é o caminho".


LORENZO E ROSSI
Director descarta
“guerra de ofertas”


O ano de 2016 está repleto de surpresas na MotoGP. Com as amizades azedadas, há poucos amigos para completar uma equipa de sucesso. As negociações dos pilotos vão dominar o mercado. As principais estrelas como Jorge Lorenzo, Valentino Rossi, Marc Márquez e Dani Pedrosa têm contratos a expirar no final da época corrente.

Na Yamaha, as estrelas não vão ter privilégios. A direcção da equipa de Iwata garantiu que não vai fazer loucuras para manter a sua dupla inalterada.

Em declarações à publicação alemã 'Speedweek’, o director da equipa dos diapasões, Lin Jarvis, avaliou que a Yamaha tem uma posição privilegiada e, por isso, não vai além dos valores de mercado para manter Jorge Lorenzo e Valentino Rossi.

“Sabemos como funciona o mercado e quais são os preços relativos. Estamos prontos para pagar aos nossos pilotos o preço de mercado, mas não para ir além disso", disse Jarvis.

A conquista do título em 2015 deu uma roupagem diferente à equipa japonesa. O "status" da equipa campeã coloca-a entre as mais cobiçadas pelos pilotos.

“Não vamos aceitar uma guerra de ofertas, até porque estamos numa posição privilegiada de oferecer muito aos pilotos”, ponderou Lin.

Em 2015, a Yamaha conquistou a tríplice coroa da MotoGP: os Mundiais de Pilotos, Construtores e Equipas. Ao longo da pré-época, a equipa também se mostrou bastante competitiva, bem à frente da eterna rival Honda.

“O nosso pacote é muito competitivo e não podemos desperdiçar muito dinheiro”, defendeu. “Para a maioria dos pilotos, a oportunidade de entrar no programa de fábrica da Yamaha é muito atraente, sobretudo, agora que mostramos o nosso valor”, concluiu.

Jorge Lorenzo já deixou clara a sua intenção de renovar com a Yamaha. O espanhol afirmou o seu desejo de estender o seu vínculo antes mesmo do início da época. Rossi, por outro lado, ainda não decidiu se vai continuar no Mundial ou encerrar a carreira, mas garantiu que, se continuar, vai ser com a casa de Iwata.


OLHOS EM 2017
KTM continua a desenvolver a moto RC16


HA KTM continua empenhada nos preparativos para a sua entrada na MotoGP em 2017. Na última quarta-feira, a marca austríaca completou uma nova série de três dias de testes no circuito Ricardo Tormo. Desta vez, Mika Kallio e Randy de Puniet foram os responsáveis por conduzir o protótipo em Valência.

Ao longo dos três dias, a KTM enfrentou as condições mistas, com chuva, sol e vento forte. Ainda assim, a fábrica laranja deixa a Espanha confiante na evolução do protótipo. O consultor da equipa e agora vice-presidente para assuntos on-road, Mike Leitner, destacou o bom trabalho feito pela equipa da KTM ao longo do teste e afirmou que a RC16 deu um bom passo em relação ao teste feito em Valência em Novembro passado.

“Um grande elogio para os dois pilotos e todo o crédito para a equipa, que fez um trabalho extremamente bom ao longo desses três dias em condições muito diferentes e difíceis”, disse Leitner.

O dirigente acrescentou que, apesar de tudo isso, a equipa conseguiu fazer muitos testes e trabalhar em várias direcções.

"O feedback similar de Mika e Randy coloca-nos na direcção certa de como precisamos continuar a trabalhar para a próxima série de testes”, continuou.

Na sua avaliação, Leitner assegurou que "a equipa, mais uma vez, progrediu na área da electrónica e conseguiu um melhor entendimento dos pneus e acertou a moto".

"No que diz respeito à performance, conseguimos dar um claro passo em comparação com o teste que fizemos em Novembro do ano passado”, avaliou.Piloto de testes da equipa, Kallio contou que está a ficar cada vez mais confortável na RC16, mas ainda vai com calma para a pista para encontrar o limite da moto aos poucos.

“No que diz respeito ao feeling, descobrimos alguns problemas importantes no último dia, quando trabalhamos na dianteira e no equilíbrio da moto”, contou.

Kallio disse também que "é positivo a forma como a electrónica está a trabalhar e a marcação de pontos no plano definido eleva a garantia".

“Estou a sentir-me mais e mais confortável na moto e apesar de ainda entrarmos com cautela na pista; passo a passo, estamos a trabalhar em direcção ao limite”, explicou.

Recém-contratado pelos austríacos, De Puniet lamentou que tenha completado poucas voltas, mas destacou a importância do trabalho em Valência.
“Para mim, este foi um teste importante. Estou feliz com a moto e fomos capazes de testar muitas peças novas”, comentou.

O próximo teste com a RC16 está agendado para o fim de Abril.


ÀS PORTAS DO GP QATAR
Michelin ajusta pneu dianteiro macio


Começou a contagem regressiva para a largada do Grande Prémio do Qatar de MotoGP. A Michelin anunciou que já tem a sua escolha de pneus completa para a prova do circuito de Losail, que abre a época'2016.

A fábrica francesa regressa ao Campeonato Mundial de Motociclismo neste ano, após uma ausência de sete épocas para assumir o lugar da Bridgestone como fornecedora única dos compostos da MotoGP.

O director-técnico da Michelin Motorsport, Nicolas Goubert, anunciou que os franceses já têm os seus compostos definidos, mas ainda vão trabalhar um pouco no pneu dianteiro macio, que teve um desgaste acima do esperado nos testes em Losail.

“Completamos a nossa escolha de pneus dianteiros e traseiros. Os pilotos estão felizes com a performance dos traseiros, depois que lhes demos as duas especificações aprovadas para a primeira corrida da época, que também vai acontecer em Losail”, disse Goubert.

Nicolas Goubert assegurou que “as condições de pista evoluíram consideravelmente ao longo de três dias no Qatar e ocasionalmente a equipa notou um desgaste excessivo da versão de composto macio do pneu dianteiro".

"Vamos, consequentemente, precisar ajustar um pouco essa especificação para poder torná-la mais forte”, contou.

Com a versão dura, o dirigente disse que não tiveram "qualquer problema" e o pneu que vai estar disponível aos pilotos para a estreia vai ser idêntico”.

No teste do Qatar, Jorge Lorenzo foi o único a rodar abaixo da marca de 1min55s. O piloto da Yamaha cravou 1min54s810 na sua melhor volta e ficou com 0s516 de margem sobre Scott Redding, o segundo colocado.

“Além de anotar a volta mais rápida, Jorge Lorenzo fez uma simulação de corrida interessante, durante a qual anotou voltas rápidas e consistentes.
Inúmeros outros pilotos fizeram o mesmo e pudemos colectar muitas informações valiosas que vamos agora estudar”, lembrou Goubert.

O responsável ressaltou que têm dez dias para fazer os pneus necessários para o primeiro GP da época.