Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Pilotos indignados com nova classificação

04 de Março, 2016

O novo sistema eliminará os pilotos um a um deixando apenas dois na luta pela pole position no 1min30 final

Fotografia: AFP

A proposta da nova classificação da Fórmula 1 para esta temporada não foi bem recebida pelos pilotos. Sem terem sido consultados sobre a alteração, eles estranham a mudança repentina e criticam a incerteza a respeito da possibilidade real da sua implementação.

O novo sistema eliminará os pilotos um a um, deixando apenas dois na luta pela pole position no 1min30 final. Porém, o promotor da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, já adiantou que dificilmente o software necessário para computar os dados e definir os eliminados não ficará pronto a tempo do início da temporada, dia 20 de Março, e é possível que a nova classificação só seja adoptada a partir do GP da Espanha, quinta etapa, que será realizada em Maio.

A indecisão sobre a implementação do novo sistema é o ponto que mais desagrada Nico Rosberg. "Não é muito profissional a imagem que eles estão a passar com isso, mudando toda hora. É uma alteração muito grande e é bom que estejamos a pensar nisso e acho que é importante torná-las realidade o antes possível."

Fernando Alonso, por sua vez, entende o porquê das alterações, uma vez que "os números estão caindo em todos os países, então eles estão a pensar em coisas para aumentar a popularidade". Porém, o espanhol acredita que "algumas das coisas que eles estão a pensar é loucura, como o novo sistema de classificação, que é mais complexo do que o antigo.

Estamos a dar outra dor de cabeça aos fãs. As pessoas querem ligar a TV para ver carros barulhentos com pneus grandes e ultrapassagens o tempo todo, e não têm isso hoje."

Valtteri Bottas também estranhou a alteração. "É muito estranho para mim mudar de repente. Não ouvi ninguém reclamou sobre a classificação. Não tenho problemas com o novo sistema. Talvez não seria certo mudar no meio da temporada, mas se eles mudarem, será o mesmo para todos."

Com a Ferrari também declarando publicamente que "não aceita" a novidade, equipas e dirigentes discutiram durante a semana de testes em Barcelona a alteração do formato de classificação e é possível que a novidade acabe não saindo do papel.

JACQUES VILLENEUVE
DISPARA CONTRA
ALONSO   

Famoso pelas opiniões fortes, Jacques Villeneuve criticou Fernando Alonso e deu a entender que o espanhol não saiu da Ferrari porque quis. Para o canadiano, o bicampeão de 2005 e 2006 foi substituído por Sebastian Vettel ao final de 2014 devido a sua arrogância.

"Ele diz que tomou a decisão correcta, mas é impossível que realmente pense assim", afirmou o campeão de 1997 ao jornal italiano 'La Repubblica'.

Alonso saiu da Ferrari dois anos antes do final do seu contrato, no que foi anunciado na época como um acordo entre as partes. Sem muitas opções no mercado, apesar de ter revelado o interesse da Mercedes em entrevista recente, o espanhol fechou com a McLaren por três anos. Desde então, vem sofrendo com a falta de competitividade do conjunto, muito em função da imaturidade dos motores Honda.

"Ele tomou uma decisão muito arriscada, mas não se pode chamar de coitado porque ganha 30 milhões por ano. Poucos pilotos diriam não a essa quantia, mas Alonso pagou o preço da sua arrogância quando estava na Ferrari", disse Villeneuve.

Para completar, o canadiano, que chegou a correr ao lado de Alonso na Renault em 2004, defendeu que o substituto do espanhol na Ferrari, Sebastian Vettel, conseguiu, em um ano em Maranello, mais do que o bicampeão. "Vettel já fez mais do que Alonso porque levou a paz à Ferrari."


Insatisfação
Espanhol condiciona permanência na F1


Fernando Alonso garantiu que segue na F1 pelo menos até o fim de 2017, quando terminar o seu contrato de três temporadas com a McLaren. Após este período, o bicampeão condiciona a sua permanência.

“Acho que eu poderia guiar esses carros até os 50 anos”, disse o espanhol, actualmente com 34 anos de idade.

Fernando Alonso não esconde a sua insatisfação com os rumos do desporto que o fez vencedor, famoso e rico. Campeão mundial em 2005 e 2006, o espanhol de Oviedo entende que a F1 precisa voltar a ser uma categoria empolgante, com carros desafiadores, rápidos e exigentes física e tecnicamente. Caso as mudanças no regulamento técnico, que pretendem deixar os bólidos ao menos 3s mais rápidos em 2017, não surtam efeito, Alonso entende que não haverá mais razão para seguir na F1.

 Alonso garantiu que segue na F1 pelo menos até o fim de 2017, quando terminar o seu contrato de três temporadas na McLaren. Depois deste período, o piloto deixou claro que vai analisar os rumos da categoria para decidir se fica ou deixa a categoria.

