Jornal dos Desportos

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Petro do Huambo aguarda deciso do recurso apresentado ao tribunal

04 de Agosto, 2018

A agremiao da provncia do Huambo uma das mais carismticas e respeitadas da regio centro e sul do pas

Fotografia: Edies Novembro

A direcção do Petro do Huambo aguarda pela decisão do recurso interposto ao tribunal, contra a sentença da sala do Cível e Administrativo, decretada a 29 de Junho do ano em curso, que anula o processo eleitoral realizado a 27 de Abril de 2016 e o empossamento dos titulares dos órgãos sociais directivos da agremiação desportiva.
Em nota enviada quinta-feira, à Angop, o advogado dos “alvi-negros”, Crescenciano Sapi, informa que, antes de apresentar recurso, a 20 de Julho, o clube requereu aclaração da sentença, face as inúmeras contradições que nela abundam.
“A mesma está eivada de variadíssimos vícios e tamanhas contradições, que a tornam grandemente obscura, constituindo outro motivo suficiente para o clube avocar a si o interesse gritante, para sanar estas imprecisões ou vícios em sede própria de recurso”, lê-se na nota.
Entretanto, o documento não entra nos meandros da matéria controvertida em juízo, por estar-se perante uma questão ainda em curso no tribunal e expressamente proibida a sua discussão na praça pública.
A 29 de Junho deste ano, o juiz Mágno Bernardo, da sala do cível e administrativo do tribunal provincial do Huambo, julgou procedente, por provada, a acção declarativa constitutiva remetida por Carlos Alberto Pires, contra o Clube Petro Atlético do Huambo, na sequência do acto eleitoral realizado a 27 de Abril de 2016.
A sentença anula o acto eleitoral e o respectivo empossamento dos titulares dos órgãos sociais directivos do clube, ao concluir-se não ter havido dúvidas de que o processo eleitoral, que elegeu os órgãos directivos do Clube Petro Atlético do Huambo, foi eivado de vícios, o que torna necessário repor a legalidade, que se consubstancia na procedência do pedido do candidato da lista A.
A 27 de Abril de 2016 os sócios “alvi-negros” elegeram o ex-futebolista Oliveira Rebelo Salumbo, ao cargo de presidente de direcção, em assembleia-geral extraordinária, após um mês de um processo eleitoral polémico.
As eleições no clube tinham sido convocadas para o dia 26 de Março, sendo que, inicialmente, estavam a concorrer, pela lista A, Fernando Manuel Tito \'\'Geoveti” e, pela B, Aníbal Rebelo de Oliveira Salumbo, dois ex-futebolistas do clube em épocas diferentes.
No acto da abertura das candidaturas de ambos, a 12 de Janeiro de 2016, a comissão eleitoral considerou ilegível a lista B, por alegado incumprimento dos requisitos exigidos.
Na sequência, Aníbal Rebelo de Oliveira Salumbo intentou, na sala cível e administrativo do tribunal, uma acção de providência cautelar, da qual resultou a nulidade da decisão da comissão eleitoral e, consequentemente, recomeço de todo o processo.
Uma nova comissão eleitoral foi criada, em assembleia-geral de sócios, no dia 20 de Fevereiro, tendo a mesma se auto-demitido no dia 22 de Março, depois de ter confirmado a recepção das candidaturas de Carlos Alberto Pires “Graça”, lista A, e Anibal Rebelo de Oliveira Salumbo, lista B.
Como pretexto, alegaram constantes interferências nos seus trabalhos, transtornos e vandalização do material afixado nas instalações do clube, factores que os três membros da comissão eleitoral admitem colocar em causa a idoneidade dos mesmos e a integridade física.
A 24 de Abril, os sócios voltaram a reunir-se, em assembleia extraordinária, tendo decidido marcar o acto eleitoral da futura direcção para três dias depois. Unanimemente decidiram, também, afastar o candidato da lista A, Carlos Alberto Pires “Graça”, por ilegibilidade do mesmo e de alguns integrantes da sua lista, nos termos do estatuto do clube e demais leis vigentes no país, por litígios que têm com a agremiação.
Considerado o maior emblema desportivo da província do Huambo e um dos mais carismáticos e respeitados da região centro e sul do país, o Clube Petro Atlético do Huambo foi fundado a 5 de Janeiro de 1980, na sequência da fusão das agremiações locais do Atlético de Nova Lisboa e o Desportivo da Sonangol.
O seu primeiro presidente foi Armando Machado, co-fundador da agremiação, e que anos mais tarde chegou a exercer o mesmo cargo na Federação Angolana de Futebol. Depois dele o clube foi liderado por Armando Cangombe (Piriquito), já falecido, Carlos Alberto Pires (Graça), José Sobrinho e João da Reconciliação André, um ex-futebolista dos “alvi-negros” do planalto central.