Jornal dos Desportos

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Modalidades

Perestrelo supera concorrentes

Gaudncio Hamelay, no Lubango - 20 de Agosto, 2018

Atleta do 1 de Agosto passeou toda a sua classe na provncia da Hula

Fotografia: Edies Novembro

O atirador do 1º de Agosto, Jorge Perestrelo, precisou de 116 pontos para vencer a 8ª Contagem do Campeonato Nacional de Tiro aos Pratos em Fosso Olímpico, prova disputada no fim-de-semana, na cidade do Lubango, província da Huíla.
Com esse triunfo, Jorge Perestrelo regressa as vitórias, depois de ter ficado muito tempo sem ir a uma final e nem ganho qualquer torneio.
 O vencedor da prova, inserida igualmente na 32ª edição das Festas de Nossa Senhora do Monte, padroeira da Cidade, manifestou no final a sua satisfação, pelo facto de ter conseguido triunfar numa competição bem disputada e renhida até ao fim.
 “Foi uma final bem disputada e aproveito para felicitar a organização. Há muito tempo que eu não vou a uma final e nem ganho nenhum torneio. Para mim, é mais um incentivo voltar as vitórias. E dizer que foi uma competição renhida até ao fim. Estão de parabéns todos os atiradores e bem-haja a unidade entre todos nós”, enalteceu.
 Jorge Perestrelo admitiu não acalentar alguma esperança para vencer o título deste nacional de tiro aos pratos, porque ultimamente não tem treinado devido a situação dos cartuchos, que estão cada vez mais caros. “Então, cada vez nós vamos nos afastando dos treinos e da modalidade”, frisou. 
 A segunda posição coube ao seu colega do clube, Paulo Guga, ao totalizar 110+4+2, enquanto Jorge Nobre, do Interclube, ficou em terceiro lugar com 111+1 pontos. Albano Freitas, da Força Aérea Nacional (FAN) quedou-se no quarto lugar, ao somar 110 pontos.
O conceituado atirador Paulo Silva, do 1º de Agosto, que foi o melhor na prova geral com o mínimo olímpico (116), foi relegado para a 5ª posição da tabela de classificação.
A falta de sorte foi um dos motivos apontado pelo atirador Paulo Guga, para justificar a sua derrota na final, onde Jorge Perestrelo saiu-se melhor. “Isto é uma final e não tem muita coisa que se diga. O vencedor beneficiou do factor sorte. E endereço os meus parabéns a ele. A prova foi bem disputa no cômputo dos dois dias. De minha parte faltou um pouco de sorte para triunfar”, reconheceu.
Paulo Guga prometeu trabalhar, para que, nas próximas provas, possa revirar o resultado e continuar a lutar pelo título nacional. 
Destacou, que a província da Huíla sempre realizou grandes provas e praticamente é a capital do tiro em Angola. “Graças a Deus tudo correu bem e espero que, no próximo Agosto de 2019, a coisa seja ainda melhor”, garantiu.
Considerou o nível competitivo dos atiradores, ao longo desta prova, de aceitável e citou existir um leque grande de cinco a seis atletas que, normalmente, são os finalistas que conseguem sempre fazer os mínimos olímpicos.
 “Reparem que, no geral da prova, Paulo Silva foi o melhor com o mínimo olímpico e na final ficou em 5º lugar. Só faltou sorte. Mas é mesmo assim. Só parte e falha quem esta presente. Por isso, esperamos que a próxima vez seja melhor”, afirmou.
Paulo Guga contou que, o mau clima que se fez sentir na manhã de domingo no complexo de Tiro Desportivo “Paulo Silva”, não influenciou em nada nos resultados alcançado pelos atirados no torneio.
 Paulo Guga disse que, a faltarem duas provas para o término do nacional, sendo uma a realizar-se na província de Benguela e outra no município dos Gambos (Huíla), tudo ainda está em aberto, para conquistar o título, embora reconheça que o seu colega Paulo Silva, está a frente com uma boa margem. “Mas vamos tentar fazer tudo, para, no fim de contas, ver se conseguimos manobrar a tabela classificativa”, assegurou.
 O troféu por equipas, coube ao Clube 1º de Agosto, ao somar 316 pontos, seguido pela Força Aérea Nacional (FAN), com 311. Nos lugares seguintes, quedaram-se o Clube de Tiro & Pesca do Lubango, ao totalizar 309 pontos, e o Interclube, com 298. Participaram na 8ª Contagem do Campeonato Nacional de Tiro aos Pratos em Fosso Olímpico, 29 atiradores, em representação do 1º de Agosto, Clube de Tiro & Pesca do Lubango, o Clube Desportivo de Tiro, Caça & Pesca de Benguela, Interclube e atletas individuais.