"Os carros são menos espectaculares do que os de alguns anos atrás. Os tempos de volta são muito lentos, os carros estão 120 quilos mais pesados do que há sete ou oito anos, o ronco dos motores mudou, os pneus Pirelli mudaram as corridas. Há um número de factores que deixaram as corridas menos dramáticas, e acho que ninguém gosta disso”, bradou Fernando em entrevista à rádio espanhola ‘Cadena Ser’.

 Aos 34 anos, Alonso entende que os carros actualmente são muito fáceis para pilotar. “Acho que eu poderia guiar esses carros até os 50 anos. Eles são pouco exigentes. Com os carros antigos, você podia ficar algumas noites sem dormir devido ao desgaste físico. Nós fazíamos 1min16s e agora em 1min26s, então é muito pouco exigente.”

 No fim das contas, tudo vai depender mesmo de quão grande vai ser a revolução que a F1 pretende implementar a partir da próxima temporada. “O quanto mais vou ficar na F1 vou saber no ano que vem, porque os carros vão mudar radicalmente. Eles querem deixar os carros mais rápidos, e essa pode ser a virada. Se os carros forem divertidos e a F1 voltar a ser a F1, então isso é atraente para qualquer piloto”, concluiu o bicampeão do mundo.


Revelação
Ecclestone cogita retorno da F1 à África


Sem condições de levar a F1 de volta a Nürburgring, resta a Bernie Ecclestone manter o GP da Alemanha em Hockenheim. Contudo, o dirigente fez um alerta ao circuito, que tem contrato com a categoria para este ano e 2018, colocando em dúvida a sequência da prova. O mesmo não se pode dizer sobre um possível regresso à África do Sul e uma segunda corrida nos Estados Unidos.

A última vez que a África recebeu uma etapa do Mundial de F1 foi na abertura da temporada de 1993, na África do Sul, no circuito de Kyalami. Desde então, o continente só fez parte do calendário de algumas equipas para exibições esporádicas e nada mais. Mas se depender de Bernie Ecclestone, tudo pode mudar em breve, já que há o desejo do chefe da F1 em levar a categoria de volta para África, da mesma forma que o dirigente mantém o sonho antigo de realizar uma segunda prova nos Estados Unidos.

O mesmo, contudo, não se pode dizer sobre o futuro do GP da Alemanha, posto em xeque pelo empresário britânico.

  “Gostaria de ver uma corrida na África”, afirmou Bernie em entrevista ao diário alemão ‘Handelsblatt’. “As primeiras negociações já aconteceram, e talvez tenhamos mais uma corrida nos Estados Unidos. Vamos ver”, comentou Ecclestone.

No começo desta década, a F1 ficou perto de correr nas ruas de Nova Jersey, com a Ilha de Manhattan ao fundo, desejo antigo de Ecclestone. Contudo, por conta de problemas financeiros na promoção do evento, a corrida não foi adiante. Desde 2012, os Estados Unidos realizam a sua etapa do Mundial no Circuito das Américas, em Austin.

 Se Bernie fala em um tom mais positivo sobre o possível regresso da F1 à África ou mesmo uma segunda prova nos Estados Unidos, a sua postura é bastante distinta sobre o GP da Alemanha, que volta ao calendário do Mundial neste ano após ficar de fora em 2015. Entretanto, Ecclestone deixou claro que não anda satisfeito com os rumos da tradicional prova.


Futuro
Renault procura identidade


O novo chefe da Renault, Frédéric Vasseur, revelou em entrevista à TV dinamarquesa que tanto Kevin Magnussen quanto Jolyon Palmer têm apenas 2016 nos seus contratos com a equipa. Tentando encontrar o seu caminho na volta à F1, a Renault ainda não está certa de uma conexão longa com algum deles.

O ano vai ser de aprovação para a dupla de pilotos da Renault se eles pensam em permanecer onde estão para o ano que vem. Tanto Jolyon Palmer quanto Kevin Magnussen estreiam pela equipa francesa com contratos de duração de apenas um ano, segundo admitiu o novo chefe, Frédéric Vasseur.

Em entrevista à rede de TV dinamarquesa TV2, Vasseur falou sem problemas que a F1 proíbe que se faça contratos de longa duração com pilotos, especialmente numa equipa que ainda tenta ganhar uma cara após cinco anos longe da F1. Se prender por muitos anos a um piloto neste momento pode significar um erro desastroso de estratégia em Enstone.

 "Os dois pilotos têm contratos de um ano", admitiu. "A F1 está sempre em movimento, não dá para dizer que seus pilotos vão permanecer por cinco ou seis anos. Neste momento, nosso foco é construir uma base forte", justificou.