Jornal dos Desportos

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Modalidades

Pilotos devem brindar independência nacional

Hélder Jeremias - 12 de Outubro, 2016

Motocross teve um papel na mobilização para defesa da integridade territorial

Fotografia: João Gomes

Anova geração de pilotos angolanos deve regozijarse por contar com a estabilidade política, militar e económica do país, um feito
conquistado por milhões de almas e um bem que deve ser preservado para todo o sempre, na terra que viu nascer muitos heróis
anónimos. A constatação é de Victor Santos, a lenda viva do motocross nacional.

Victor Santos sente-se regozijado pelo motocross manter um lugar especial entre os desportos com maior vitalidade no panorama
desportivo nacional, uma realidade que no seu entender, permite aferir o trabalho dedicado pelas geração anteriores. "Apesar de todas as dificuldades na aquisição de motorizadas, e a vasta gama de equipamentos que a manutenção exige, valeu a pena o sacrifício", disse.

Aos 57 anos de idade, Victor Santos destaca que hoje em qualquer província do país existem condições básicas para se praticar o motocross, em segurança. No passado recente da história de Angola, poucas são as localidades que tiveram esse "privilégio".

"Na nossa época, tivemos muitos momentos bons, mas tudo era mais difícil, quando se tratasse de eventos fora da cidade de Luanda", relembra. Pela importância do motocross, Victor Santos defende que chegou o momento da criação de premissas para o lançamento do Campeonato Nacional de Motocross.

O antigo piloto sugere que os jovens amantes de duas rodas e residentes em distintas localidades do país devem ser inseridos nas equipas, com condições de trabalho. Para o sucesso da aspiração, apela ao maior empenho dos empresários e das autoridades em todo o território nacional, para a criação de Núcleos locais com estruturas para a massificação.

A formação e a promoção de eventos constituem as balizas primárias para a evolução do motocross, segundo Victor Santos. Na ressaca de mais um aniversário das Forças Armadas Angolanas, o antigo piloto trás lembranças da importância do motocross na solidificação da integridade nacional. O espírito que norteou a angolanidade continua até aos dias de hoje.

Victor Santos recorda que na véspera da independência nacional, alguns atletas da sua geração ingressaram nas FAPLA, antigo braço armado do MPLA e do Estado angolano, para evitar dificuldades. A defesa da Nação era pressuposto para o fim da carreira desportiva de muitos atletas. É assim que aos 15 anos de idade, em 1974, ingressou nas Forças Armadas Popular de Libertação de Angola.

No segundo aniversário da corporação militar, em 1976, foi constituída o Comité Desportivo Nacional Militar (CODENM). Para Victor Santos, o momento era "oportuno" para fazer o que mais gostava: pilotar uma motorizada. Inserido nas celebrações, o motocross arrasta multidão.

Victor Santos depara-se pela primeira vez com Carlos Valente Ferreira "Bianchi", Adelino Costa da Silva "Mancha", Roberto Talaia, Francisco Guedes "Lili", entre outras estrelas da época. O jovem de 17 anos de idade e militar dava início a uma carreira que prolongou até 20 anos, como piloto oficial.

SOLIDARIEDADE
Victor Santos defende apoio aos jovens


O Grande Prémio Paddock é o último evento inserido na grelha de programação da Associação Provincial de Motocross de Luanda. O evento realizado na última semana, no circuito Jorge Varela, em Luanda, é um projecto de um colectivo de amigos "com a intuito de ajudar a Associação, no lançamento de maior número de jovens para a alta competição".

Em declarações ao Jornal dos Desportos, Victor Santos esclarece que o "Grupo Paddock tem como finalidade apoiar os pilotos com vocação, mas não dispõem de recursos para se manterem na competição" .

O membro do Grupo Paddock sustenta que "o esforço tem sido feito por determinadas personalidades, mas ainda carece de outras forças". Os problemas que afectam a modalidade "não estão resolvidos" e "o passo dado vai ter o seu efeito".

Para além de apoiar os pilotos, o Grupo Paddock instalou condições cómodas para os convidados e familiares, "à semelhança do que acontece no exterior do país" no circuito Jorge Varela. Um novo regalo pinta de belo o Gamek.

A apetência pela manutenção da modalidade é antiga.  Victor Santos tem as impressões digitais na constituição da Associação Provincial de Motocross de Luanda (APMCL). Em 1993, em companhia de Carlos Ferreira "Bianchi", Orlando Almeida e Roberto Talaia decidiram criar o Grupo de Amigos do Motocross, o embrião da actual instituição.

No seu percurso histórico, Victor Santos é uma personalidade que goza respeito de amigos. O seu estilo acrobático fez com que respondesse pelo nome de um dos pilotos de maior sucesso na época pós -independência: Vitó Cubano.                             


PERFIL
Lenda nacional


Nascido a 27 de Julho de 1959, na antiga vila Teixeira de Sousa, hoje Moxico, Vitó Cubano carrega um espírito aventureiro desde o primeiro contacto com a bicicleta. Apaixonado por rodas, aprendeu a conduzir sozinho as motocicletas NSU e Sachs Lebre.

O antigo piloto colecciona um acervo de encher os olhos. Na galeria pessoal, constam três troféus consecutivos das "3 Horas de Luanda", prova disputada na antiga pista das barrocas do Miramar, em Luanda. Os troféus são os grandes marcos da carreira de Vitó Cubano.

Com as cores do 1º de Agosto, forjou uma carreira sem precedentes, entre 1980 e 1987. Perdeu a conta do número de troféus. De memória lembra-se oferecer a algumas individualidades do aparelho governativo, como Dino Matross, Paulino Pinto João, Justino Fernandes, Henriques Telles Carreira "Iko Carreira", entre outros. Vitó Cubano conquistou troféus da maior parte de competições disputadas "no campo da Revolução", no antigo mercado Roque Santeiro.

Também teve presenças nos pódios das provas de Cabinda, Uíge, Malanje, Benguela, Bié, Huambo e Namíbe. Levou a bandeira nacional na Dinamarca e na África do Sul. Vitó Cubano e companheiros passaram o legado à geração de pilotos como Jorge Varela "Jorginho" (falecido), Hélder Coelho "Vuty", Vadinho Queimado, Carlos Soweto, Tady Madaleno e outros.Terminou a carreira em 1994, aos 35 anos de idade, no Team CHICAE.
H. J