Desejo
Paulo Silva promete gerir liderança da prova


 O actual líder do Campeonato Nacional de Tiro aos Pratos em Fosso Olímpico, Paulo Silva, prometeu gerir a liderança para reconquistar o título de campeão, quando faltam duas provas para o termo da competição.
O atirador do 1º de Agosto, na 8ª Contagem do Campeonato Nacional de Tiro aos Pratos, disputado sábado e domingo, na cidade do Lubango, quedou-se na 5ª posição com 116 pontos, num evento em que a final lhe correu mal.
“Para o campeonato nacional foi óptimo, porque fiquei em primeiro aos 125. E, é aí que conta para o campeonato nacional. Então, se entrei como líder, sou mais lider agora. Nesse aspecto correu-me bem. Gostaria ter ganho ao 125 e ter ganho também a final. Mas a final correu-me mal. Paciência. Os outros estiveram bastante melhores e eu estive fracamente mal, nos primeiros 25 pratos e sai mais cedo”, reconheceu.
Paulo Silva ressaltou, que o tiro é um desporto individual, em que o momento conta muito. Basta um ou dois pratos para destabilizar emocionalmente. “Por isso, o que se passou comigo na final, é difícil explicar. Entretanto, quando uma pessoa está outra vez estável, a coisa acabou”, citou.
O atirador do clube do Rio Seco destacou, que os níveis competitivos alcançados, principalmente no campo de tiro com o seu nome, nos dois torneios já realizados naquele recinto desportivo, foram óptimos.
“As médias obtidas nesta 8ª Contagem satisfazem as nossas expectativas, sobretudo a minha e a do Jorge Perestrelo. Eu com 116 e o Jorge Perestrelo com 113, foram boas. As marcas que temos como referência, como mínimos olímpicos são 112. Portanto, houve duas marcas que ultrapassaram ou atingiram esse scoor. As outras ficaram aquém do esperado”, frisou.   
Admitiu existir no país campos bons e maus. “De uma maneira geral, ficamos  aquém daquilo que se pretende, para disputar os títulos internacionais, nomeadamente o campeonato africano”, lamentou.
Lembrou que, além disso, houve também situações durante este campeonato, que não corresponderam aquilo que se esperava.A anulação de uma prova referente a 6ª Contagem do campeonato nacional da modalidade, criou muitos constrangimentos aos atiradores.
“Houve anulação de uma prova do Prémio do 1º de Agosto, em cima de hora, quando todas pessoas não estavam a espera que isso acontecesse. Inclusive eu vim de Portugal, a propósito”, criticou.Paulo Silva sublinhou que “o campeonato é uma guerra e isto são batalhas que vamos ganhando”.
Gaudêncio Hamelay, no Lubango


Custos
Praticantes clamam por redução de preços

A situação do material para a prática do tiro aos pratos, que está cada vez mais dispendioso para a sua aquisição, pode contribuir no desaparecimento da modalidade no país e os praticantes clamam por intervenção das autoridades de direito, na redução dos preços.
 O alerta é do atirador do 1º de Agosto, Jorge Perestrelo, que apela ao Ministério da Juventude e Desportos, para valorizar o tiro aos pratos em Angola, por ser um desporto olímpico.
“A situação dos cartuchos e outros materiais para a modalidade, estão cada vez mais caras. Então, cada vez nos vamos afastando dos treinos e da modalidade. Por isso, agradecíamos que o Ministério da Juventude e Desportos, olhasse um pouco para o tiro aos pratos, que é um desporto olímpico. Já temos um campeão Pan-africano. Mas que olhassem esta modalidade como o futebol e outras. Que houvesse mais incentivos e que baixassem o preço dos cartuchos e pratos”, pediu.
 Jorge Perestrelo acautelou que “caso não forem tomadas medidas, essa modalidade vai morrer mesmo” e que “muitos de nós, vamos deixar de praticar o tiro aos pratos”.
 A exemplo disso, Jorge Perestrelo, revelou que uma caixa de cartuchos, que no passado a sua aquisição custava 1.000 kwanzas, hoje já orça em 5.000 kwanzas. “Portanto, a subir os preços desta maneira, qualquer dia a modalidade morre mesmo no país, porque os praticantes não terão capacidade financeira para a suportar” alertou.
Para Paulo Silva, actual o estado do tiro aos pratos a nível nacional, não é dos melhores, em termo de aquisição de todo tipo de material desportivo e da falta de apoios.  Informou que, neste momento, a importação de cartucho é feita por uma empresa, que tem o monopólio.
 “O actual estado da modalidade não é bom. A importação de cartuchos é feita pela SPAI, uma empresa que detém todo monopólio. E, neste momento, os preços começam a ser proibitivos. Para massificar é completamente impossível. Mas para continuidade fica também difícil, porque hoje fazer uma pranchada fica por volta de 10 mil kwanzas. E isso não é nada bom para o desenvolvimento da modalidade no país, porque os praticantes não vão conseguir fazer face aos custos, daí, solicitarmos a intervenção das autoridades de direito”, referiu.